Sunday, May 1, 2016

Estes Velhos Hábitos Que Não Morrem Ponto 2 - 1/5/2016

Aonde nos voltamos hoje políticos, líderes de organizações e acadêmicos sentem-se livres para expressar seu antissemitismo. Eles sabem que em nossos dias, o apoio de seus pares será muito maior do que as fracas vozes que poderão eventualmente apontar para velhos preconceitos.

Alguns são esperados, como o representante da Autoridade Palestina na ONU acusar Israel de nazista por chamar esfaqueadores palestinos de terroristas. Cocei a cabeça o dia inteiro e não consegui entender o porquê do ultraje. Se estes esfaqueadores não querem instigar terror nos israelenses, qual é o seu propósito então?

Ou ainda, a mais recente pérola do partido trabalhista inglês de David Cameron. O membro do parlamento Naz Shah (e pelo nome dá para imaginar sua origem étnica), foi suspensa por sugerir como “solução”, a transferência ou transporte de Israel para os Estados Unidos.  Ela se desculpou. O ex-prefeito de Londres Ken Livingstone, por seu lado, ao tentar defende-la, disse nada menos que em realidade Hitler era sionista na década de 30. 16 vezes ele recusou se desculpar em sua entrevista à LBC. 

Entre os acadêmicos, ataques contra Israel são simplesmente críticas razoáveis - e qualquer alusão a antissemitismo se torna uma tentativa de censurar uma discussão legítima. Eles aceitam como fato irrefutável que os ataques virulentos de palestinos a israelenses são resultantes da ocupação de 1967 e que um retorno às linhas indefensáveis de armistício de 1948 traria um fim à demonização.

Mas a linha entre crítica razoável e uma hostilidade obsessiva é frequentemente borrada quando se trata de Israel. Termos invariavelmente usados incluem “crimes de Guerra”, “apartheid”, “racismo”, “discriminação”. Teses abundam incluindo uma em que o exército de Israel é acusado de um tal racismo que os soldados nem se dignam a estuprar mulheres árabes. É o único exército que esta prática é inexistente e isso para os críticos é prova de racismo (??!!!).

Neste mês um estudante da prestigiosa faculdade de Direito de Harvard - nada menos que Harvard, perguntou a Tzipi Livni, membro da Knesset de Israel, porque, como judia, ela “fedia tanto”.  O nível de Harvard realmente desceu muito se isto for considerado “crítica razoável”.

Este fenômeno tornou-se até tópico de uma conferência patrocinada pela Universidade de Indiana em Bloomington que reuniu 70 intelectuais de 16 países para discuti-lo em várias perspectivas.

A questão central do encontro foi debater se a demonização e guerra política contra Israel, incluindo o movimento BDS é algo isolado ou pode ser comparado a outras formas de ódio. O consenso geral dos participantes foi que a hostilidade para com Israel, particularmente entre Europeus e outros países ocidentais que não têm qualquer envolvimento direto no conflito árabe-israelense, não tem qualquer paralelo. Como o finado professor Robert Wistrich disse, o “denominador comum do novo antisionismo é o esforço sistemático de criminalizar Israel e os judeus, colocando a sua conduta além do que é aceitável pela nossa civilização”.

Enquanto o velho antissemitismo ataca os judeus como indivíduos, o novo antissemitismo ataca a identidade judaica coletiva, especialmente sua personificação: Israel. É um mau hábito que não morre.

E parte deste esforço está sendo liderado pela própria Organização das Nações Unidas. O voto da UNESCO no começo deste mês eliminando completamente qualquer ligação do povo judeu com Jerusalém, com o Monte do Templo e até o Muro das Lamentações, declarando estes como locais sagrados apenas aos muçulmanos, é apenas um exemplo. E o que é mais escandaloso é que alguns dos países que votaram a favor desta absurda resolução, se gabam de cooperar com Israel em tecnologia, medicina e agricultura como a China, a Índia, a Rússia, a França e o Vietnã.

E da ONU, o vilipêndio de Israel e dos judeus se dissemina para as lideranças políticas, para a mídia, para o mundo acadêmico e aos universitários. E especialmente no ocidente, o antisionismo é justificado com linguagem envolvendo Direitos Humanos e Direito Internacional por supostos “peritos” da ONU que dão a este processo sujo, um semblante de legitimidade.

Esta retórica vem sendo imposta pela esquerda de modo visceral. Aqueles que se dizem campeões da livre expressão são os primeiros a tentar aboli-la quando não os convém. Vários ministros e parlamentares de Israel, ao falarem a audiências americanas foram ameaçados, calados aos gritos ou simplesmente desconvidados. É o que temos quando a democradura da esquerda arrogante está no comando.

E Barack Obama é um de seus mais estelares representantes. Em sua recente visita ao Reino Unido, Obama defendeu sua intrusão na política local ao publicar um artigo marretando os que advogam a saída da Inglaterra da União Europeia ou o Brexit. Os dois lados do debate ficaram ofendidos por ele ter se metido em um assunto que é interno da Inglaterra.

Em sua defesa, Obama sugeriu que numa democracia, amigos podem expressar livremente suas opiniões, mesmo quando visitando um outro país: “se um de nossos melhores amigos faz parte de uma organização que eleva seu poder e sua economia, então eu quero que ele continue a fazer parte dela. Ou pelo menos, eu quero poder dizer que eu acho que isso os faz jogadores mais importantes”. Mas não só Obama se sentiu no direito de dar um conselho sem ser solicitado, mas ele também fez uma ameaça velada. Ele disse que caso saísse da União Europeia, o Reino Unido “iria para o fim da fila nos acordos comerciais” com os Estados Unidos.

O Presidente Obama deve ter uma memória verdadeiramente curta. Os leitores não devem ter esquecido seu transtorno, sua reação visceral, e como respondeu quando o representante de um país amigo, o primeiro ministro Benjamin Netanyahu, expressou sua opinião sobre seu acordo com o Irã.

Sim, há diferenças: primeiro, é a própria existência de Israel que está em jogo no caso do acordo com o Irã o que não é o caso da Inglaterra se ficar ou deixar a União Europeia. E ainda, a oposição de Benjamin Netanyahu ao acordo representava e continua a representar a maioria da opinião dos Americanos, enquanto sobre a Inglaterra eles não têm qualquer opinião sobre o assunto.

Então qual é senhor presidente Obama? Amigos podem ou não falar o que pensam sobre matérias controversas quando se encontram em outros países, ou devem calar-se e não expressar suas opiniões? Ou sua resposta é que eles podem falar quando concordarem com seus amigos, mas não quando discordarem? Até que ponto vamos restringir o debate? Se amigos podem falar livremente o que pensam, isto deveria ser ainda mais válido quando discordam, ou não?

Alguém uma vez escreveu que a “hipocrisia é a homenagem que o vício paga para a virtude”. É também a moeda usada por diplomatas e políticos. Mas não a torna algo correto.

Este Presidente deve ao povo Americano e a Benjamin Netanyahu uma explicação por sua hipocrisia e inconsistência. Que haja somente uma lei sobre todos os amigos: não uma para com os quais você concorda e outra para com os que você discorda. 

Melhor ainda seria ter um diálogo aberto entre amigos sobre todas as questões de importância mútua. De acordo com esta regra então, o presidente Obama deveria ter recebido Netanyahu de braços abertos e ter participado de sua sessão perante o Congresso em vez de condená-lo e virar-lhe as costas. Ele deve sim desculpas a Netanyahu e também os membros democratas do Congresso que rudemente boicotaram seu apaixonado apelo pela sobrevivência de sua nação.


Mas para Obama, como para o resto desta esquerda retardada, direitos de expressão, direitos humanos, direitos de defesa, são de todos - desde que não sejam exercidos por Israel ou pelo povo judeu. 

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