Monday, September 18, 2017

Atrás da Mascara de Embusteiro de Mahmoud Abbas - 17/09/2017

Neste domingo, o grupo terrorista Hamas concordou em negociar com o movimento da Fatah de Mahmoud Abbas para formar um governo de união e convocar eleições gerais nos territórios palestinos.

Em sua declaração, o Hamas disse ter aceitado as condições-chaves impostas por Abbas. Mas isto tudo é uma cortina de fumaça. Hamas teria aceitado dissolver seu Comitê Administrativo de Gaza, criado há apenas seis meses e está ativamente presente na Judéia e Samaria convencido que poderá ganhar as próximas eleições palestinas. E isto é muito provável.

Desde 2007, quando o Hamas e a Fatah travaram uma guerra sangrenta, a liderança palestina ficou dividida em dois governos: o Hamas no controle de Gaza e a Autoridade Palestina na Judéia e Samaria. Mas a influência do Hamas e a corrupção desenfreada da Fatah fizeram Abbas agarrar e não soltar o leme do governo. Ele já está com 82 anos, está no poder há 12 anos apesar de ter sido eleito para apenas quatro anos e não nomeou qualquer sucessor caso venha a falecer.

Este novo anúncio do Hamas, tem que ser entendido num contexto que de todos os lados pode ser muito perigoso para Israel. O Hamas tem sido penalizado por Abbas com cortes em eletricidade, salários e água. O Egito fechou sua fronteira com Gaza por causa dos ataques terroristas no Sinai e de uma aproximação preocupante entre o Hamas e o Irã. Isto no sul. No norte de Israel, as forças da guarda revolucionaria iraniana junto com guerrilheiros da Hezbollah poderão se plantar a 5 km da fronteira norte de Israel. A Rússia tomou o poder decisório da Síria e negociou este limite irrisório em seu nome e em conluio com o Irã. Se houver mesmo eleições entre os palestinos e o Hamas ganhar, teremos o Irã nas portas de Tel Aviv e Jerusalem, de fato cercando Israel.

Não é de espantar que nestas condições, o Hamas tente uma reconciliação com a Fatah. Para conseguir um alívio econômico, os líderes de Gaza podem se esconder atrás da máscara falsária de “moderado” de Mahmoud Abbas. Em alguns dias, o veremos no pódio da Assembleia Geral da ONU vomitando acusações mentirosas contra Israel e louvando a “moderação” a que chegou o Hamas. Infelizmente ninguém lhe chamará a atenção para a falta de vontade de entrar em negociações sérias com Israel, por seu incitamento à violência, por venerar terroristas e por liderar a criminalização de Israel no mundo, tudo isso mantendo seu título de campeão da paz pela comunidade internacional.

Vejam só: por quase duas décadas, o mundo tem dito a Israel que Abbas é o líder mais moderado possível; o melhor parceiro para a paz, e uma pessoa tão razoável que um acordo somente será possível com ele.

Mas aí em 2008, Abbas virou as costas para Ehud Olmert e sua oferta escandalosamente generosa que incluía a transferência do Muro das Lamentações para os palestinos; Abbas recusou sentar com Netanyahu mesmo depois de Israel ter congelado a construção de judeus na Judeia, Samaria e Jerusalem por 10 meses.

Podemos voltar e ler seus discursos passados na Assembleia Geral para ver o verdadeiro Abbas. Em 2011 ele chamou Yasser Arafat “um homem de paz” e Israel de “brutal”, “agressivo”, “racista”, “apartheid”, “horrível” e “um ocupador militar colonial”. Acusou Israel de “limpeza étnica” e de “alvejar palestinos civis com assassinatos, bombardeamentos aéreos e tiros de artilharia”. Falou do elo dos muçulmanos e cristãos com a Terra Santa – e somente deles. E pior, ele falou de 63 anos de ocupação, não de 44 anos desde a Guerra dos Seis Dias, mas a ocupação da criação do Estado de Israel.

Em 2012 ele exigiu que o mundo impusesse uma solução a Israel, sem ele precisar fazer qualquer concessão, continuando com as mesmas acusações escandalosas. Em 2013 Abbas avisou que Israel estava à beira de cometer um genocídio dos palestinos e exigiu uma ação urgente da ONU.

Depois disso ele jurou “nunca” reconhecer Israel como um estado judeu, “nunca” desistir do direito de retorno dos refugiados palestinos para dentro de Israel própria, de “nunca” aceitar o controle do Vale do Jordão por Israel, de “nunca” aceitar a presença de qualquer judeu na Judeia e Samaria, e de “nunca” aceitar qualquer soberania de Israel sobre qualquer parte de Jerusalem.

Em 2014, Abbas acusou Israel de promover um “genocídio” em Gaza, e que em vez de retificar a “injustiça histórica” de 1948, isto é, de sua criação, os judeus estariam impondo um estado de terror, através de gangues de colonos que estariam atacando mesquitas, igrejas e oliveiras. Até a esquerdista-mor de Israel Tzipi Livni descreveu o discurso como “horrendo”. Mas ninguém da administração Obama repreendeu Abbas. Somente Israel foi repreendida.

Em 2015 Abbas acusou Israel de tentar destruir os santuários islâmicos e cristãos de Jerusalem e saiu para abertamente incitar a violência contra judeus na cidade santa. Foi nesta ocasião que ele descreveu os pés sujos dos judeus impurificando a mesquita de Al-Aqsa. Ele também declarou que não mais estava obrigado aos Acordos de Oslo.

No ano passado, Abbas exigiu um pedido de desculpas da Inglaterra ao povo palestino pela Declaração Balfour pelas “catástrofes, miséria e injustiças” que ela trouxe. E continuou com a ladainha das “agressões e provocações contra a mesquita de Al-Aqsa” e acusando Israel de execuções extrajudiciais.

A que nível Abbas deve descer para que a comunidade internacional e a esquerda da Israel comecem a procurar outras opções? Isto é importante porque temos um precedente crítico. Com Yasser Arafat e o processo de Oslo. A esquerda e a administração Clinton se apegaram tanto às negociações com Arafat que fecharam os olhos para o terrorismo, a incitação à violência e a instilação do ódio contra israelenses e judeus.

Cada vez que alguém trazia outra evidência sobre as ações perniciosas de Arafat era rotulado de “inimigo da paz”. Qualquer atenção dada às falhas de Arafat era considerada uma distração desnecessária para a paz.

E incrivelmente, o mesmo processo idiótico e patético está ocorrendo com Abbas. Seu extremismo é ignorado, seu obstrucionismo é negligenciado; sua corrupção? Super tolerada! sua repressão a críticos? É perigosamente desconsiderada.

Ao ponto de palestinos procurarem as cortes de Israel para obterem reparação por anos de tortura sofridos nas mãos de Abbas. Nesta semana a Corte Regional de Jerusalem decidiu que palestinos poderão acionar a Autoridade Palestina em cortes Israelenses. Incontáveis histórias de horror e tortura começaram a jorrar na mídia, junto com fotos das cicatrizes e danos corporais que poderão chegar a centenas de milhões de shekels.

E ainda assim, a mídia, os políticos e o resto do mundo estão aguardando ansiosamente e cheios de especulação para ver se hoje, com a administração Trump, Abbas irá fazer um discurso mais “equilibrado” na Assembleia Geral.

Realmente gente, nesta altura do campeonato, isto faz qualquer diferença?




Sunday, September 10, 2017

O Visionário Theodor Herzl - 10/09/2017

Há 120 anos, no dia 29 de agosto de 1897, 208 judeus de 17 países se reuniram na Suiça, na cidade da Basiléia. Estes judeus, vestidos de fraque, entraram na sala de concertos do casino municipal que estava toda decorada com bandeiras azuis e brancas para a ocasião. De repente, três batidas de martelo. Os olhos se voltaram para o membro mais velho do grupo, Dr. Karpel Lippe, que se dirigiu ao palco. Colocando uma kipá na cabeça, e lágrimas escorrendo de seus olhos e de outros delegados, ele recitou a prece de Shecheyanu, agradecendo a Deus por trazer os judeus para aquele momento.

Com esta prece, começava a jornada do Estado judeu.

A marcha na qual embarcava este Primeiro Congresso Sionista não iria somente levar ao estabelecimento do Estado de Israel. Iria causar uma transformação interna nos judeus do mundo. Theodor Herzl falou na ocasião que a “essência de um estado está na vontade do seu povo”. Ele quis dizer que o território era importante por ser uma base concreta, mas o estado, como entidade abstrata, não poderia existir se não houvesse a vontade do povo judeu de cria-lo.  

Um dos delegados, Mordechai Ben-Ami, descreveu a reação dos presentes: “Herzl foi aplaudido estrondosamente. Parecia que os sonhos de dois mil anos da nação judaica estavam resolvidos e que tínhamos o Mashiah Ben-David na nossa frente”.

Logo após o discurso de Herzl, trabalhos intensos começaram envolvendo deliberações sobre os aspectos nacionais, econômicos, análises da condição da terra para agricultura, recursos hídricos, a situação das várias comunidades judaicas existentes, discussões sobre a ressuscitação da língua e da literatura hebraica, e outros tópicos.

Israel Zangwill, outro delegado, relatou a atmosfera reinante: “Junto aos rios da Babilônia sentamos e choramos ao recordarmos Sião. Junto ao rio da Basiléia nos sentamos e resolvemos: “não iremos mais chorar”. Era uma declaração de guerra contra o fatalismo que tinha paralisado a nação judaica por dois mil anos.

Em 1897, 200 judeus deram um basta e foram trabalhar para terminar com o fatídico exílio que havia durado demais. Herzl transmitia a urgência da tarefa, dizendo que uma catástrofe estava iminente e quanto mais demorasse para chegar, pior ela seria.

De manhã até a noite, durante três dias, os delegados plantaram as sementes para a edificação das duas instituições básicas que impulsionariam a criação do Estado: o Fundo Nacional Judaico e a Organização Sionista Mundial.

Os debates foram ferrenhos, com muitas diferenças de opinião. Era a primeira vez que judeus se reuniam neste formato. Comerciantes assimilados da Inglaterra junto com judeus de vilarejos da Polônia e russos intelectuais de Odessa. Quando as discussões esquentavam, o Professor Zvi Shapira lembrava aos envolvidos que o objetivo de todos era um só. Em um certo momento, o professor fez algo dramático: pediu a cada delegado que levantasse sua mão e repetisse depois dele: “Se eu te esquecer ó Jerusalem, que a minha mão direita esqueça sua destreza”. Esta promessa ficou como um cordão de união repetida a cada Congresso.

Apesar de Herzl não ter sido o esperado Messias, ele corretamente previu a catástrofe e outra: ele disse que o Estado judeu nasceria dentro de 50 anos.

Chega a ser surpreendente que numa era de “ismos” somente o Sionismo ficou. Passamos pelo Comunismo, Maoismo, Leninismo, Stalinismo, Trotskismo, Anarquismo, Fascismo, Nazismo, Nasserismo, todos vieram em grande fanfarra e se foram, tendo trazido aos seus seguidores, somente calamidade e desespero. Os atuais ismos totalitários como o Chavismo e os fundamentalistas, similarmente terão o mesmo destino. O Marxismo foi reduzido de sonho a pesadelo, especialmente aonde foi tentado; o socialismo, depois de ter destruído economias saudáveis foi ultrapassado pelo capitalismo que, após um breve aplauso, tornou-se  uma monstruosidade moral promovida por uma “aristocracia” elusiva. Até o pacifismo, tão na moda há algumas décadas, tornou-se coisa de idiota quando tiranos se apoderaram da tecnologia nuclear.

Somente o “ismo” de Theodor Herzl sobreviveu, mantendo-se corrente, relevante e um grande sucesso 120 anos mais tarde.

Nos 50 anos que se seguiram ao Primeiro Congresso, vimos a explosão de kibutzim, a fundação do hospital Hadassah, da Universidade Hebraica de Jerusalem, da Companhia de Água, de Eletricidade, enfim, toda a base de um Estado, décadas antes de sua criação.

É preciso descrever tudo isto para entender que o Estado de Israel foi o resultado não só do sonho, mas do trabalho árduo dos líderes das comunidades, dos imigrantes que deixaram suas famílias na Europa para os pântanos infestados da Terra Santa.

Contrapomos isto à cultura de auto-piedade dos árabes e de acusações sem base, de complôs imaginários, de puras mentiras usadas para culpar todo o mundo, menos eles próprios pelo que reclamam ser a falta de um estado palestino. Este grupo que roubou o nome “palestino”, composto em sua grande maioria de árabes egípcios, sauditas, jordanianos, marroquinos, e de outras nacionalidades, -e eu não canso de repetir isto - recebeu até agora, mais de 25 vezes o que a Europa inteira gastou para sua reconstrução depois da Segunda Guerra Mundial.

E incrivelmente, depois de 50 anos, não conseguiram construir uma só instituição de base, nem uma companhia elétrica, nem de água ou tratamento de esgotos, nada. É um grupo que acima de tudo promove o ódio, a discriminação, e a violência. O inventor do terrorismo moderno, é anti-mulheres, anti-gay, anti-liberdade de expressão e de religião enfim, tudo o que consideramos como liberdades humanas essenciais. E o mundo continua a bajular os palestinos achando que ao faze-lo irão ser poupados do menosprezo árabe. Como vimos nas distribuições de doces e comemorações pelos ataques de 11 de setembro em 2001, de julho de 2005 e em outros ataques, eles sabem cuspir bem no prato aonde comem.

E isto não é só entre os palestinos mas é endêmico ao mundo árabe como um todo. Isto vem de uma ideologia que os ensina que a civilização ocidental inteira está errada e que seu fundamentalismo islâmico é o correto. Uma ideologia que promete trazer o final dos tempos e que se estiver de posse de uma arma atômica, irá sem dúvida usa-la e pior, na esperança que o outro lado faça o mesmo.

Na semana passada apesar do seu silencio, parece que a força aérea de Israel atacou uma base no norte da Síria aonde teria existido um laboratório de armas químicas e mísseis de precisão. Sem confirmar ou desmentir o ataque, o ministro da defesa Avigdor Lieberman somente avisou que Israel não iria permitir a transferência de tais armas para a Hezbollah que há muito procura meios de extermínio em massa contra Israel. Armas como a bomba de hidrogênio que ontem foi confirmado pela inteligência inglesa, foi produzida pela Coreia do Norte com ajuda e assistência do Irã.

Depois de 120 anos do Primeiro Congresso Sionista, aí está a diferença. O Estado de Israel é um sucesso em todas as áreas porque trabalhou duro para sê-lo. Sua motivação foram as duras lições de extermínio e perseguições. Hoje Israel é proativa em sua defesa e não deixará ninguém prejudicar a segurança de sua população.

Quem sabe que o que os palestinos e o resto dos árabes precisem, em vez de terroristas como líderes, seria o seu Theodor Herzl? Infelizmente até agora estão muito longe disto.




Sunday, September 3, 2017

O Último Teste Nuclear da Coreia do Norte - 03/09/2017

A semana passada eu não escrevi porque fui convidada pela pastora Jane Silva, presidente da Comunidade Internacional Brasil-Israel a participar de um grupo muito especial de brasileiros que viajaram a Israel para conhecer a realidade política do país em loco. A Comunidade organizou passeios e seminários com autoridades em estratégia militar, política e mídia que simplesmente desmontaram a retórica anti-Israel que nos bombardeia diariamente através da imprensa. Fizemos um tour de Jerusalem com Chaim Silberstein que mostrou como a divisão da cidade é inviável e perniciosa principalmente para os residentes árabes. Ouvimos Itamar Marcus, um perito da mídia palestina, que nos mostrou como o ódio aos judeus é instilado em crianças árabes da mais tenra idade e como as autoridades palestinas promovem a incitação dos jovens à violência.

Apesar de estarem com a agenda lotada com visitas oficiais, deputados federais brasileiros em visita a Israel dos Estados do Acre, Alagoas, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Rondonia conseguiram participar desta experiência. Em especial, gostaria de agradecer o Deputado Federal pelo Rio Grande do Sul, Carlos Gomes e o deputado Rocha do Acre que demostraram grande interesse e envolvimento. Os participantes receberam a comenda de Embaixadores da Paz entregue no Ministério das Relações Exteriores com a presença do presidente da Bnei Brit Mundial Chaim Katz, do Ministro das Comunicações de Israel Ayoub Kara e do Deputado Robert Ilatov.

O grupo também trocou bandeiras de cada Estado brasileiro com a bandeira de Israel em sinal de solidariedade, denunciando a posição oficial do governo do Brasil nas últimas votações da UNESCO que não refletem os sentimentos do povo brasileiro.

As grandes estrelas desta viajem, que reportaram suas experiências em tempo real para o Brasil foram a renomada ativista Dra. Bia Kicis e a jornalista Joice Hasselmann. A energia e alegria das duas transformaram um evento com exposição limitada em um marco nacional. Mas como disse antes, nada disso poderia ter acontecido não fosse o sonho e o empenho da pastora Jane Silva que é implacável em seu trabalho em defesa de Israel. Parabéns a ela e a todos pelo sucesso!

Meu comentário esta semana deveria ter sido sobre a força devastadora do furacão Harvey e as chuvas recordes que basicamente destruíram a costa do Estado do Texas. O dano e as perdas - inclusive de vidas - foi enorme, mas em meio à tragédia vimos a solidariedade e o verdadeiro espírito do povo americano que se uniu como um só homem para ajudar nos esforços de salvamento. Quando o governo anunciou que não tinha barcos suficientes para procurar sobreviventes, centenas de residentes de outros estados amarraram seus barcos nos carros e se dirigiram para a zona do desastre para ajudar. Mas esta e outras estórias tocantes ficarão para outra vez.

No meio desta noite foi detectado um terremoto de 6.3 pontos na escala Richter na região norte da República Popular Democrática da Coreia. De acordo com a Agência Geológica Americana que detecta tremores no mundo, tudo indica que este tenha sido o resultado do sexto teste nuclear deste regime criminoso.

E de fato, a agência de noticias da Coreia do Norte anunciou hoje que testaram com sucesso uma bomba de hidrogênio. Isto não é absolutamente nenhuma brincadeira. Este país tem um louco, egomaníaco como líder que nem é democrático, nem uma republica e muito menos popular. É um regime ditatorial bárbaro, impiedoso e irracional.

O teste e a magnitude da explosão pegou todos os peritos de surpresa. Os mesmos peritos que há uma semana diziam que levaria uns 2 ou 3 anos para Kim Jon Un desenvolver uma bomba miniaturizada forte o suficiente para ameaçar os Estados Unidos.

Estavam errados. Ele já chegou lá.

E agora? Será que temos tempo para mais chances e danças diplomáticas ou teremos que aprender a viver num mundo com este monstro armado de bombas atômicas e de hidrogênio e mísseis intercontinentais para lança-las aonde quiser? O programa nuclear norte-coreano, que é o mesmo que o iraniano, tem evoluído numa velocidade alucinante. Em 2013 eles testaram uma bomba de 6 a 7 Kilotons, em Janeiro de 2016 de 7 a 10 Kilotons, apenas 9 meses depois testaram uma bomba estimada entre 15 e 25 Kilotons e hoje, a bomba teria entre 100 e 120 Kilotons. Só para efeito de comparação, a bomba que os americanos explodiram em Hiroshima e que instantaneamente matou 90 mil pessoas tinha entre 13 e 18 Kilotons e a de Nagasaki que matou 80 mil pessoas tinha até 22 Kilotons.

O mundo não pode viver com esta ameaça. Não pode tampouco aceitar ser chantageado por um doente mental que tem sonhos expansionistas de pelo menos reunificar a península coreana sob seu comando. Este é seu objetivo.

Ele acha que agora está em posição de força para exigir que os Estados Unidos retirem suas tropas e armamentos da Coreia do Sul, algo que a China também quer. Os Estados Unidos tem 38 mil soldados americanos estacionados na Coreia do Sul além de submarinos, jatos e outros ativos militares. Uma vez isto alcançado, Kim Jon Un facilmente poderá invadir a Coreia do Sul e reunificar a península.

Não há uma resposta fácil para este problema. Seul, a capital da Coreia do Sul e seus 10 milhões de habitantes, ficam próximos à fronteira e estão ao alcance da artilharia e armas convencionais do Norte. Se Kim Jon Un se sentir ameaçado, irá certamente causar muito dano e mortes ao sul antes de se voltar contra os Estados Unidos. Mas outra vez, não estamos lidando com alguém racional.

Os peritos hoje dizem que o que falta para a Coreia do Norte é passar de combustível líquido para solido para seus mísseis, algo que eles disseram já ter. Se isto for verdade, poderemos ter uma situação em que a cidade de Chicago poderá ser alvejada com zero tempo de alerta, por uma bomba vastamente mais destrutiva que a bomba nuclear. Isto é uma escalada séria da situação.

O que fazer? A última cartada diplomática que os Estados Unidos têm disponível é ir atrás da China que continua a lavar dinheiro para a Coreia do Norte através de seus bancos e continua a dar assistência ao programa nuclear norte-coreano através de empresas chinesas. O porta-mísseis, os computadores e outras partes das usinas são chinesas.  O jogo da China é simples. Toda a vez que Pyongyang faz um passo, o mundo fala com Beijing para usar sua influencia e parar o programa nuclear do Norte. Em troca, a China quer reconhecimento de seu expansionismo no Mar do Sul da China que já chegou perto das Filipinas.

Como podemos confiar na China? Em junho último, os Estados Unidos foram atrás da empresa chinesa Mingzheng por agir como laranja para o banco norte coreano, lavando milhões de dólares. Isto era um aviso aos chineses que eles não ouviram. Se os Estados Unidos banirem o Banco da China, por exemplo, de operar em dólares americanos, levará a China ao caos econômico e possivelmente a uma mudança de regime. Então os Estados Unidos têm pelo menos uma arma para ameaçar a China se não colocar a Coreia do Norte na linha. O que tem faltado até agora é vontade política de faze-lo.

Desde Bill Clinton, que deu 4 bilhões de dólares ao regime norte-coreano em troca do desmantelamento do programa nuclear que não aconteceu, temos visto uma apatia total das sucessivas administrações americanas em aplicar sanções contra a Coreia do Norte. As sanções contra o Sudão e o Zimbabwe chegam a ser mais robustas!

O grande perigo para o mundo não é apenas a Coreia do Norte, mas o Irã estar de posse desta tecnologia e usar das mesmas táticas de Kim Jon Un. Os aiatolás podem a qualquer momento denunciar o mau acordo feito com Obama e partir para a ameaça de todo o Oriente Médio.

Estamos caminhando para uma situação sem volta. A ameaça à paz mundial está cada vez maior. E volto a perguntar: porque o Brasil continua a manter relações diplomáticas com a Coreia do Norte?? O que o Brasil tem a ganhar em continuar a se posicionar do lado dos fora da lei internacional? Isto é uma vergonha. Coloco aqui o meu protesto e espero que as autoridades brasileiras tomem as medidas necessárias para retornar nosso país ao lado correto da história.



Tuesday, August 15, 2017

A Ameaça da Coreia do Norte a Israel - 13/08/2017

Tirando o caos e a violência de ontem em Charlottesville na Carolina do Norte provocada por neo-nazistas e supremacistas brancos, o foco quase exclusivo da mídia esta semana esteve voltado para a troca de ameaças entre a Coreia do Norte e a administração Trump. A pergunta nos lábios de todos os jornalistas e comentaristas se resumiu se a retórica do presidente poderia levar os Estados Unidos a uma guerra nuclear.

Desde os anos noventa com o presidente Bill Clinton, toda a vez que o líder da Coreia do Norte mostrava as presas, a administração Americana corria para os bastidores para apaziguar o líder louco do dia.

Em 1994, Clinton anunciou um acordo com Kim Sung Il pelo qual os Estados Unidos dariam quatro bilhões de dólares para a Coreia do Norte em troca da suspensão e desmantelamento de seu programa nuclear. Na ocasião Bill fez um pronunciamento ao povo Americano afirmando que o acordo era a ultima maravilha para a segurança mundial.

A Coreia do Norte recebeu a ajuda, mas não cumpriu o prometido.  Em 2002 o filho de Kim Sung Il, Kim Jon Il já no poder, expulsou os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica e retirou a Coreia do Norte do Tratado de Não-Proliferação. Em vez de apertar a retórica e o cerco, o presidente George Bush mais uma vez conseguiu convencer a Coreia do Norte, juntamente com a Coreia do Sul, o Japão, a China e a Rússia, de cessar seus testes nucleares em troca de 950 mil toneladas métricas de combustível ou ajuda econômica no mesmo valor.

Obama continuou esta mesma politica mas deixou o Pentágono tentar ataques cibernéticos contra as usinas nucleares da Coreia do Norte. Kim Jon Il não pareceu preocupado e conduziu pelo menos 4 testes nucleares subterrâneos durante a administração Obama. O novo líder da Coreia do Norte, é um louco megalomaníaco e assassino de membros de sua própria família e Deus sabe de quantos mais. Ele sabe que sem armas nucleares e a ameaça de uma guerra iminente, ele não se mantém no poder. O povo norte-coreano é o mais oprimido do mundo. Eles nascem para idolatrar e servir o líder e ponto. A fome é endêmica, sua única fonte de renda é exportação de minerais principalmente para a China.

Kim Jon Un viu como no passado seu pai e avô conseguiram extorquir concessões do ocidente sem dar nada em troca. Mas ele não contava com um Trump pela frente.  Diferentemente do que a mídia quer que acreditemos a retórica de Trump não causou o problema com a Coreia do Norte. Trump herdou este problemão e agora está tentando outra avenida, usando a linguagem que este bully entende. A Coreia do Norte é o único país que possui armas nucleares que ativamente ameaça usa-las contra seus vizinhos e a América. Trump resolveu coloca-lo contra a parede.

Por um lado há os que advogam uma resposta militar para trocar o regime e unir a península, por outro, há o perigo real de uma guerra nuclear que afetará milhares de sul coreanos, japoneses e americanos estacionados na região. Mas é precisamente porque governos anteriores adotaram a política do apaziguamento com estes ditadores malucos que chegamos nesta situação.

E Israel não está fora desta briga. Em abril deste ano, a Coreia do Norte ameaçou Israel com “mil punições impiedosas” porque o Ministro da Defesa Avigdor Liberman teria “ferido a dignidade da liderança suprema”. De fato, Liberman descreveu numa entrevista em hebraico para o site Walla que Kim Jon-Um era um louco e junto com os lideres do Irã e da Síria era membro de uma gangue “insana e radical” que objetivava minar a estabilidade mundial.

Em sua resposta a Coreia do Norte acusou Israel de manter armas nucleares ilegalmente (!) e ser responsável por perturbar a paz do Oriente Médio. O porta-voz de Kim Jon-Un explicou que Israel poderia sofrer o impacto de uma piora das relações com os Estados Unidos porque recursos que estão no Oriente Médio seriam transferidos para a Asia deixando Israel descoberta.

Apesar de não tirar nota 10 na precisão dos fatos, se a Coreia do Norte fizer alguma agressão e usar armas nucleares, estará quebrando um tabú que desde 1945 o mundo cuidou em manter. E isso porque a devastação e mortes causadas em Hiroshima e Nagasaki foram várias vezes maiores do que o esperado.

E apesar de tropas americanas não estarem estacionadas em Israel, ela estará sozinha para se defender do Irã, se a América for para a guerra contra a Coreia. E pode ser que o jovem, inexperiente e influenciável Kim Jon-Un esteja sendo manipulado pelos aiatolás para criar exatamente este cenário.

O Irã está trabalhando com a Coreia do Norte no programa nuclear e muitos especialistas dizem que os dois têm na verdade o mesmo programa. O reator Sírio que Israel destruiu em 2007 era norte-coreano. O Irã conduziu testes para a Coreia do Norte depois do acordo com Clinton e hoje a Coreia está desenvolvendo a miniaturização de ogivas nucleares com a presença de observadores iranianos. Nesta semana, o numero 2 do governo de Pyongyang viajou para Teerã para discutir o programa nuclear apesar da ONU ter aprovado novas sanções contra o regime.

Se a Coreia do Norte se sentir ameaçada, como parece, irá correr para finalizar a tecnologia e passa-la ao Irã. Pode ser que até tenha já alcançado este objetivo. Neste caso, Teerã aguardará pela reação do mundo à ameaça norte-coreana para decidir seu próximo passo.

Se Trump continuar com suas ameaças, mas não fizer nada, mesmo em face a um ataque não nuclear à América ou a algum aliado, isto encorajará não só a Coreia do Norte mas o Irã, a Rússia e outros a agirem mais agressivamente.

Se Trump resolver continuar com o apaziguamento, a Coreia do Norte também sairá mais forte e os aiatolás colocarão menos peso no acordo assinado com Obama e avançarão seu programa nuclear e balístico com mais confiança.

Se houver uma reação decisiva por parte de Trump, o Irã terá que repensar sua próxima jogada, especialmente se os Europeus se juntarem aos Estados Unidos para trocarem este regime insano.

Mas há ainda outro cenário. A presença iraniana na Síria, na fronteira com Israel traz ainda outra ameaça. O Irã poderá usar jihadistas para detonarem um dispositivo nuclear miniaturizado contra Israel. Isto seria um meio mais “seguro” de atacar o Ocidente do que envolver diretamente os Estados Unidos.

Neste caso, com o tabú quebrado, teremos uma corrida armamentista no Oriente Médio, algo que Israel não quer.  Mas ainda se o tabú não for quebrado, pode ser que Israel esteja no caminho de um envolvimento nuclear mesmo que o conflito principal esteja muito longe do Oriente Médio.


Sunday, August 6, 2017

As Lições da Venezuela, Turquia e Israel - 6/8/2017

A Venezuela chegou ao fundo do poço. Nicolas Maduro, o ex-motorista de ônibus virado sindicalista e hoje presidente do país conseguiu afundar de vez o país antes próspero, desenvolvido e livre. Mas o processo não começou com ele e sim com seu predecessor Hugo Chavez que se apoderou das reservas de petróleo do país (uma das maiores do mundo) para enriquecer os seus comparsas, distribuindo migalhas aos pobres em forma de bolsas para se manter no poder. A classe média foi esmagada, o pequeno e médio empreendedor caçado e as poucas indústrias do país nacionalizadas e sucateadas. O sistema despencou junto com o preço do petróleo mundial. Soa familiar?

Dois milhões de venezuelanos deixaram o país, praticamente toda a comunidade judaica, mais uma vez demonstrando que o socialismo só funciona até acabar o dinheiro. Maduro prendeu líderes da oposição, empossou uma nova Assembleia Constituinte que lhe dará poderes ilimitados, destituiu a procuradora-geral enfim, tomou todas as instituições do país como reféns como todo ditador que se preze. A imagem do país exótico, aonde pessoas dançavam salsa nas ruas já não existe. Hoje a Venezuela é realmente única: um buraco negro econômico, com hiperinflação, filas gigantescas para comprar comida, falta de remédios e produtos básicos; um desastre social e um campo político minado com eleições roubadas, protestos diários e desordem. Direitos humanos, liberdades civis, já não existem.

Já no começo desta onda, em 2009, Caracas expulsou o embaixador de Israel acusando o Estado judeu de “perseguir” os palestinos.

O mesmo está se passando com a Turquia. Antes o país mais avançado do mundo islâmico, esperando ser aceito a qualquer momento como membro da União Europeia, a Turquia está regredindo a passos largos para se tornar o centro da intolerância e ditadura islâmica. Recep Tayyp Erdogan, seu presidente, está concretizando sua afirmação de que “a democracia é como um trem. Você desce dele quando chegou ao seu destino”. Um após o outro, ele tem removido os guardiões das instituições democráticas do país: as forças armadas, o judiciário e a mídia.

Ele organizou o suposto “golpe” no ano passado para em menos de dois dias eliminar ou neutralizar milhares de seus opositores que hoje estão sendo julgados “em massa”. Como a resposta do mundo foi fraca, Erdogan se tornou confiante e hoje nem finge mais que a Turquia seja uma democracia. Erdogan posicionou o país como um bastião muçulmano em primeiro lugar procurando restaurar a glória passada do Império Otomano e do califado islâmico. Ele quer restabelecer a lei islâmica como a imposição do uso do véu e vestimentas que cobrem todo o corpo. Milhares de mulheres marcharam esta semana pelo direito de se vestirem como quiserem depois de uma onda de expulsões e violência contra algumas que usaram shortes e regatas em transportes e espaços públicos.

A economia da Turquia também está em frangalhos, mas apesar de depender da ajuda internacional, seu comportamento só piora. Depois de supostamente vencer um referendo popular, Erdogan restabeleceu a pena de morte e continuou a prender acadêmicos, jornalistas, comerciantes, políticos e membros da polícia e do exército. A Alemanha anunciou que nesta situação não dará à Turquia a ajuda de 4.1 bilhões de dólares prometidos. Outros países também estão questionando a participação da Turquia na OTAN.

Na situação atual de impasse entre a Arábia Saudita e o Irã, a Turquia fez sua escolha, se aliando aos aiatolás e ao Qatar. Ela importa gás natural do Irã e Qatar prometeu mandar milhões de dólares em compensação . Como sabemos, este eixo é extremamente anti-Israel e recebe apoio da Rússia.

Com a crise dos detectores de metal no Monte do Templo, a Turquia adotou uma retórica antissemita especialmente agressiva incitando a população contra a comunidade judaica. O próprio Erdogan conclamou os turcos para marcharem contra Jerusalem para defender a mesquita da Al-Aqsa das botas imundas dos soldados israelenses.

Como a Venezuela, as relações da Turquia com Israel começaram a deteriorar em 2010 com o incidente do navio Mavi Marmara que tentou violentamente quebrar o bloqueio naval israelense de Gaza.

Antes do famigerado acordo de Obama com os mulás de Teherã, o Irã também estava à beira do precipício econômico. Isto porque o governo dos clérigos escolheu a busca por armas nucleares e a hegemonia xiita no mundo islâmico sobre o bem estar econômico do povo. Em vez de usar a renda do gas natural e petróleo para fomentar a economia e a indústria, Teherã usou de todos os seus recursos para construir usinas nucleares subterrâneas e aumentar o volume de sua retórica contra Israel. Esta semana, com a reeleição de Rouhani, não há qualquer mudança pela frente e a relação desta ditadura com os Estados Unidos e Israel só tende a piorar.

É preciso notar que a Venezuela, a Turquia e o Irã mantém laços muito estreitos entre si, e em todas as esferas. O que podemos aprender deles?

A primeira lição é sobre autoritarismo.

Desde 1989, quando o mundo se dirigiu para a democratização, houve uma reação muito forte liderada pela China, Rússia e Turquia. Mas mesmo a China foi obrigada a abrir sua economia e substituir os uniformes sem gosto de Mao por ternos feitos sob medida. A Rússia teve que adotar uma postura democrática para dar a Putin legitimidade antes dele tentar restaurar a União Soviética. E a Turquia supostamente adotou valores ocidentais para se juntar à União Europeia só para voltar atrás.

Mas o autoritarismo não dura para sempre e seu fim é duro. A segunda lição que aprendemos destes países é sobre o antissemitismo.

Em 1655, o judeu holandês Menasseh Bem Israel pediu, numa carta para Oliver Cromwell, que voltasse a admitir os judeus que haviam sido expulsos em 1291 da Inglaterra. Ele argumentou que todos os que maltrataram os judeus foram “punidos”, mas seus benfeitores foram “recompensados e seus países começaram a florescer”.

Ele citou a Espanha que fora à falência quatro vezes nas décadas seguintes à expulsão dos judeus enquanto que o Império Otomano, que os recebeu, progrediu. Quando a Antuérpia atacou os judeus, perdeu seu status de centro financeiro para Amsterdã que os recebeu.

Este fenômeno foi tão prevalente na Europa que o sociólogo nazista alemão Werner Sombart declarou que “Israel passa sobre a Europa como o sol: com a sua chegada surge nova vida; quando se vão, tudo declina”. Colocando o supernatural de lado, lideres como Hugo Chavez usam os judeus como tradicionais bode expiatórios acusando-os de todo o mal. Mas a natureza do judeu é empreendedora e inovadora e é isso que os países perdem quando perseguem ou se livram de seus judeus.

A terceira e mais importante lição, fica com Israel. Ela não pode subestimar os que usam os judeus e o Estado judeu para consolidarem seu poder e não pode se dobrar às suas demandas para restabelecer relações ou outro ganho qualquer a curto prazo. Orgulho nacional é algo muito importante nesta região. Quando Israel se rende em disputas aparentemente pequenas com países autoritários, faz com que seus inimigos se fortaleçam e continuem a ataca-la implacavelmente. Isto mina sua capacidade de dissuasão e de forjar alianças com países que têm os mesmos objetivos como a Arábia Saudita, por exemplo. Israel tem que primeiro pensar em proteger seus interesses estratégicos como um país soberano e independente. Se dobrar para obter resultados imediatos não é uma política de governo nem a longo e nem a curto prazo. 

Não é se o Estado judeu quiser manter o poder de dissuasão e o respeito que lhe cabe.  


Sunday, July 23, 2017

A Soberânia de Israel e o Monte do Templo - 23/07/2017

A família tinha se reunido neste último Shabat em Halamish, uma comunidade na Samaria para comemorar o nascimento de mais um neto para Yosef e Tovah Salomon. A mesa, coberta com uma toalha branca, tinha sido preparada com refrigerantes e quitutes para receber os vizinhos e amigos que deveriam chegar para o Shalom Zachar, um dos mais antigos costumes judaicos conhecidos, em que a comunidade parabeniza os pais no primeiro Shabat depois do nascimento de um menino.

A porta da casa estava destrancada esperando os convidados. Mas em vez deles, um palestino de 19 anos brandindo um facão entrou e passou a esfaquear os membros da família. Ele matou Yossef de 70 anos, sua filha Chaya de 45 anos e seu filho Elad de 36 anos. A esposa de Yossef, Tova de 68 anos foi ferida gravemente. Enquanto o palestino chacinava seu marido, a esposa de Elad conseguiu retirar seus cinco filhos se trancando num quarto da casa de onde passou a gritar por socorro.

Um vizinho imediatamente compreendeu o que estava se passando, pegou sua arma e da janela, atirou no estomago do terrorista. Tudo isso durou 15 minutos, mas assim que os paramédicos chegaram, o palestino ferido pulou e tentou ataca-los. Menos de 24 horas depois do ataque, o assassino foi transferido para a custódia da policia. As primeiras fotografias liberadas pelo exército mostraram a extensão da chacina. O chão da sala e da cozinha, inteiros banhados de sangue; marcas de passos sangrentos nas escadas e de mãos nas paredes. Sofás e cobertores encharcados de sangue.

O exército anunciou que o terrorista postou em seu Facebook sua intenção de cometer o ataque por causa da conclamação dos mulás, políticos palestinos e árabes israelenses contra uma suposta “tentativa de tomada das mesquitas do Monte do Templo pelos “judeus””.

Isto tudo porque, depois do horrendo ataque na semana passada que deixou dois policiais drusos israelenses mortos, Israel decidiu instalar detectores de metais na entrada dos muçulmanos na mesquita de Al-Aqsa.

Em todos os lugares em Israel há detectores de metais inclusive na entrada do Muro das Lamentações. Os palestinos imediatamente acusaram Israel de infringir o status quo no Monte do Templo e conclamaram os árabes para protestarem, se baterem contra a polícia e rezarem na rua, bloqueando o tráfego. O Waqf Islâmico, gerente do local, também pediu aos muçulmanos recusarem entrada na mesquita até que os detectores sejam removidos porque de acordo com eles os detectores são contra o islamismo.
Pois é, só em Jerusalem, porque na Arábia Saudita, os peregrinos do Haj devem passar por detectores de metais e serem totalmente revistados antes mesmo de entrarem na cidade de Meca e são observados 24h por dia por mais de cinco mil câmeras além dos mais de 100 mil seguranças empregados para vigiá-los. Em junho, devido a estas medidas, um homem-bomba foi apreendido antes de entrar na Grande Mesquita de Meca. Hoje a Arábia chegou ao ponto de requerer que os peregrinos usem pulseiras eletrônicas para serem monitorados. No Vaticano, mais de cinco mil policiais revistam visitantes mesmo depois de eles terem passado por detectores de metal.
Mas sejamos honestos aqui. Toda esta incitação e agitação nada têm a ver com a mesquita ou com detectores de metal ou com um suposto complô dos judeus de tomarem a mesquita. Esta não é uma desculpa nova. A causa do massacre de Hebron de 1929 foi exatamente esta – tirando os detectores de metal. No dia 24 de agosto daquele ano 67 judeus foram massacrados, entre eles uma dúzia de mulheres e três crianças com menos de cinco anos de idade. 57 corpos foram enterrados pelos árabes numa fossa coletiva. Uma carta dos judeus de Hebron ao Alto Comissário Britânico descreveu os casos de tortura, mutilação e estupro.
Naquela época os árabes estavam em controle do Monte do Templo e judeus tinham acesso super-restrito ao local.  Quase 90 anos depois da mentira, ela é repetida e novos massacres ocorrem. E os árabes exigem a volta do “status quo”, como se nada tivesse acontecido. Como se armas não tivessem sido trazidas para a mesquita e dois soldados israelenses não tivessem perdido suas vidas. Como dizem os Salmos: um povo que vive de mentiras.
O Monte do Templo é um local sagrado, mas não há nada de sagrado sobre este status quo que políticos israelenses insistem em manter. E se este status quo não está funcionando, ele tem que ser mudado e uma nova ordem, um novo status quo implantado.
Foi um grande erro ter deixado o controle do Monte do Templo nas mãos do Waqf depois da Guerra dos Seis dias. Quando Moshe Dayan disse: “para que precisamos deste Vaticano?” ele mostrou uma total ignorância do significado do local para os judeus. Sendo um membro da esquerda de Israel, Dayan acreditava no apaziguamento dos árabes como instrumento para obter calma. Grande erro.
O controle do local aonde os dois Templos judaicos foram construídos e destruídos, não é uma questão passageira que pode ser ignorada. Ela tem um significado profundo para os judeus, e as sensibilidades da maioria alguma hora têm que ser respeitadas, especialmente quando não há qualquer razão para não fazê-lo. Conhecemos bem a liberdade de religião e pluralismo no mundo islâmico depois de séculos de proibição de acesso para os judeus de seu local mais sagrado. Hoje, 50 anos depois da reunificação de Jerusalem, os judeus deveriam ter liberdade para visitar o Monte do Templo e rezar no local sem serem atacados por gangues de punks fundadas pelo movimento islâmico. Judeus e cristãos devem ter o direito de subir ao Monte sem estarem sujeitos à supervisão humilhante e provocadora dos capos do Waqf.
Fora da mesquita de Al-Aqsa em si, porque o Waqf e seus traficantes do ódio têm qualquer direito ou status sobre o resto do Monte?? Ou seus portões? Ou sua esplanada? Porque os judeus só podem entrar pelo portão Mugrabi? E porque em pequenos números? Porque quando há um surto de violência muçulmana são os judeus que são evacuados? Porque não podemos nos locomover no local livremente? Porque continuamos a dar aos inimigos de Israel um status de estado dentro de um estado?

Por décadas o Waqf tem se aproveitado do desejo de Israel de manter a calma: seus imams promovem a incitação à violência a cada sermão, diariamente causam danos arqueológicos irreparáveis; fornecem proteção a terroristas e arruaceiros; encobrem a estocagem de pedras e tacos de madeira destinados às cabeças de judeus. O Monte do Templo, contra todo suposto status quo, se tornou uma arena de hostilidades e terrorismo extraterritorial. Israel pode dizer que tem a soberania, mas não a vemos em nenhum lugar do Monte.

Hoje Israel não mais se comporta como uma força confiante e soberana mas com hesitação e dúvida, voltando a cada passo a oferecer medidas apaziguadoras que no final não trazem a calma. E tudo isto porque? Porque ela passou sua autoridade ao Waqf. E os palestinos são bons para cheirar fraqueza. Por isso não se pode apaziguar um agressor. É preciso confrontá-lo.  

Israel não pode se dobrar agora. Ela tem que declarar inequivocamente que a soberania do Monte do Templo lhe pertence. Tem que manter os detectores de metal e implantar outras medidas de segurança como câmeras por exemplo. Israel tem que expulsar o Waqf e apontar um imam pró-Israel como gerente da mesquita. Tem que manter uma força policial expressiva em toda a esplanada para manter a segurança e abrir sua visitação a todos, judeus, cristãos, muçulmanos, nativos e turistas dando a todos o direito de rezar.

Enfim, Israel deve deixar claro de uma vez por todas que foi ela quem ganhou a guerra e eles perderam. Qualquer agraciamento dado aos palestinos é ao bel prazer de Israel e não um direito. Vão reclamar? Que reclamem. Abbas cortou as coordenações de segurança de Israel? É ele quem está em perigo do Hamas tomar a Judeia e Samaria. Vão ir para o Conselho de Segurança? O Conselho já vai se reunir amanhã para discutir os detectores de metal. Estes palhaços não têm o que fazer.

Vão para a guerra? Talvez isto seja uma bênção. Uma boa guerra é bem melhor do que uma paz ruim. E o que os palestinos chamam de paz é a destruição de Israel.

Mas se todos nós enviarmos nosso apoio, a Israel e aos seus governantes, ela poderá mostrar ao mundo que sua soberania é real e não apenas palavras vazias.




Monday, July 17, 2017

A Nova Bíblia da UNESCO - 16/7/2017

Mais uma vez começamos a semana de luto. As famílias de Hail Stawi de 30 anos e de Kamil Shanan, de apenas 22 anos, policiais drusos de Israel, enterraram seus filhos neste final de semana.

Os dois foram chacinados por terroristas na sexta-feira às 7h da manhã em nada menos do que o Monte do Templo em Jerusalem. E por mais que a Autoridade Palestina e até membros árabes do parlamento de Israel queiram descrever este como mais um ataque contra o que eles chamam a “ocupação israelense”, esta afronta, no local mais sagrado do mundo para judeus tem o potencial de inflamar toda a região.

Os terroristas, árabes israelenses de Um-El-Faham não viviam sob qualquer “ocupação”. Viviam em Israel própria, cidadãos do país com todos os direitos e bem representados na Knesset.

Desde a libertação de Jerusalem por Israel em 1967, nunca houve um ataque com armas de fogo vindo de dentro da mesquita de Al-Aqsa e a pergunta é: até que ponto o Waqf, o órgão islâmico responsável pelo gerenciamento do local, foi cumplice deste ato terrorista.

Logo após a vitória israelense na Guerra dos Seis Dias e a famosa frase “o Monte do Templo está em nossas mãos”, o então Ministro da Defesa, Moshe Dayan, achou por bem devolver as chaves das mesquitas ao Waqf para evitar mais conflitos com o mundo árabe. E o status quo, de que tanto se fala, é manter o Waqf no gerenciamento enquanto Israel detém a soberania do local.

Mas desde 1967, o status quo mudou e muito. Mudou para pior para Israel, beneficiando os muçulmanos. Quem visitou o Muro das Lamentações sabe das longas filas dos detectores de metal e segurança que temos que passar. Os muçulmanos não têm tais restrições. Eles têm entrada livre. Ainda, até alguns anos atrás, qualquer um, incluindo judeus e cristãos, podiam visitar as mesquitas e rezar, desde que comprassem uma entrada. Hoje, se alguém é pego movendo os lábios, é retirado imediatamente à força porque só muçulmanos têm o direito de rezar no platô. Que religião é essa que proíbe pessoas de outras fés de rezar?? E judeus e cristãos não rezam para o mesmo D-us que os muçulmanos??

Como, depois de 50 anos, a soberania de Israel é questionada, a presença de judeus e cristãos rejeitada, e a própria história negada?

Existe um esforço do mundo impulsionado pelos palestinos para minar a legitimidade de Israel como país e o direito dos judeus à sua terra ancestral.  E de acordo com Daniel Pipes do Fórum do Oriente Médio, não haverá paz neste canto do mundo até Israel deixar claro para os palestinos que eles perderam a guerra e têm que aceitar termos de rendição.

De fato, Israel continua a existir porque contra todas as probabilidades, ela ganhou todas as guerras em que esteve envolvida. E Pipes tem razão sobre uma declaração inequívoca de Israel. Temos que parar de engolir como verdade esta afirmação asinina de que “não há solução militar para o conflito” quando durante os cinco mil anos de história da humanidade conflitos só foram resolvidos militarmente. O que estudamos na escola senão sobre guerras e como os vencedores mudaram o curso anterior?

Este projeto do mundo contra Israel está claramente nas mãos da ONU. Vimos a palhaçada se repetir na UNESCO na semana passada, outra vez negando o passado judaico de três mil anos de Hebron e o túmulo dos patriarcas. Os palestinos reclamam os locais judaicos para si e dizem que eles estão em perigo forçando uma votação de emergência. A votação foi tão escandalosa que o embaixador de Israel Carmel Shama HaCohen disse que precisava sair porque a privada entupida de seu apartamento era um problema mais sério que a resolução adotada.

Esta é apenas a ultima manobra desonesta da organização que supostamente é encarregada dos lugares históricos da humanidade. Mas desta vez a UNESCO, seguindo a liderança do Líbano, Cuba e Kuwait (pilares da cultura mundial), foi ainda mais longe. Ela reconheceu apenas o passado islâmico de Hebron, da ocupação dos mamelucos até hoje. Assim, o mundo hoje considera o tumulo de Abraão, Isaac, Jacó, Sarah, Rebecca e Lea um local islâmico! Nem as objeções do Conselho Internacional de Monumentos e Locais que avalia os locais de Herança Mundial e notou que não havia nenhuma indicação que Hebron estava em perigo, além da inadmissível omissão da história anterior aos mamelucos - foi suficiente para mudar os termos da resolução.

Aonde chegamos!!! Isto é o que acontece quando países civilizados deixam a liderança de organizações internacionais nas mãos de tiranos ignorantes.

E esta vitória encorajará os palestinos a submeter outros pedidos. Na sua lista está Jericó e pasmem: as cavernas de Qumran aonde foram encontrados os textos do Mar Morto. Os palestinos reclamam os textos, escritos em hebraico do Segundo Templo como sua Herança Nacional!

Esta não é uma tática nova. Todas as vezes que muçulmanos conquistaram um local, ou eles destruíram os centros religiosos ou os transformaram em mesquitas. É só ver o que fizeram na Turquia, quando converteram a suntuosa basílica cristã de Santa Sofia na mesquita Ayasofia. Em Israel, além da implantação da mesquita no Monte do Templo e no túmulo dos patriarcas em Hebron, o túmulo do profeta Samuel virou mesquita, o tumulo de José foi destruído, e o tumulo da matriarca Raquel, apesar de nunca ter havido uma mesquita no local, é chamado pelos palestinos de Mesquita de Bilal bin Rabah.

A única coisa positiva deste voto da UNESCO foi o debate acirrado que ele causou em Israel. Na quarta-feira, a vice-ministra do exterior Tzipi Hotovely declarou no plenário da Knesset que os palestinos estavam “roubando a história judaica”.

Ela levantou a Bíblia como prova da história autêntica da história do povo judeu e depois abriu um livro sobre a história palestina com páginas em branco que fez um sucesso incrível na Amazon até ser removido.

Hotovely perguntou: “vocês sabem por que as páginas estão em branco? Porque os palestinos nunca tiveram reis ou locais de herança mundiais. David, Moises, Abraão, Isaac e Jacó foram antepassados dos judeus e vocês palestinos, não conseguirão islamiza-los”.

Mas o membro árabe da Knesset Abdel Hakim Haj Yahya respondeu que “Abraão é o pai dos palestinos, não dos judeus. E que todos os profetas são muçulmanos, ou eles não seriam profetas!” Agora entendemos como Jesus se tornou o primeiro “mártir palestino”. Esqueçam os Evangélios. De acordo com esta lógica, Jesus não era judeu. Ele era na verdade muçulmano!

Estamos prontos a viver com esta nova verdade??

Senhores, não há como desfazer este tipo de retórica. Não há paz porque os árabes e palestinos são alimentados todos os dias com este tipo de excremento ideológico e falsidades históricas que os fazem acreditar que estão com a verdade. Temos que deixar bem claro que rejeitamos este discurso absurdo e temos que exigir que nossos líderes não fechem os olhos para esta retórica que procura semear a dúvida sobre as fés judaicas e cristãs e cria uma expectativa irreal para os palestinos.


Albert Einstein disse que “o mundo não será destruído por aqueles que fazem o mal, mas por aqueles que os observam sem fazer nada”. Nosso papel é sairmos de nossa zona de conforto e fazermos alguma coisa.


Sunday, July 2, 2017

Trump, as Falsas Noticias e Israel - 2/7/17

Desde a tomada de posse da presidência da Republica por Donald Trump, muita coisa tem mudado nos Estados Unidos e no mundo. Apesar dos ataques venenosos e implacáveis da mídia, Trump conseguiu concretizar mais promessas feitas durante a campanha do que qualquer outro presidente americano.

Em pouco mais de 5 meses, além de trazer uma confiança sem precedentes ao mercado e às bolsas de valores, Trump cancelou centenas de regulamentos que atravancavam empresas e proibiam a exploração de fontes de energia gerando milhares de empregos; nomeou e conseguiu aprovar um membro conservador para a Suprema Corte do país; reduziu substancialmente a imigração ilegal; congelou os gastos do governo federal; renegociou vários tratados comerciais internacionais; aprovou o orçamento para renovar o exercito, reformou o sistema médico para os veteranos, mas acima de tudo, ao usar o Twitter, o presidente se tornou o comandante da luta contra o noticiário falso. E isso está deixando os democratas, a esquerda e a mídia furiosos.

Até hoje, o aparato político precisava da mídia para transmitir suas medidas, políticas e acontecimentos ao povo. Hoje, com mais de 100 milhões de seguidores no Twitter, Trump só precisa de seu telefone. E para quem o segue, sabe que 99% de suas mensagens são sobre as medidas que ele está tomando para como ele diz: Fazer a América Formidável de Novo.

Mas em vez de discutir os objetivos do governo, a mídia continua numa frenética, insana e pouco produtiva caça às bruxas, a bruxa sendo Trump. Depois de mais de um ano sendo diariamente insultado por este casal de âncoras da NBC, Trump que é um homem orgulhoso, com mais conquistas no bolso do que todos nós juntos, resolveu bater de volta. Ele descreveu Mika como baixo Q.I. e seu noivo de maluco Joe. Ainda contou que os dois tinham tentado ser convidados para sua festa de ano novo mas ela estava sangrando de uma plástica recente e Trump disse não.

Este twit causou um alvoroço e nenhum outro assunto foi mais importante esta semana, inclusive para os correspondentes internacionais brasileiros. Não a libertação de Mosul das mãos do Estado Islâmico, não a confirmação da morte do líder do ISIS, Abu Bakr al-Bagdadi, não a onda de cólera no Iemen, não a imigração na Europa que já se tornou insustentável. Nada.

Mas Trump não parou aí. Depois de ter repetido que a CNN é a maior fonte de noticias falsas, esta semana ele foi vindicado. Três jornalistas da rede foram “resignados” incluindo o editor executivo da unidade de investigação jornalística depois de terem publicado uma estória falsa sobre um fundo de investimento russo que teria laços com pessoas na administração Trump. Eles citaram uma fonte anônima como prova. A rede ainda despediu Reza Aslan depois do âncora ter chamado Trump de um pedaço de excremento. Isto se seguiu ao cancelamento do contrato da comediante Kathy Griffin no começo de junho, depois dela ter aparecido segurando uma cabeça decapitada e sangrenta de Trump.

Parece que só este tipo de coisa consegue aumentar a audiência destas redes. Ultimamente só assistimos a CNN nas filas dos aeroportos. A NBC nem isso. O que forçou a mão destas redes foi a reação do público contra esta falta de respeito para com o presidente. Mesmo democratas estão de acordo que tem que haver um basta..

Porque isto é importante? Porque hoje temos que separar o joio do trigo quando ouvimos as noticias. Em Israel esta semana soaram alarmes, ameaças e avisos sobre a aparente deterioração das relações entre os judeus americanos e Israel. Tudo por que o governo de Bibi decidiu adiar a criação de uma nova entidade para gerenciar o espaço no Muro das Lamentações para os reformistas e conservativos e também sobre a lei de conversões.

As manchetes e opiniões distorceram de tal modo decisão - em vez de explica-la- que acabaram atacando diretamente a união do povo judeu.

À primeira vista, nos deram a entender que o governo eliminou de vez o espaço para os reformistas no Muro das Lamentações e mudou para pior o status das conversões não ortodoxas em Israel. Ambos são mentira.

A decisão não altera de modo algum o direito dos reformistas e conservativos de continuarem a rezar e a conduzirem seus serviços religiosos no Arco de Robinson, que é parte do Muro das Lamentações e o lugar que lhes foi designado há anos. Em 2016, o governo tinha concordado em conectar o Arco de Robinson com o complexo do Muro das Lamentações e transferir seu gerenciamento do rabinato ortodoxo para uma nova entidade que incluiria representantes reformistas e conservativos. Foi esta decisão que foi revertida.

Membros destes grupos têm o direito de estarem frustrados. O governo renegou em seu acordo e isto não é justo. Mas por outro lado, isto não justifica a retorica abusiva de membros da mídia e de alguns poucos líderes americanos que ameaçaram retirar seu apoio a Israel.

Sobre a conversão, foi o mesmo. Há 20 anos, a comissão Neeman decidiu que pessoas convertidas com os reformistas e conservativos poderiam fazer alyah usando a lei do retorno, mas não poderiam ser registrados como judeus pelo rabinato ortodoxo para efeitos de casamentos, divorcio ou enterros. Isto também não mudou. Os mais afetados por esta decisão são os 500 mil israelenses da ex-União Soviética que fizeram alyah porque tinham pelo menos um avô judeu, mas não são judeus pela halachah porque suas mães não são judias.

A coalisão de partidos que mantém Bibi no poder é muito tênue e os partidos religiosos sabem disto. Eles ameaçaram deixar a coalisão causando a queda do governo se ele cumprisse estas promessas. Bibi não teve alternativa. Ele tomou uma decisão política para se manter como primeiro-ministro e a vasta maioria dos lideres judaicos americanos entende isto.

Mas ao caracterizar a decisão do governo como uma rejeição do movimento reformista e conservativo, a mídia está tirando o foco da razão real para lutar por esta lei. A razão principal é a tremenda assimilação dos judeus na América. O casamento entre judeus e não judeus está acima de 70%. Filhos destas uniões poderão querer fazer alyah algum dia e muitos se consideram judeus. Os reformistas têm que lutar para que eles sejam aceitos de modo pleno, e não aceitar uma divisão desnecessária, e cortar seus laços com Israel se as leis não passarem agora.

O problema real é que enquanto todo o mundo fala da unidade entre os judeus, ninguém envolvido na conversa parece impelido a chegar neste objetivo. Não se chega à unidade através de recriminações. A união de Israel é alcançada pelo amor e respeito a todos, independente de suas origens, de suas tradições, e de quanto seguem a religião. Afinal, éramos 12 tribos, cada uma com sua bandeira. Sem isso, não teremos nenhum acordo bom ou duradouro.  Precisamos de calma, diálogo e muita ahavat Israel. E também paciência para esperar o momento político certo para alcançar estes objetivos.


Sunday, June 25, 2017

A Estratégia Americana na Síria, o Irã e a Coreia do Norte - 25/06/2017

No domingo passado, a força aérea americana abateu um jato sírio no norte do país envolvendo os Estados Unidos na guerra civil que assola a Síria há mais de seis anos. Agora, o impasse não é mais entre milícias locais, nem entre as forças regionais, mas entre os Estados Unidos em direta oposição à Rússia e ao Irã.

Os Estados Unidos querem separar os dois conflitos atuais na Síria: um contra o Estado Islâmico no leste e o outro, a guerra civil entre Assad e os rebeldes no oeste. Trump não nega sua interferência no primeiro, mas quer ficar fora do segundo. Assim, os rebeldes e curdos apoiados pela América estão proibidos de atacar as forças de Bashar al-Assad.

Enquanto a vitória sobre o Estado Islâmico parece inevitável, Assad – ou mais precisamente, o Irã e a Rússia – estão determinados a vencer os rebeldes. Isso coloca os Estados Unidos frente a duas escolhas: ou deixar seus aliados serem derrotados pelo regime, o Irã e a Rússia, ou ajudar a defendê-los. Uma decisão que Trump terá tomar o quanto antes.

Que seja uma Síria fragmentada, com Assad no oeste e os rebeldes no leste; ou a destruição do regime de Assad e a implantação de zonas seguras; ou a sobrevivência do regime de Assad e a volta de toda a Síria para suas mãos, qualquer destas escolhas é difícil e tem um custo. Mas o preço mais alto será pago se a América não definir uma estratégia e logo. A falta desta estratégia já permitiu às forças iranianas chegarem à fronteira entre o Iraque e a Síria e a cortarem o progresso dos rebeldes apoiados pelos Estados Unidos.

Porque isto é importante para Israel? Se os Estados Unidos e seus aliados forem derrotados no leste da Síria, o resultado será o estabelecimento de um corredor contíguo para o Irã passando pelo Iraque e a Síria até o Mediterrâneo. Pela primeira vez, os aiatolás estarão fisicamente às portas da Europa e na fronteira com Israel. Isto irá profundamente transformar a ameaça iraniana ao Estado Judeu.

Isso não tem a ver somente com a transferência de armamentos aos jihadistas e à Hezbollah no sul do Líbano. Para entender o perigo que representa tal corredor é preciso analisar o estilo de guerra que o Irã tem conduzido na última década na Síria e no Iraque. Sem ter declarado qualquer guerra, milícias iranianas entraram no Iraque e na Síria e têm comandado ataques, transferido armamento, tudo para proteger seus aliados e seus interesses. Com a desculpa de lutar contra o Estado Islâmico, o Irã, hoje constitui a maior força de poder nestes dois países.

Israel tem que assumir que numa futura guerra com a Hezbollah, ela não estará imune a este modelo. O líder da Hezbollah, Hassan Nasrallah, declarou nesta sexta-feira que o próximo confronto com Israel atrairá milhares de combatentes do Irã, do Iraque, da Síria e do Iêmen.

O fato dos governos tanto do Iraque como da Síria estarem em desalinho, é uma grande vantagem para o Irã. A criação de um corredor contíguo até o Líbano dará uma vantagem enorme aos aiatolás numa guerra com Israel e mísseis iranianos posicionados no Mediterrâneo servirão para dissuadir qualquer país europeu e mesmo a América de se envolver.

E aí temos a Coreia do Norte. Apesar de todas as sanções e condenações pelo tratamento de Otto Warmbier, Pyongyang está aumentando seus testes nucleares. Ontem mesmo testaram o motor de um míssil balístico intercontinental que poderá atingir os Estados Unidos. Este impulso irracional de Kim Jon-un pode ter Teerã por trás já que o programa nuclear norte-coreano é feito em conjunção com o Irã. É sabido que assim que a Coreia do Norte alcançar a tecnologia de mísseis balísticos intercontinentais, o Irã terá posse dela.

Por isso é imperativo que Israel impeça o Irã de estabelecer este corredor e para isso precisa convencer a administração americana desta necessidade.

E falando da Coreia do Norte, tristemente, o estudante judeu americano Otto Warmbier morreu menos de uma semana após ter retornado aos Estados Unidos em estado vegetativo. A história dele nos seguiu a semana inteira. A última imagem que temos deste garoto vivo é frente ao tribunal fantoche, chorando e implorando de modo humilhante, por sua vida arruinada por acusações que ele não pode desmentir. Otto só encontrou injustiça na Coreia do Norte. Um julgamento fraudado, uma confissão forçada, uma sentença de 15 anos de trabalhos forçados, tortura e morte. Ele só tinha 22 anos.

E estes animais ainda têm a cara-de-pau de dizer que o retornaram por “razões humanitárias”. Que humanidade existe no regime da Coreia do Norte?? Eles eram responsáveis pelo bem-estar deste jovem, culpado ou não, dentro de seu sistema carcerário. E qual foi o crime de Otto? Ele fora acusado de tentar remover um pôster do governo e leva-lo como lembrança. Este governo beócio afirmou que este ato minou a própria fundação do Estado!! Se for assim, a fundação do estado norte-coreano não resta sobre muita coisa fora da insanidade de seu líder.

Otto negou ter cometido este suposto “crime contra o Estado” e a prova do governo foi um filme obscuro mostrando alguém não identificável, que tentou, mas não conseguiu remover o pôster.

Otto não é a primeira nem será a última pessoa a receber uma punição extrema por um crime que não cometeu ou por uma infração menor. E o regime da Coreia do Norte não é o único a impor estes tipos de punições em nossos dias. Na Tailândia há punições por insulto ao monarca, na Arábia Saudita sentenças de chibatadas até decapitações são comuns por “crimes” como feitiçaria. No Paquistão, jovens são apedrejadas ou mortas por suas famílias por quererem ir para a escola.

Qualquer um de nós poderia ser Otto Warmbier. Não conheço ninguém que não tenha cometido alguma infração na juventude comparável à que Otto foi acusado. A diferença é que vivemos em países civilizados nos quais tais transgressões resultam em advertências, não em pena de morte! Mas há milhares de Ottos no mundo, que vivem em regimes totalitários como o Irã, aonde mulheres são presas por assistirem a um jogo de vôlei ou por cantar num vídeo do Youtube. E o mundo se cala e ainda premia estes governos com, por exemplo, a presidência da UNESCO. Sim senhores, o delegado iraniano Ahmad Jalali será o presidente da organização e o responsável por implementar suas resoluções como as que negam o elo dos judeus com o Monte do Templo e Jerusalem.

Precisamos quebrar este silêncio que está permitindo tudo a estes déspotas. Se cada um de nós imaginasse ser Otto Warmbier, com os direitos de vida mais básicos negados, lutaríamos com unhas e dentes contra estes regimes. Mas inexplicavelmente continuamos em silêncio apesar de estarmos livres para poder opinar e exigir mudanças.  Vamos pedir para o Brasil cortar relações com a Coreia do Norte. Vamos denunciar o Irã e exigir que somente países com direitos humanos possam liderar organizações internacionais. Vamos lutar para que ninguém mais sofra esta sorte ou amanhã você também pode ser Otto Warmbier.