Sunday, May 13, 2018

As Promessas Cumpridas de Trump - 13/05/2018


Num mundo onde promessas são feitas sem a intenção de serem cumpridas, ve-las implementadas uma após a outra, é uma lufada de ar fresco. Quando são cumpridas por um político então, é motivo de comemoração.

Durante sua campanha para a presidencia, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez muitas promessas. Aos judeus ele disse que acabaria com a deslegitimação internacional de Israel, abandonaria o catastrófico acordo com o Irã e igualzinho a todos os ex-presidentes desde 1995 - quando o Congresso americano votou para transferir a embaixada - cumpriria a promessa de instalar a representação americana em Jerusalém.

Ele manteve a primeira promessa ao enviar Nikki Haley às Nações Unidas para lutar contra esta instituição que desde o começo foi usada para atacar desproporcialmente Israel, ignorando os abusos óbvios de outros países da região e do mundo. Ainda, com Trump, todos os ramos da administração americana pararam de acusar Israel de ocupar sua própria terra.

A segunda promessa foi mantida na terça-feira passada, quando Trump oficial e dramaticamente anunciou a saida dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã. Em seu discurso à nação, Trump citou a evidência fornecida pelas agências de inteligência israelenses, escancarada para o mundo pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na semana anterior. A mensagem de Trump ao Irã foi clara:  os Estados Unidos não fazem mais promessas vazias e linhas vermelhas não são mais transponíveis sem consequencias. E os iranianos entendem esta linguagem.

Durante o governo de Obama, houveram dezenas de encontros hostis entre o Irã e navios americanos no Golfo pérsico. Em Janeiro de 2016, o Irã chegou inclusive a prender soldados da marinha e publicar as imagens deles amarrados e humilhados. A resposta de John Kerry foi de agradecer os aiatolás pelo “bom tratamento” dispensados aos americanos. Não é interessante que desde a posse de Trump não tivemos mais este tipo de incidente?  

A terceira promessa de Trump será cumprida amanhã, quando a embaixada americana se mudará de Tel Aviv para a capital de Israel, Jerusalém. Ao fazê-lo, Trump estará entrando para a história se distinguindo dos outros presidentes que fizeram exatamente a mesma promessa aos judeus americanos para conseguirem seu voto, e não conseguiram, ou melhor, não quiseram mantê-la. E encorajados por Trump, outros 10 países também estarão mudando sua embaixada para a capital. Entre eles, nosso vizinho, Paraguai.

Os palestinos não estão nada felizes. As últimas semanas não foram boas para eles. Primeiro Mahmoud Abbas foi duramente repreendido até por seus aliados por culpar os judeus pelo holocausto. Depois a chamada “marcha do retorno” de Gaza não está dando qualquer resultado. Até a imprensa não tem aparecido para cobrir as deploráveis demonstrações semanais com coqueteis molotov, pedras e agora pipas com rabos em fogo para queimar as plantações de Israel.

Ainda, há duas semanas, Israel sediou a primeira etapa do Giro d’Italia, com ciclistas do mundo inteiro incluindo, vejam só,  uma delegação de Bahrain e outra dos Emirados Arabes que vieram pedalar em Jerusalem e no resto do país. Isto gerou um protesto duro do Comitê olimpico palestino que viu como traição a participação de seus irmãos árabes.  

Trump saiu do acordo com o Irã aplaudido não só por Israel mas pelos sauditas e outros países árabes. E após os aiatolás enviarem 25 mísseis no norte do país, Israel simplesmente destruiu a maioria se não a totalidade das bases iranianas na Síria. Netanyahu foi para Moscou e Putin lhe assegurou que pode se defender dos iranianos como bem entender. Isto, junto com a mudança da embaixada para Jerusalem com grande fanfarra um dia antes dos palestinos comemorarem a “catastrofe” da criação de Israel os coloca na coluna dos perdedores e sua causa no grupo daquelas que o mundo cansou de ouvir. E isso sem falar da vitoria ontem à noite de Netta Barzilai no Eurovision que trará o evento e dezenas de países europeus para Jerusalem no ano que vem!

Chegou a hora dos palestinos fazerem o que chamamos em hebraico de Cheshbon Nefesh, uma contabilidade da alma e deixarem para trás a fantasia dos anos 60 de destruirem Israel e jogarem os judeus ao mar. Eles têm que engolir sua dose de realidade se quiserem alcançar qualquer coisa a nivel nacional.

Os palestinos continuam a reclamar Jerusalem como sua capital sem qualquer base histórica ou moral que suporte o argumento. E contrariamente ao que acreditavam as administrações americanas anteriores, não é produtivo conduzir negociações com base em apaziguamento e mentiras.

Trump reimpôs o respeito à America. Por anos os Estados Unidos se curvaram para estes tiranos do mundo, na esperança fútil que sua mostra de respeito mudasse o comportamento destes ditadores. Mas o que aconteceu durante estes anos, é que o bem se rendeu ao mal. Se rendeu de modo diabólico ao mal. Trump deu um basta. Foi com suas ameaças e indubitável força que Kim Jon Um, o lider da Coreia do Norte, concordou em negociar e desmantelar seu programa nuclear. De repente o Kim pegou uma onda de boa vontade. Numa grande vitória para Trump, três coreanos americanos foram soltos esta semana de prisões da Coreia do Norte sem qualquer pré-condição e mostrando mais deferência ainda, Kim anunciou que fechará o local dos testes atômicos até o final deste mês, antes mesmo do seu encontro com o presidente americano.

Foi a postura de Trump que prontificou os iranianos a não voltarem a enriquecer urânio, mesmo com os Estados Unidos fora do acordo nuclear e o retorno das sanções.  Como Trump disse, violencia só acontece quando o lado forte se mostra fraco. E esta verdade é confirmada pela história. Winston Churchill já havia avisado que não se pode alimentar o tubarão na esperança de ser comido por último.

Jerusalem tem sido a capital do povo judeu por 3000 anos e do moderno estado de Israel desde 1948, não 1967 como muitos pensam. Há 51 anos, hoje, a cidade foi unificada. Com exceção de alguns orgãos do governo, todos os ministérios e o centro político do país sempre esteve na Cidade Santa. Como disse o senador Lindsey Graham da Carolina do Sul, quem não está contente com este fato, que reclame com D-us!

Esta semana foi singular para Israel e para os judeus da diáspora. Tivemos um momento único de graça e bondade; um momento extraordinário de claridade moral. E quando a claridade moral, a verdade e o amor pela vida e pela paz aparecem brilhando no mundo, ele se torna um lugar melhor.

E sabem porque? Porque a luz coloca os ratos para correr. Sim, ouvimos os ratos. Que sair do acordo nuclear com o Irã tinha sido a pior decisão, que agora Israel estava mesmo em perigo, que os iranianos iriam recomeçar a corrida para a bomba e acelerar sua ofensiva para eliminar Israel. O oposto foi verdade. No dia seguinte dos ataques de Israel os aiatolás anunciaram que não querem guerra, querem a paz, coexistencia, etc. É duvidável que eles se aventurem novamente contra o Estado Judeu tão cedo.  

No momento em que os mulás se deram conta que tanto nos Estados Unidos como em Israel há lideranças fortes, eles se dobraram. Eles nos odeiam, são loucos, mas não são burros. Sempre quando o bem se levanta contra o mal, o mundo fica melhor. E esta semana o bem se levantou contra o mal.

Talvez não seja coincidência que a nova embaixada fique perto da rota que Abraão tomou para o Monte Moriah quando estava a caminho de sacrificar seu filho Isaque. Abraão demonstrou o tipo de compromisso e fé que o presidente Trump vem demonstrando desde que assumiu o cargo.

Recompensando Abraão por esse compromisso, Deus o abençoou para que sua semente fosse multiplicada como as estrelas do céu e a areia do mar e seus descendentes herdassem as cidades de seus inimigos.  

O presidente Trump também merece ser abençoado por seu compromisso. Independentemente dos sentimentos que os judeus americanos mais liberais tenham sobre o presidente, eles devem mostrar o apreço que ele merece por se manter ao lado de Israel e do povo judeu de forma tão decisiva.

Essa apreciação é chamada em hebraico hakarat hatov, e significa “reconhecer o bem”. Todos nós devemos reconhecer o bem que recebemos como resultado do cumprimento das promessas feitas pelo Presidente Trump e assim, quem sabe merecermos também uma paz verdadeira e duradoura em nossos dias.

Chag Yom Yerushalayim Sameach, a capital eterna e indivisível do povo judeu!


Sunday, May 6, 2018

A Humilhação do Irã e a Estratégia de Bibi - 06/05/2018

Nesta semana tivemos um milagre. Pela primeira vez – creio - na história, a ONU, a União Europeia, os Estados Unidos, a Alemanha, a Suécia, John Kerry e até o movimento esquerdista Paz Agora se uniram para censurar – vejam – não Israel, mas Mahmud Abbas!

Os amigos mais chegados do líder palestino finalmente reconheceram a verdade em público: que Abbas é um antissemita e negador do Holocausto. Na ultima segunda feira, Abbas declarou na reunião de cúpula da OLP que os nazistas mataram os judeus não por causa de sua religião, mas por que eram agiotas.

O coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Nickolay Mladenov disse que “o Holocausto foi o resultado de milhares de anos de perseguição e por isso qualquer tentativa de reescrever, minimizar ou negá-lo são perigosos”.

Até o jornal The New York Times, porta voz dos palestinos nos Estados Unidos, na quarta-feira publicou seu editorial intitulado: “Que Essas Palavras vis de Abbas sejam suas últimas como Líder Palestino”. O artigo ataca as falhas de Abbas em representar os palestinos e leva-los a um acordo de paz com Israel. Seu governo, infestado por corrupção e mal gerenciado perdeu o apoio do povo. Abbas enfraqueceu as instituições governamentais essenciais para um estado, inclusive ao ficar no governo anos além do termo para o qual foi eleito, impedindo lideres mais jovens de contribuírem para o desenvolvimento de um estado palestino.

Enfim, será que finalmente o NY Times viu a luz? Nem tanto. Nesta mesma semana o jornal publicou um artigo parabenizando Karl Marx por seu aniversário de 200 anos dizendo que ele “Estava Certo”! Como tem gente que diz besteira..

Agora para o evento da semana que foi a controversa apresentação de Bibi ao mundo da meia tonelada de documentos secretos do programa nuclear do Irã, que o Mossad conseguiu tirar de debaixo dos narizes coletivos dos aiatolás.

Imediatamente após a apresentação, os representantes da União Europeia, França e outros países europeus, e até a oposição de Israel criticaram Bibi dizendo que não houve qualquer novidade na revelação e fora até contra produtiva porque não mostrou que o Irã estaria violando o acordo nuclear.

Mas esta é uma visão obtusa e errônea do propósito da apresentação. Primeiramente, qualquer pesquisa no Google irá gerar dezenas de vídeos em que o ministro das relações exteriores do Irã, Javad Zarif, jura de pé juntos que seu país nunca buscou armas nucleares ou teve qualquer programa nuclear militar. Os documentos provam que isto é uma mentira.

Ainda, o simples fato do Irã ter guardado estes documentos já foi uma violação substancial do acordo que reza que “o Irã não poderá conduzir atividades que possam contribuir para projetar e desenvolver um dispositivo nuclear explosivo” (clausula T.82 do acordo). Já que o único proposito deste arquivo é o de possibilitar ao Irã recomeçar seu programa nuclear de onde ele foi suspenso e estes arquivos mostram planilhas e esboços de uma bomba nuclear, o Irã está em violação do acordo.

Mas a pergunta é porque os agentes do Mossad simplesmente não copiaram os arquivos em pen-drives em vez de retirar meia tonelada de papel e disquetes do país numa operação perigosíssima? Primeiro porque o Irã poderia alegar que os documentos haviam sido fabricados por Israel e segundo, há o que chamamos de guerra psicológica.

Os aiatolás realmente acreditam nas lendas antissemitas que tem assolado o mundo por Milenia. Tudo o que acontece contra eles ou seu governo e até catástrofes naturais tem o dedo do judeu por trás. Se o Irã queria intimidar Israel aproximando-se de suas fronteiras, Israel acabou de mostrar que está até dentro de Teherã e tem acesso a toda a informação, por mais secreta que ela seja. O efeito não teria sido diferente se um agente do Mossad tivesse escrito na porta do quarto do Supremo Líder Ali Khamenai, “Israel esteve aqui”.

A estratégia do Irã ao assinar o acordo era clara: eles já tinham o conhecimento necessário para produzir a bomba. Era só ter suficiente urânio enriquecido. O que o Irã não tinha era tecnologia para enviar a bomba, ou a capacidade de produzir mísseis balísticos intercontinentais que poderiam levar ogivas nucleares.

Ora, o acordo especificamente omite a pesquisa, produção e teste destes tipos de mísseis. E para alcançar esta tecnologia, o Irã precisava de tempo e dinheiro. O acordo nuclear lhes deu os dois e ainda mais.

Os bilhões de dólares enviados por Obama não só financiaram o programa de mísseis balísticos do Irã, mas foram usados para financiar grupos terroristas e rebeldes em vários países estabelecendo a influencia do Irã no Iraque, na Síria, Líbano e Iêmen. O Irã também fomentou revoltas em Bahrain e na Arábia Saudita. O Marrocos esta semana cortou relações com o Irã acusando-o de patrocinar rebeldes berberes para desestabilizar o governo marroquino. Esta consolidação, combinada com armas nucleares, levariam o Irã a um poder e hegemonia regionais sem precedentes.

Em sete anos o acordo expira e até lá o Irã teria alcançado a hegemonia, teria a tecnologia balística necessária para enviar uma bomba atômica e em alguns meses poderia produzi-las.

O Irã sempre acusou Israel de usar ataques cibernéticos porque não tinha coragem de enfrentar suas tropas no campo de batalha. Agora com seus agentes livremente agindo em Teherã, Israel mostrou que não tem medo de um encontro físico.

Sem dúvida, quando Netanyahu baixou as cortinas, ele expôs toda a mentira do regime iraniano, mas também infligiu a ele uma tremenda humilhação. Mas a estratégia de Bibi não era só de convencer o ocidente a denunciar o acordo e cancela-lo. Ele sabe que a única forma de eliminar o perigo de um Irã nuclear é uma mudança de regime. A imprensa não tem noticiado, mas o povo iraniano continua a protestar em todo o país, especialmente sobre a situação econômica. As mulheres iranianas estão cheias da polícia da modéstia que as patrulha e as surra se não estiverem bem cobertas ou se usarem maquiagem. A cidade de Esfahan está sem água porque não há investimento do governo em infraestrutura. As minorias curdas, árabes se sentem oprimidas.

Um dia antes da conferência de Bibi, Israel destruiu bases iranianas em Hama e Alepo na Síria que continham forças e armamentos iranianos. Uma base tinha um centro de recrutamento e treinamento de milícias xiitas e a outra tinha 200 mísseis de precisão iranianos. O Irã apenas negou que iranianos tivessem morrido no ataque. Esta foi uma tentativa desesperada de gerenciar o dano, especialmente internamente. O povo vê seu governo dar mais atenção e investir fora do Irã do que em programas para a sua própria população.


Isto, junto com a revelação dos documentos no dia seguinte, Bibi espera que esta humilhação do governo do Irã incentive os protestos e o povo iraniano acabará derrubando os aiatolás. Se virmos a apresentação de Bibi deste prisma, só podemos concluir que ele avançou esta meta de maneira mais que profunda. 

Sunday, April 29, 2018

O Destino dos Judeus na Alemanha - 29/4/2018

Em setembro de 2006, na cidade de Dresden, a Alemanha ordenou rabinos pela primeira vez desde 1942,. Na época, o evento foi celebrado até pela mídia americana com artigos no Washington Post e no The New York Times que disse que a Alemanha “havia tomado um longo passo para sair das sombras da história”. A Chanceler Angela Merkel na ocasião escreveu uma carta em honra do evento dizendo que o Geiger Institute para o treinamento de rabinos era um “símbolo de uma comunidade Judaica vibrante no país”. O recém-ordenado rabino Daniel Alter declarou que as relações judaico-alemãs iriam só melhorar daí por diante se não fosse permitido às forças negras da direita reaparecerem na Alemanha.”

Tanto otimismo e sentimento de volta à normalidade não haviam sido vistos na Alemanha desde a década de 20.

Entre o Movimento Reformista, o Conservativo e o Chabad, houve um grande impulso para restaurar a presença judaica no meio de uma nação que se dedicou à erradicação dos judeus, dos seus centros de culto e de sua fé. Hoje a comunidade judaica alemã conta com 100 mil imigrantes da ex-União Soviética, outros 25 mil que viviam no país antes de 1990 e alguns milhares de israelenses que se mudaram para lá nas últimas décadas. A única comunidade da diáspora de crescimento continuo.

Mas apenas doze anos depois as forças negras voltaram. O presidente do Conselho Central dos Judeus da Alemanha, Dr. Joseph Schuster, acabou de recomendar aos judeus de “não se mostrarem abertamente judeus, e de não usarem a kipá nos grandes centros urbanos da Alemanha”.

O que está em jogo agora não é a restauração da comunidade Judaica na Alemanha com dignidade, mas com segurança. Não seu relacionamento com o que ocorreu no passado, mas como ela vê o seu futuro. Pelas declarações da Chanceler e de outros políticos todos estão do lado dos judeus. A resposta de Merkel ao ataque brutal de um árabe israelense que estava usando a kipá por um imigrante sírio pareceu sincero e a foto do Ministro do Exterior Heiko Mass usando uma kipá pareceu genuína. E sim, os protestos em múltiplas cidades aonde os judeus e não judeus se reuniram usando kipot foi reconfortante. Mas não se enganem... e aí me desculpem mas vem o balde de água fria...

Mesmo o maior protesto, na cidade de Berlim, atraiu apenas 2 mil pessoas! Numa metrópole de mais de 6 milhões isto não chega a ser considerado nem uma aglomeração! Só para efeito de comparação, neste final de semana 30 mil pessoas saíram para protestar o veredito vergonhoso de uma gangue que estuprou uma moça de 18 anos , na cidade de Pamplona, na Espanha. Pamplona tem apenas 220 mil habitantes. O que isto nos diz sobre os alemães?

O que está absolutamente claro é que a Alemanha sofreu uma transformação do dia para a noite com a chegada de quase um milhão de imigrantes árabes extremamente antissemitas e anti-Israel e sem medo de proclamar estes sentimentos. Dá até para pensar que, impossibilitados de expressar seu antissemitismo, os alemães decidiram “importar” uma população que o faz por eles.

Fora das agressões físicas que acontecem de tempos em tempos, os judeus alemães devem pensar no impacto político dessa imigração nos próximos anos. No desafio direto que esta população fará à comunidade judaica no futuro.

O primeiro impacto já está aqui, com o surgimento do partido “Alternativa para a Alemanha”.  Este partido, estabelecido em 2013 numa plataforma anti-estrangeiros, se cresceu rapidamente e já é o terceiro maior partido do país. Ele causou uma séria paralisia política no ano passado, ao desviar os votos dos democratas-cristãos, ganhando 94 assentos no Bundestag. Judeus alemães que estão prestando atenção a estes acontecimentos já soaram o alarme para um caos político maior e mais feio.

O segundo efeito, é que os eleitores árabes irão eventualmente impactar as posições dos principais políticos, como tem acontecido em outros lugares da Europa, principalmente no Partido Trabalhista britânico. As repetidas gafes e provocações anti-semitas do líder trabalhista Jeremy Corbin revelam  um cálculo claro e racional: coletar votos muçulmanos.

Nesta semana, líderes da comunidade judaica da Inglaterra criticaram Jeremy Corbyn depois de uma reunião que tiveram com ele para exatamente discutir o anti-semitismo no Partido Trabalhista. A carta que emitiram depois do encontro o descreveu como "decepcionante e uma oportunidade perdida".

O Conselho de Liderança Judaica e o Conselho de Representantes dos Judeus Britânicos disseram que Corbyn "não concordou com nenhuma das propostas para ações concretas" que eles apresentaram. Dirigindo-se aos repórteres depois da reunião, Jonathan Goldstein do Conselho de Liderança Judaica disse: “Estamos extremamente desapontados que, um mês após termos publicado uma série de propostas muito sensatas e bem pensadas, nenhuma delas - nenhuma só delas - foi aceita por Corbyn."

Ele acrescentou: “Todas as desculpas dadas pelo Sr. Corbyn e sua equipe foram cercadas por processo. Aqui temos um líder do Partido Trabalhista que tem o controle do executivo nacional e que tem indubitável força e controle sobre seu partido. O pretexto do processo é apenas mais uma desculpa para a inatividade.

Essa tendência política já está em jogo em países como a Bélgica e a Suécia, e no devido tempo também atingirá o centro político alemão. Enquanto isso pode levar alguns anos, a tensão entre alemães cristãos e sírios muçulmanos, iraquianos e afegãos já está fervendo em toda a Alemanha, pois os milhões de refugiados sentem que estão sendo obrigados a engolir uma cultura e ideologias que eles não podem digerir.

Ainda é cedo para dizermos se uma catástrofe é iminente. Ainda não estamos em 1938. Mas uma Alemanha que passa por um sério confronto étnico combinado com um partido popular crescente que prega o ódio ao estrangeiro não pode oferecer nada de bom para um judeu. Já vimos este filme antes.


A pergunta que o judeu na Alemanha -  encurralado entre o alemão xenófobo e o muçulmano antissemita, deverá em breve fazer aos seus vizinhos é de que lado do barbarismo você está? 

Para mim, um país aonde um judeu precisa esconder a sua fé não é um país aonde um judeu deva viver.