Tuesday, November 21, 2017

A Arabia Saudita e Israel - A Aproximação de Inimigos - 19/11/2017

Há exatamente 40 anos, no dia 19 de novembro de 1977, o então presidente do Egito, Anwar Sadat, voou do Cairo para Israel e fez um dos discursos mais impactantes da história da Knesset, o parlamento israelense. A visita tinha sido organizada rapidamente na semana anterior e foi o ponto de partida para o primeiro tratado de paz entre Israel e um estado Árabe.

A estrondosa recepção de Sadat seguida da assinatura do tratado de paz na Casa Branca criou uma onda de protestos através do mundo islâmico, tornando-se um espinho no pé da Liga Árabe. Apenas 10 anos antes, seus membros haviam aprovado a resolução de Khartum que ficou conhecida como a dos três nãos: não à paz com Israel, não a negociações com Israel e não ao reconhecimento de Israel.

Passaram-se outros 17 anos para que a Jordânia assinasse o seu tratado de paz e ela só o fez depois de Israel e os palestinos terem assinado os Acordos de Oslo. Acordos que até hoje não se converteram em qualquer paz.

Desde 1994 governos árabes e muçulmanos adotaram uma agenda de radicalização islâmica que muito contribuiu em promover o antissemitismo e anti-israelismo entre suas populações. Hoje, este ânimo contra Israel e judeus está arraigado na cultura destes países. Uma política que na conjuntura atual lhes é contraproducente, e dificílima de reverter de uma hora para outra.

Mas isto não quer dizer que não estão tentando. E não mais de um modo sutil e secreto. A última evidência veio esta semana de uma fonte surpreendente: uma entrevista num jornal oficial saudita. O entrevistado não foi outro que o Chefe das Forças Armadas de Israel, General Gadi Eisenkot.

Se recentemente sentíamos novos ventos soprando na região, isto foi uma tempestade de areia! É a primeira vez que um oficial israelense dá uma entrevista para a mídia saudita. Mas o que mais impressionou foi a conclusão da entrevista: que a Arábia Saudita e o Irã estão cada vez mais próximos de um conflito armado e que há uma convergência de interesses que levaram os sauditas a abrirem suas portas para Israel.

O General Eisenkot disse que “Israel está pronta a dividir inteligência com os sauditas, se necessário, e que hoje não há como negar os interesses mútuos”. E que “o Irã quer controlar o Oriente Médio criando um corredor xiita que se estende de Teerã ao Líbano e do Golfo pérsico ao Mar Vermelho e é imperioso impedir que isto aconteça”.

A abertura dos sauditas é tão extraordinária que rumores têm se espalhado na mídia árabe sobre uma visita secreta que o príncipe herdeiro do trono saudita Mohamed Bin Salman teria feito a Israel em setembro.

Neste contexto, a entrevista publica de Eisenkot a um jornal oficial, é uma admissão aberta da aliança dos antigos inimigos.

O príncipe herdeiro saudita, apesar de muito jovem, sabe muito bem como navegar na política de seu país. Para eliminar qualquer oposição, ele está fazendo uma limpeza na família real, tendo mandado prender vários membros fabulosamente ricos, acusando-os de corrupção. Mas o príncipe também está indo contra os clérigos da velha guarda, os defensores do wahabismo, da irmandade muçulmana e outros movimentos islâmicos radicais, algo que ninguém teve a coragem de fazer no passado. Ao mesmo tempo, ele tem promovido clérigos que pregam a abertura, a tolerância, especialmente com o cristianismo e judaísmo, e tem avançado o direito das mulheres que finalmente terão o direito de dirigir automóveis, de votarem e serem votadas e de participarem de eventos nacionais. Uma prova que ele quer fazer seu reinado se aproximar do ocidente.

Mas ainda melhor que a entrevista de Eisenkot, foi o fato de a Arábia Saudita ter intimado Mahmud Abbas na semana passada para uma reunião no reinado. No encontro, os sauditas teriam exigido que o líder palestino aceite o plano de paz com Israel que será proposto pelo presidente Trump ou então que renuncie. Um plano que, de acordo com o Canal 10 da tevê israelense, não contempla a retirada de assentamentos judeus da Judeia ou Samaria, não lida com Jerusalem ou com o direito de retorno de palestinos para Israel própria. Em troca, os Estados Unidos reconheceriam a Palestina como Estado e dariam um pacote de ajuda financeira.

Parece que a avenida que os palestinos tomaram para ir empurrando com a barriga as negociações com Israel chegou ao fim. Mas como sua liderança nunca perde a oportunidade de perder uma oportunidade, Abbas pediu na semana passada que a Corte Internacional de Justiça processasse israelenses por supostos crimes contra os palestinos.

No dia seguinte a administração Trump devolveu a bofetada. Invocando uma provisão obscura da lei americana, o secretário de estado Rex Tillerson declarou que se os palestinos não entrassem em negociações diretas e substantivas com Israel em 90 dias, iria ordenar o fechamento da missão da OLP em Washington.

O porta-voz da Autoridade Palestina, Saeb Erekat, disse que se os Estados Unidos fechassem a missão, eles não mais retornariam à mesa de negociações. Quer dizer, vão continuar na mesma.

Por seu lado, para colocar panos quentes, o ministro das relações exteriores palestino, Riad al-Maliki, declarou que a Arábia Saudita havia garantido que não normalizaria as relações com Israel antes de ela chegar a uma solução de paz com os palestinos.  

A declaração de Maliki pode também ter sido uma resposta à um artigo circulado no jornal da Hezbollah Al-Akhbar sobre um documento secreto, alegadamente escrito pelo ministro do exterior saudita sobre um plano de paz regional que isolaria o Irã.

Recentemente, várias figuras importantes do aparato palestino foram pegas se aproximando do Irã. Entre elas, o vice chefe político do Hamas, Saleh Al-Arouri que visitou Teerã no mês passado, escandalizando os sauditas. Isto não seria importante se a Autoridade Palestina não tivesse assinado um acordo de reconciliação com o Hamas. Os sauditas querem ver o Hamas desarmado e dissolvido e tem apoiado Abbas para tanto. E junto com a Arábia Saudita, estão os outros países do Golfo Árabe que fornecem ajuda econômica vital a Abbas.  

Toda esta virada geopolítica está muito interessante. Israel tem que aproveitar a aproximação saudita e a claridade da administração Trump e alavancar sua posição ao negociar com Abbas, se o líder palestino se dobrar às ameaças e finalmente sentar na mesa de negociações. Mas ele é um osso duro de roer.

Ele não cumpriu nenhuma promessa feita ao seu povo, especialmente o de conseguir o direito de retorno de refugiados para dentro de Israel própria. Mas nem mesmo uma melhora no padrão econômico dos palestinos, apesar de todos os bilhões de dólares que ele já recebeu.

Israel sabe que chegou o momento de conseguir um acordo favorável com os palestinos. Com os sauditas, as crescentes aberturas a Israel seriam ótimas noticias, não fosse o Irã estar à espreita. Elas podem ser na verdade, um sinal agourento de que uma guerra com os aiatolás está cada vez mais próxima.






Tuesday, November 7, 2017

Novamente Nova Iorque e a Virada no Líbano - 05/11/2017

Mais uma vez Nova Iorque foi alvo de um ataque sem qualquer sentido, perpetrado por um cretino vindo do Uzbequistão, que ganhou a residência na América através do programa de loteria de green cards.
Este programa, criado pelos democratas, visa a abrir a imigração americana para países que têm pouca representação no país. Todo o ano mais de um milhão de pessoas disputam os 50 mil vistos de residência. Agora o Presidente Trump mandou cancelar este programa e criar um outro, baseado não em loteria, mas em mérito, para pessoas que possam agregar à sociedade americana e não se tornarem um peso ou pior, terroristas.
Ao se mudar para a Florida, este energúmeno do Uzbequistão trouxe 23 pessoas de sua família imediata. Fantástico, não? Quer dizer, ele se inscreve para uma loteria dificílima de ganhar, porque supostamente quer uma vida melhor para sua família. É escolhido! Muda-se com um batalhão de gente e aí decide que quer tornar a América no buraco de onde ele saiu. Sim, porque o objetivo destes “soldados” de Alá é o de impor ao mundo a lei islâmica, a shaaria, o avançado e moderno sistema aonde homossexuais são jogados de prédios, mulheres estupradas são apedrejadas, roubo é punido com amputações e outros crimes como a conversão a outra religião, levam à decapitação. E para nos convencer a adotar este modelo maravilhoso, eles têm que atacar o maior defensor das liberdades individuais do globo. Este imbecil ainda teve a cara de pau de exigir que pendurassem uma bandeira do Estado Islâmico em seu quarto de hospital!
O problema é que agora é tarde demais. Através deste e de outros programas para refugiados, os Estados Unidos abriram as portas a estes derrotados que precisam acertar somente uma vez para causarem morte e destruição enquanto que as autoridades policiais têm que acertar todas as vezes para evitar estes ataques.  Os irmãos Tsarnaev também vieram para os Estados Unidos como “refugiados” do Quirguistão. Assim que se estabeleceram, voltaram para sua terra natal. Que refugiados são estes?
Os pais de Omar Mateen, o perpetrador do massacre no bar gay em Orlando no ano passado, vieram como refugiados do Afeganistão; e o ataque em San Bernardino um ano antes foi cometido por Rizwan Farook e sua mulher do Paquistão. E não podemos esquecer o egípcio Hesham Mohamed Hadayet que atacou o balcão da El Al em Los Angeles em 2002 e que também veio para a América através da loteria.  São dezenas de vidas de americanos e turistas inocentes que poderiam ter sido poupadas não fosse o politicamente correto descontrolado que assola os Estados Unidos.
Mas agora com Trump, esta política vai mudar e infelizmente, pessoas de países neutros como o Brasil, encontrarão dificuldades muito maiores para conseguirem vistos para os Estados Unidos.
No Oriente Médio, as coisas tomaram um rumo muito preocupante esta semana. O primeiro ministro do Líbano, Saad Hariri, resignou de seu posto ontem, durante uma viajem à Arábia Saudita, menos de um ano após aceitar a nomeação. Num discurso televisado da capital Riad, Hariri disse ter medo por sua vida e que o Líbano passava pelo mesmo clima que em 2005 custou a vida de seu pai Rafik Hariri, assassinado supostamente pela Hezbollah.
Hariri não mediu as palavras para atacar Teerã. Ele disse que o “mal que o Irã promove na região afeta o destino de vários países espalhando caos, discórdia e destruição por onde vai”.
Agora o presidente Michel Aoun, que é cristão, tem que aceitar a resignação de Hariri. Isto irá afetar substancialmente a influência do Irã no Líbano. Neste pequeno país, que faz fronteira com o norte de Israel, o governo é partilhado entre as maiores facções religiosas. O presidente é cristão, o primeiro ministro muçulmano sunita e o porta-voz do governo, muçulmano xiita. Mas quem manda mesmo no país é a Hezbollah e o Irã. A resignação de Hariri tira a legitimidade e o equilíbrio deste arranjo e ameaça o Irã. Isso facilmente poderá levar o Líbano a uma nova guerra civil. Hariri disse que “a política imposta pela Hezbollah colocou o Líbano no olho da tempestade, através de suas armas apontadas para o peito dos sírios e libaneses”. Será muito difícil para Aoun conseguir outro primeiro-ministro sunita que substitua Hariri nestas condições.

O Irã reagiu duramente dizendo que a resignação era um complô da Arábia Saudita e dos Estados Unidos, mostrando seu medo de perder o controle sobre o Líbano.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu por seu lado, disse que “a resignação de Hariri deve ser um despertador para a comunidade internacional para a ameaça das ambições regionais do Irã que põem em perigo não só Israel, mas todo o Oriente Médio”.

Netanyahu disse que o Irã está devorando um país atrás do outro. O Iraque, a Síria, o Líbano e o Iêmen. E isso é verdade. Ontem, logo após o anuncio de Hariri, um míssil iraniano foi lançado do Iêmen em direção ao aeroporto internacional de Riad. O míssil foi interceptado, mas ficou claro  que o objetivo do Irã é cercar a Arábia Saudita para depois estrangulá-la. Isto é uma escalação de violência que pode incendiar toda a região sem contar com os tiros e mísseis da Síria que diariamente derramam para dentro de Israel.

Por outro lado, Netanyahu disse que a boa noticia é que os países sunitas começaram a estender a mão para Israel e “isso é algo que ele nunca esperava ver acontecer”. Que “hoje Israel estava trabalhando duro para estabelecer uma aliança efetiva com os estados sunitas e combater a agressão Iraniana”.

O Irã se posicionou na Síria para sujeita-la econômica e militarmente, como o fez com o Líbano. E apesar de Netanyahu ter prometido que não deixará o Irã dominar a Síria, isto será muito difícil evitar enquanto Bashar Al-Assad, que é xiita, continuar como presidente da Síria.

Enfim, as coisas estão rapidamente tomando um rumo incerto no Oriente Médio. O míssil enviado para Riad ontem à noite pelo Irã pode ter sido um aviso aos sunitas que eles não estão brincando. Mas pode ter sido também um aviso para Donald Trump, que está visitando a Ásia, e pretende ir para a Coreia do Sul. Um aviso para os Estados Unidos não mexerem com seu aliado a Coreia do Norte, que Teerã usa para avançar seu programa nuclear.

Estamos vivendo um impasse com estes estados tiranos. Não é o mesmo que a Guerra Fria, pois a União Soviética tinha receio de uma resposta a altura dos americanos. Estes governos do Irã e Coreia do Norte, ao contrario, estão convidando tal ataque. Como dizemos, se fugir o bicho pega, se ficar o bicho come.

Este impasse foi criado por administrações americanas anteriores que permitiram estes ditadores adquirirem armas nucleares e ameaçarem o mundo livre. Mas se não fizermos algo agora, depois estaremos verdadeiramente à mercê dos que almejam destruir tudo o que a civilização ocidental alcançou neste último milênio. 

Não há mais tempo para deixar para depois. Não é uma questão de quando, mas de como nos defendemos. É nisso que temos que nos focar daqui para frente. 

Sunday, October 29, 2017

A Vergonhosa Mistura de Esporte e Política - 29/10/2017

Hoje vamos começar com um escândalo no mundo dos esportes que foi simplesmente ignorado pela mídia mundial.

Na semana passada ocorreu o Campeonato Mundial de Judô em Abu Dhabi, com a participação de 47 países. Abu Dhabi é um dos sete Emirados Árabes, que está agressivamente gastando bilhões de dólares para trazer seu país para dentro da comunidade internacional e se tornar um destino atraente para turistas e eventos internacionais. E isso seria uma coisa boa, se seu objetivo não fosse somente o prestígio e o reconhecimento cosmético. Os Emirados se recusam a fazer qualquer modernização social que realmente os trariam ao seio das nações.

Chibatadas, apedrejamentos, amputações e penas de morte por apostasia e homossexualidade são parte do dia a dia nos Emirados. Organizações de direitos humanos denunciaram desaparecimentos e tortura em prisões secretas. Eu mesma, ao visitar uma família relacionada com o emir de Dubai vi a presença de escravas na casa. Não em correntes, mas sentadas no chão, em volta da cadeira da senhora da casa.

Apesar de tudo isso, e o fato de não serem signatários da maioria dos tratados internacionais de Direitos Humanos, os Emirados foram eleitos como membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU. O mesmo que tem a agenda numero 7 que obriga a discussão e inevitável condenação de Israel a cada sessão, por alegadas violações de direitos humanos contra os palestinos.

E os Emirados tomaram seu papel seriamente votando em condenar Israel a cada sessão e submetendo resoluções contra o estado judeu acusando-o de apartheid.

Bem, voltando ao campeonato mundial de judô na semana passada, os Emirados não tiveram como impedir a participação de Israel, mas conseguiram ostracizar e humilhar seus atletas ao silêncio do mundo e da Federação Internacional de Judô.

Primeiro o time israelense foi avisado que só poderia entrar em Abu Dhabi vindos da Jordânia. Isto depois de terem avisado que viriam pela Turquia. Depois, ao chegar em Abu Dhabi, foram proibidos de usar qualquer insígnia que mostrasse seu país, usando, em vez disso, o símbolo da Federação Internacional de Judô. Mas como todo o mundo sabia o país que eles representavam, atletas muçulmanos se recusaram a apertar as mãos dos israelenses sem qualquer repercussão. O vídeo do representante dos próprios Emirados, Rashad Almashjari virando as costas a Tohar Butbul depois de perder para ele, está disponível na internet. E para finalizar, quando Tal Flicker ganhou a medalha de ouro na categoria meio-leve, a bandeira de Israel não foi hasteada e em vez disso, ele teve que cantar a Hatikva sozinho, em voz baixa, em cima da cacofonia do hino da Federação.

Quando Gili Cohen ganhou a medalha de bronze na categoria meio-leve para mulheres, o mesmo ocorreu. Ela recebeu a medalha, mas nenhum aperto de mão ou qualquer outro reconhecimento.

Dias antes da competição, depois de receber um protesto do Congresso Mundial Judaico, a Federação Internacional de Judô teria exigido aos Emirados que tratasse a delegação israelense com completa igualdade a outros atletas, sem qualquer exceção. Mas hipocritamente o próprio site da Federação Internacional de Judô omite Israel entre os países competidores. Inexplicavelmente ela inclui os atletas israelenses baixo a seu símbolo, listando a Federação como um “país”.

Depois do encerramento, e com a publicação do comportamento indecoroso dos atletas e da organização, o presidente da Federação de Judô dos Emirados se desculpou e entre os dentes congratulou o time de Israel. Ah, então, está tudo bem, não é?? Tudo esquecido. Que ótimo! Até a próxima vez.

Um verdadeiro absurdo, passado em branco. O que se poderia fazer? Primeiro, países poderiam se recusar a participar, boicotando o evento. Se isto não fosse possível, por mexer com o calendário das competições qualificadoras, os países que quisessem protestar esta discriminação, deveriam tomar a medida dinamarquesa e exigir usar também o símbolo da Federação. Isto seria um tapa na cara dos Emirados mostrando que este tipo de atitude não é aceita pelo mundo civilizado, em especial nos esportes, tirando-lhes a legitimidade de hospedar uma competição verdadeiramente internacional. Não haveria mais países, somente representantes da Federação e eles. Seus atletas não saberiam quais eram os israelenses e seriam obrigados a apertar a mão de todos.

Isto poderia ter sido a posição do Brasil, que teve a segunda maior delegação na competição depois da Rússia. Mas infelizmente isto parece estar longe das considerações da Federação Brasileira de Judô. A única coisa seria uma repercussão maior da mídia e um protesto do público que poderia ser feito através das mídias sociais para isso não acontecer outra vez.  Fica aqui meu protesto. As imagens dos atletas israelenses serão publicadas no meu comentário na Hora Israelita, no meu blog, facebook e Twitter que vocês podem seguir.

Aqui nos Estados Unidos, a insanidade continua e me arrependo de não ter estudado psiquiatria. Estaria fazendo uma fortuna. A ultima onda que a esquerda está tentando organizar é um encontro no próximo dia 8 de Novembro, no primeiro aniversário da eleição de Trump, aonde as pessoas poderão gritar impotentemente aos céus.

Não é só gritar aos céus, mas gritar impotentemente aos céus. Estou tentando entender o que é isso?? Será que é para não confundir com o movimento de chorar no travesseiro depois de comer uma lata de sorvete? O que é isso? Até agora nove cidades irão participar neste besteirol coletivo.

E que culpa tem o céu se a Hillary perdeu?? Depois dela culpar dezenas de pessoas por perder a eleição, incluindo Barack Obama, John Biden, Bernie Sanders, o New York Times, sexismo, os americanos ignorantes, Vladimir Putin e outros, o que fez o céu para merecer isto?

Seus simpatizantes não deveriam estar gritando contra ela, que fez uma campanha miserável??  

É, Trump não é um presidente classudo. Ele não gosta da politicagem e restrições que ele acha descabidas. Por isso, esta semana ele decidiu abrir todos os arquivos sobre o assassinato do presidente Kennedy indo contra as agencias de segurança, porque acha que o interesse público as sobrepuja depois de 54 anos.

Por outro lado, dá para entender que os inconformados queiram gritar. O Estado Islâmico está derrotado, o desemprego caindo vertiginosamente, a revogação de incontáveis regulamentos, a redução de impostos, a bolsa batendo recordes, o crescimento da economia. Enfim, tudo o que a esquerda não queria que acontecesse ainda mais em menos de um ano.

Em outras palavras, está provado que é melhor ter um presidente mal educado e bem sucedido do que um carismático fracassado.


Fica aí meu recado.

Sunday, October 15, 2017

Trump, a Unesco e o Irã - 15/10/2017

Ventos novos continuam soprando no mundo, impulsionados por Donald Trump. Nesta semana, sua bombástica decisão de retirar os Estados Unidos da UNESCO, catapultou a candidatura da ex-ministra da Cultura da França, Audrey Azoulay para a direção da organização. Nos últimos anos a Unesco - braço da ONU responsável pela Educação, Cultura e Ciência - se tornou em um antro dominado por países antissemitas, que pouco têm em cultura, ciência ou educação. Sua agenda se foca quase exclusivamente em condenar Israel e em implementar uma revisão histórica que nega o elo entre os judeus e cristãos com a cidade de Jerusalem e a Terra de Israel como um todo.

A nova diretora-geral da UNESCO venceu a eleição contra o representante de não outro que Qatar. O candidato, Hamad Bin Abdulaziz al-Kawari é um reconhecido antissemita que consistentemente promove esforços contra Israel inclusive questionando princípios fundamentais da fé Judaica. De acordo com a Conferencia de Presidentes das Organizações Judaicas da América, al-Kawari tem um histórico de endossar, encorajar, patrocinar e apoiar Projetos e programas com conteúdo flagrantemente antissemita.  

O interessante nesta votação é que Kawari estava em primeiro lugar, mas no segundo round da votação, que foi secreto, alguns países árabes mudaram seu voto. A especulação é que os Emirados Árabes, o Egito e a Arábia Saudita tenham votado em Azoulay. Interessante também o fato de Audrey Azoulay ser judia.

Audrey declarou que sua primeira ação será propor reformas para devolver os princípios e objetivos originais da organização para a qual ela foi criada e no processo convencer os Estados Unidos e Israel a ficarem na Unesco. E isso parece ser algo muito bom. Vamos ver se ela consegue triunfar sobre os burocratas antissemitas de carreira que trabalham lá. Quem sabe teremos uma guinada de 180 graus na agenda da organização?

Nesta semana Trump também decidiu retirar a certificação do acordo nuclear com o Irã. Isto não quer dizer que os Estados Unidos estão se retirando do acordo. É um procedimento interno pelo qual o Congresso agora tem 60 dias para apreciar se é do interesse nacional da América continuar no acordo ou reimpor sanções contra o Irã.

A resposta dos aiatolás foi histérica. Apesar de já terem recebido bilhões de dólares em cash que Obama enviou num avião especial para Teherã e terem firmado acordos econômicos com vários países europeus, os iranianos sabem ser muito difícil conduzir transações internacionais em moedas que não sejam o dólar americano. E qualquer sanção irá obrigatoriamente afetar este meio. Mas realisticamente, as sanções não terão o mesmo efeito que tiveram no passado, quando a Europa e a Ásia estavam no mesmo barco. 

Trump não quer simplesmente punir o Irã pela falta de democracia, por impor castigos islamicos bárbaros ao seu povo e tentar expandir sua zona de influência na região. Trump quer evitar que um regime destes adquira a bomba nuclear e a capacidade de entrega por meio de mísseis balísticos intercontinentais com os quais poderá ameaçar não só Israel, mas a Europa e os Estados Unidos.

Hoje temos um Oriente Médio totalmente diferente de há 10 anos. Com o exército sírio severamente incapacitado e a paz com o Egito e Jordânia ainda de pé, Israel não tem uma ameaça convencional contra sua segurança. Hoje, felizmente, o perigo de uma invasão de território ficou bem reduzida para Israel.

Mas isto não quer dizer que está tudo esteja bem. Longe disso. A Hezbollah tem 130 mil foguetes e mísseis com um poder de devastação sem precedentes e capazes de atingir qualquer lugar em Israel. O Hamas, no sul, tem 30 mil mísseis e alguém na Faixa de Gaza passa seus dias a planejar mega ataques contra Israel. Mas até agora não dá para imaginar a Hezbollah ou o Hamas invadindo e conquistando Israel.

Hoje o problema é o Irã. O acordo nuclear foi um péssimo passo tomado por Barack Obama, pois isenta as instalações militares de inspeções e em oito anos, o Irã estará liberado para adquirir uma bomba nuclear. Neste meio tempo, o regime e a Guarda Revolucionária junto com a Coreia do Norte, continuam livres para aperfeiçoar os misseis balísticos intercontinentais porque simplesmente o acordo não os menciona.

E é por isso que o exército de Israel apoia colocar mais pressão no Irã.

Alguns dizem que o presidente Trump está simplesmente tentando cumprir uma promessa de campanha, de anular o que ele chama do “pior acordo jamais assinado”, uma verdadeira “vergonha”. Sua decisão esta semana prova a seus eleitores que ele quer cumprir suas promessas e só não o faz quando o Congresso não deixa.

Para Israel, no entanto, isto é muito importante. Com a presença iraniana cada vez maior na Síria e o fornecimento constante de mísseis avançados para a Hezbollah, Israel quer ver mais ações do mundo para amarrar a capacidade armamentista e logística do Irã. Isto pode ser através de sanções econômicas, mas também designar a Guarda Revolucionária como uma organização terrorista. 

Nesta altura, e tendo em vista que outros países não seguirão os Estados Unidos com relação ao acordo, Israel deve procurar pressionar estes países para revisarem o acordo e remover as cláusulas de terminação em 2025, permitir inspeções em todos os locais, proibir o desenvolvimento e testes de misseis balísticos intercontinentais e cessar por completo o patrocínio a grupos terroristas ao redor do mundo.

Este acordo foi realmente péssimo e uma vergonha para os Estados Unidos e para os outros países que o assinaram. Mas agora Israel tem que trabalhar para torna-lo melhor. Se as condições forem racionais, não há porque não convencer a França, a Inglaterra, a Alemanha, a Rússia, e a China que o acordo precisa ser revisto.

Mas em paralelo, Israel precisa tomar todas as precauções para se preparar para um confronto com o Irã. Um confronto que certamente não será nada como os anteriores.


Sunday, October 8, 2017

A Reconciliação da Fatah e o Hamas - 08/10/2017

Nesta semana muito foi falado e elogios jorrados sobre a “reconciliação” entre o Hamas e a Fatah. Na terça-feira uma comitiva de 400 oficiais saiu de Ramallah para Gaza para os proverbiais abraços e beijos entre os rivais.  A mídia em geral descreveu o reencontro como uma vitória para a Fatah e derrota para o Hamas.

De fato, na superfície, a decisão do Hamas de cumprir as exigências da Fatah parece um reconhecimento que quando se trata de governar, o grupo não tem ideia do que fazer. Depois de 10 anos no leme, tomado jogando membros da Fatah do alto de prédios, o Hamas não tem nada para mostrar além de miséria e guerra. Chamados a fornecer comida, casas, empregos, eletricidade, esgotos, hospitais, segurança para mais de 1 milhão e meio de pessoas, eles decidiram que a prioridade era continuar suas ações contra Israel. Entregaram guerra, destruição e morte.

Em vez de pegar os trabalhadores treinados e toda a infraestrutura deixada pelos judeus expulsos em 2005 para fazer a Faixa de Gaza florescer, o Hamas os usou para produzir armas e mísseis. A consequência para os que elegeram o Hamas foi catastrófica. O desemprego chegou a 42%, combustíveis desapareceram, os esgotos entupiram, eletricidade e água foram racionadas, e a propaganda culpando Israel por tudo só aumentou junto com a vontade de destruir o estado judeu.

No campo diplomático o Hamas também só fez más escolhas. Quando a guerra civil irrompeu na Síria, o grupo apostou contra Bashar Al-Assad que sumariamente os expulsou de Damasco e bloqueou a ajuda financeira do Irã. Hoje os aiatolás voltaram a financiar o Hamas, mas Assad ainda no poder jurou o grupo como seu inimigo eterno. Com o Egito, a escolha não foi melhor. O Hamas alardeou seu apoio à Irmandade Islâmica de Mohamed Morsi - que pouco durou no poder, e contra os militares e o novo presidente al-Sissi. 

Seu grande aliado, a Turquia, mostrou muito menos entusiasmo pela “causa” do Hamas quando Israel encontrou enormes reservas de gás natural. Finalmente, a amizade entre o Hamas e Qatar também veio abaixo quando o Egito e a Arábia Saudita impuseram um boicote no emirado por financiar grupos terroristas nos dois países.

Assim, na superfície, o Hamas depois de 10 anos no poder parece estar econômica, politica e diplomaticamente falido e forçado a esta “reconciliação” com a Fatah. Uma prova que os islamistas não têm qualquer ideia sobre governo e como melhorar a vida de sua população.

Mas como eu disse no começo, as aparências enganam e a verdade está mais além. Apesar de sua derrota humilhante e sua expulsão de Gaza, a Fatah e a Autoridade Palestina continuaram a financiar o Hamas em Gaza. Abbas pagou as contas do Hamas incluindo a eletricidade fornecida por Israel, as contas dos hospitais israelenses que tratam de palestinos de Gaza e até os  salários das forças de segurança que deixaram a Fatah e se uniram ao Hamas. 

Internacionalmente, a Autoridade Palestina defendeu o Hamas em sua constante agressão, buscando e conseguindo condenar Israel por se defender dos ataques. A última vitória da Autoridade Palestina foi conseguir a afiliação na Interpol, a polícia internacional, apesar de seu apoio aberto e financiamento ao terrorismo. Daqui para frente, o Hamas terá acesso a todas as informações e ações da Interpol no mundo e poderá usá-la ou vender a informação pelo preço certo.

Na última década, a Fatah alocou mais da metade das doações europeias e americanas para o Hamas. Defendeu suas ações junto as três ultimas administrações americanas, para a ONU e ONGs europeias. Nenhum tipo de pressão fez qualquer efeito sobre a devoção ilimitada de Abbas em pagar salários aos terroristas do Hamas e suas famílias. Mas de repente em abril, Abbas decidiu suspender os pagamentos.

Novamente, a desculpa foi a pressão americana que aprovou uma lei proibindo dar ajuda econômica para a Autoridade Palestina enquanto ela continuar a pagar salários a terroristas. Mas os próprios palestinos dizem que a pressão americana nada teve a ver com a decisão de Abbas. Teve a ver com a aproximação do Hamas com seu arquirrival, Mohamad Dahlan.

Até a expulsão da Fatah pelo Hamas em 2007, Dahlan era o homem forte de Gaza. Por suas críticas a Abbas ele foi expulso com seus seguidores e se mudou para os Emirados Árabes aonde vive até hoje.

Os Emirados Árabes são aliados da Arábia Saudita e do Egito contra Qatar. Em maio deste ano, eles decidiram tirar Gaza da esfera de influencia de Qatar e engajaram Dahlan para se aproximar do Hamas. Em maio o Hamas cortou seus laços com a Irmandade Muçulmana. Em resposta, o Egito rapidamente apoiou a iniciativa e relaxou o fechamento da fronteira com Gaza.  

Logo o Hamas começou a descrever Dahlan como uma alternativa viável para Abbas e conseguiu o comprometimento dos Emirados Árabes para financiar o Hamas e pagar entre outras, as contas de eletricidade da Faixa de Gaza. Assim, Abbas não mandou seus representantes ao Cairo para negociar a “derrota” do Hamas, mas foi a entrada de Dahlan no cenário que trouxe a derrota de Abbas.                                                                                                                                Por outro lado, o Hamas está reconstruindo seu relacionamento com a Guarda Revolucionária do Irã tendo participado da posse do presidente Hassan Rouhani no mês passado. Um mês antes, o terrorista do Hamas Salah Arouri que vive em Beirute, preparou uma reconciliação entre seu grupo e a Hezbollah e por tabela, o Irã. Em todos os casos, o Hamas saiu vitorioso.

Como comentei anteriormente, o Hamas fez uma concessão: desbandar uma entidade governamental cosmética, formada há alguns meses em resposta ao corte de Abbas. Com isto o Hamas volta a receber o dinheiro da Autoridade Palestina incluindo os salários para os terroristas e suas famílias. Além disso, o Hamas está passando a responsabilidade pela eletricidade, coleta de lixo, esgotos, água e serviços públicos para a Fatah.

Com isso o Hamas estará livre para se concentrar na próxima guerra contra Israel. Pode escavar túneis, produzir mísseis, expandir seus laços com a Hezbollah, a guarda revolucionaria do Irã e a Fatah.

De fato, o novo primeiro ministro de Gaza, Yahya Sinwar declarou no Irã que o Hamas está “aumentando sua capacidade militar para libertar a Palestina.” Ele disse ainda que “cada dia produzimos mísseis e continuamos nosso treinamento militar dia e noite.”

De acordo com a comentarista Caroline Glick, esta reconciliação entre o Hamas e a Fatah nos ensina duas coisas: primeiro, a noção que Abbas quer derrotar o Hamas é uma idiotice. Por 10 anos a Fatah foi humilhada e expulsa de Gaza mas continuou a patrocinar e defender o Hamas. Para este fim, Abbas continuará a financiar as próximas 10 guerras contra Israel, se ele viver para tanto e com dinheiro Americano e europeu.

A segunda lição é que precisamos abaixar nosso entusiasmo sobre o apoio de Sissi a Israel. A decisão do presidente do Egito de mediar esta reaproximação entre a Fatah e o Hamas prova que sua aliança com o Estado Judeu é estratégica e limitada. E que sua decisão de ficar do lado de Israel e contra o Hamas na guerra três anos atrás pode não se repetir no próximo conflito.

Tudo deverá gerar em torno do que acontecerá entre o Irã e os Estados Unidos nos próximos meses.




Sunday, October 1, 2017

A Era dos Movimentos Nacionalistas - 01/10/2017

Hoje a polícia de Madrid, posicionada perto de Barcelona, caiu sobre a população da Catalunha não para protegê-los de alguma ameaça, mas impedi-los de simplesmente votar. As imagens que vimos pela manhã foram verdadeiramente vergonhosas. A polícia quebrando portas de escolas e ginásios, confiscando urnas e material eleitoral, fazendo cordões de força impedindo as pessoas de votar.

Até o século 12 a Catalunha era uma região separada, com uma população distinta, e uma língua muito diferente do espanhol e de fato, mais próxima do francês. No século 12 o Conde de Barcelona se casou com a filha do rei de Aragão e formaram uma confederação que atravessava os Pireneus e chegava até Marselha na França. No século 15 os reis católicos Ferdinando e Isabella uniram à força todas as regiões da Espanha, mas no século 19 a Catalunha foi anexada ao Império francês por Napoleão. Em 1932 os catalães finalmente conseguiram sua autonomia política somente para perdê-la sete anos mais tarde com a ocupação do ditador Francisco Franco.

A Catalunha não está só. Desde o século 19 praticamente todas as regiões da Espanha têm buscado alguma forma de independência. Hoje há movimentos nacionalistas nas regiões de Castela, Aragão, Murcia, Astúrias, Andaluzia, Galícia, Leão, Valencia e é claro, o país Basco que atormentou Madrid por décadas com o grupo terrorista ETA.

Madrid diz que não tem outra escolha a não ser confiscar as urnas já que este referendo de independência é, de acordo com o governo central, inconstitucional. Mas as imagens feias da violência policial reflete a quebra na fibra social espanhola e escancara o total fracasso dos políticos. Num dia de expressão democrática, numa região que tem seu presidente, seu parlamento e instituições democráticas, não cabe a qualquer outro governo interferir. Desde quando no primeiro mundo quando o povo quer votar se usa a força? Viva a democradura espanhola e europeia!

Nesta semana vimos outro referendo. O dos curdos no norte do Iraque que votaram por criar seu estado independente. E não há povo no mundo que mereça um país hoje mais que os curdos. São mais de 20 milhões numa só região que foi injustamente dividida entre o Iraque, o Irã, a Síria e a Turquia pelas forças coloniais. A reação a este referendo foi visceral. Erdogan, o presidente turco, prometeu retaliar contra os curdos do Iraque porque morre de medo que seus curdos, que reclamam sua independência há décadas, se fortaleçam com esta vitória. Os curdos no Irã já mostram sinais similares.

Parece que o mundo está numa onda de revolta contra a ideologia de esquerda, multiculturalista e de globalização que só trouxe insegurança, violência e pobreza por onde passou. Hoje há literalmente milhares de movimentos de independência e partidos nacionalistas reagindo à falta de fronteiras, de identidade nacional e de imigração descontrolada. E a reação dos poderes atuais tem sido nada menos que histérica e repressora.  Somente na Europa, de direita na França, Holanda, Bélgica e choque! Depois de 70 anos, também na Alemanha! Nos Estados Unidos, Donald Trump ganhou a presidência prometendo colocar os interesses da América primeiro.

A ideologia que até hoje permeou a América do Norte e Europa, prega que todas as pessoas são iguais, que todas querem a mesma coisa e que todo o mundo tem os mesmos valores. A ilusão humanística que todo o mundo é como eu. A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi um reflexo desta ideologia criada como reação à supremacia racial nazista. Mas a Arábia Saudita, por exemplo, se absteve de ratificar a Declaração dizendo que a liberdade de religião era contra o islamismo, e que direitos humanos garantidos pela lei islâmica eram superiores aos descritos na Declaração Universal de Direitos Humanos.

Em 1984, o Irã declarou que a Declaração Universal conflitava com a Shaaria e em 2000 a Organização da Conferência Islâmica apoiou uma Declaração alternativa que garantia a dignidade de vida de acordo com a Shaaria. Só que esta declaração excluiu, por exemplo, as liberdades de expressão, de religião, de casamento e outras.

O Ocidente, no entanto, continuou a avançar o multiculturalismo dizendo que todos os modos de vida são igualmente válidos e assim permitiu a criação de cortes islâmicas paralelas, sistemas educacionais paralelos dificultando enormemente a integração dos imigrantes.

O Ocidente partiu para celebrar a diversidade negando as diferenças que chegam a ser muito profundas. Se terroristas atacam em nome do jihad logo ouvimos que não tiveram oportunidades de sucesso, ou se ele for imigrante, deve ter sofrido islamofobia. Assim, de acordo com a ilusão humanista, terroristas violentos são desesperados porque não obtiveram as “coisas” que nós temos.

Mas pessoas de outras culturas nos dizem repetidamente que elas veem o mundo de modo distinto do Ocidente. Hamas repete a cada oportunidade que eles amam a morte enquanto os judeus amam a vida. Os Jihadistas amam a morte porque acreditam que ao morrer terão 72 virgens no céu e gloria na terra.

Cansamos de ouvir que os palestinos e israelenses tem que fazer a paz. Mas é isto mesmo que os palestinos querem? Os palestinos já recusaram oito ofertas de um estado.

Em 1937, a Comissão Peel propôs a partilha rejeitada pelos árabes e levou ao massacre de judeus em Tiberias. Em 1947, a ONU votou a partilha, rejeitada por todos os árabes. Entre 1948 e 1967 a Judeia, Samaria e Gaza estavam nas mãos da Jordânia e Egito, mas em vez de pedir independência, Arafat explicitamente excluiu estas áreas das reivindicações palestinas. Em 1979, nas negociações de paz entre Israel e Egito, foi oferecida a autonomia aos palestinos para evolver em independência, também rejeitada. Em 1993 os acordos de Oslo estabeleceram o caminho para a independência palestina, descarrilhada pelas ondas de terrorismo.

Em 2000 Ehud Barak ofereceu retirar Israel de 100% de Gaza e 97% da Judeia e Samaria para a criação da Palestina, outra vez rejeitada por Arafat que deslanchou a segunda intifada com mais de mil israelenses mortos. Em 2005, Israel retirou os judeus de Gaza para dar a oportunidade para os palestinos criarem um estado. Em vez disso o Hamas tomou o poder na Faixa e até hoje aterroriza Israel com tuneis e misseis.

Em 2008 Ehud Olmert ofereceu aos palestinos 98% da Judeia e Samaria e 2% de território Israelense. Ofereceu dividir Jerusalem entregando todos os lugares sagrados, incluindo o Muro das Lamentações aos palestinos. Oferta também rejeitada.  E por quê?

Porque os palestinos acreditam que a “injustiça” que eles sofreram só poderá ser corrigida com a destruição de Israel e sua substituição por um estado muçulmano palestino. Isto está declarado na Constituição da OLP, do Hamas e em todos os mapas oficiais da Autoridade Palestina. E apesar do mundo acreditar que cada país deve respeitar o outro, isto não deteve a Rússia de invadir a Ucrânia, da China de se apossar do Mar do Sul da China, do Irã de se estabelecer no Iraque, no Iêmen e na Síria, e de continuar a ameaçar os Estados Unidos e Israel.

Assim, parece que a paz e estabilidade, respeito ao outro como igual não é o que os outros procuram. Se alguém pensar realmente que todos são iguais chegou a hora de repensar esta premissa. Não o fazer será perpetuar e exacerbar as diferenças que só geram desconfiança e violência. Exatamente o que o mundo está vivendo agora.


Thursday, September 28, 2017

O Circo da Assembleia Geral da ONU - 24/09/2017

Esta foi realmente uma semana muito interessante. Tirando o pesadelo do transito em Nova Iorque durante esta época, com a abertura da Assembleia Geral da ONU, vimos trocas de insultos inusitadas neste fórum sempre tão bem educado e diplomático. Donald Trump deu uma guinada de 180 graus sobre seus antecessores, especialmente Obama e esclareceu de uma vez por todas qual é a sua doutrina: É a América primeiro mas não a América isolada.

Trump não mediu as palavras para avisar os países que ameaçam a paz mundial, que ele irá atrás deles se forem hostis com os Estados Unidos ou seus aliados. Especificamente Trump avisou Kim Jon-Un, chamando outra vez o tiraninho assassino de “rocket man”, dizendo que ele está “numa missão suicida dele próprio e de seu regime”; que se ele se aventurasse contra a ilha de Guam, a costa oeste americana, a Coreia do Sul ou outro aliado americano, ele destruiria totalmente a Coreia do Norte. Indiretamente ele mandou uma mensagem para a China, dizendo que se ela não domasse seu cachorro raivoso, ele o faria.

Trump foi também claro com o Irã avisando seu governo para “parar de patrocinar terroristas, começar a servir seu próprio povo, e respeitar os direitos de soberania de seus vizinhos”. Chamou o governo iraniano de ditadura escondida atrás de uma máscara de democracia que transformou um país rico em história e cultura num fora-da-lei, economicamente vazio que tem como exportação principal o terrorismo, violência, derramamento de sangue e o caos. Trump disse que em vez de canalizar a riqueza dos recursos naturais de seu país em beneficio do povo, o Irã manda milhões de dólares para o grupo terrorista Hezbollah no Líbano, os Houthis no Iêmen e Bashar al-Assad na Síria. Isto tudo e ainda promove o assassinato em massa prometendo morte para a América e para Israel. Como não poderia deixar de ser, Trump criticou o acordo nuclear negociado por Obama, como uma das “piores transações que ele já viu, totalmente unilateral” e “uma vergonha”.

Em boa forma, Trump falou o que ele pensa.

Em resposta, o próprio Kim Jon-Um enviou uma mensagem a Trump, lida por seu marionete na ONU. A resposta foi patética e infantil. Não fosse a seriedade da situação, seria hilária. O pior que o liderzinho foi capaz foi dizer que “o cachorro assustado é o que late mais alto”. E que Trump é um louco e um herege da política. Kim Jon-Um tentou denigrir Trump como um velho que não escuta bem e diz o que lhe sai na hora.

Eu me senti de volta na 5ª série...

Na troca de “elogios”, o Ministro do Exterior do Irã Javad Zarif não quis ficar para trás e disse que o discurso de Trump pertencia à Idade Média. Esta resposta não foi muito diplomática tendo em vista que Trump tem que re-certificar o acordo nuclear com o Irã no próximo dia 15 de outubro.

Bibi Netanyahu por seu lado aplaudiu o discurso de Trump e a novidade foi que pela primeira vez, um número de representantes de países árabes decidiriam ficar para ouvi-lo. Vimos na audiência representantes do Kuwait, Arabia Saudita, Bahrain e Emirados Árabes. De fato, o emir de Bahrain declarou esta semana que achava o boicote a Israel uma idiotice e autorizou seus cidadãos a visitarem o Estado judeu. Em vez de uma mensagem negativa, Bibi trouxe as últimas conquistas em tecnologia de Israel e a aproximação de seu país com a comunidade internacional.

Ares de mudança.

Menos para o líder da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas. Seu discurso foi infeliz, um resumo das alegações mentirosas do passado com exigências absurdas que mais parecem para consumo interno do que para o mundo.

Como disse na semana passada, a antecipação da mídia para seu discurso estava fora de lugar.

Abbas repetiu que Israel é uma força colonial de ocupação brutal que já dura mais de meio século descrevendo a criação do estado judeu em 1948 como “catástrofe”. Ele voltou a exigir desculpas e vejam só, reparações da Inglaterra pela declaração Balfour de 1917. Não importa que a Inglaterra não tenha cumprido com o prometido naquela declaração. Para Abbas ela é o suficiente para arrancar mais dinheiro do Ocidente para alimentar sua máquina de corrupção. Ele disse que a declaração Balfour foi uma grave injustiça porque prometeu um lar nacional para os judeus na Palestina, quando, segundo ele, a Palestina já era habitada por palestinos e ... pasmem “ era um dos países mais progressistas e prósperos e não poderia ter sido colonizado ou sujeito a um mandato”.

Esta total distorção da história só pode vir de alguém completamente desesperado com sua repentina irrelevância no cenário mundial. A causa palestina já não está na lista nem dos cinquenta problemas mais prementes do mundo. Hoje pela manhã, o jornalista palestino Khaled Abu Toameh twitou que 3557 palestinos foram mortos na Síria, mais de 1637 presos e 304 desaparecidos. Nem uma pequena palavra de Abbas em defesa de seus conterrâneos que para ele funcionam apenas como peões em seu jogo de corrupção e poder.

Alguém deveria rever estes discursos na ONU e não permitir a propagação de falsidades históricas como os palestinos terem um “país” em 1917. Nunca houve na história da humanidade uma entidade governamental independente e soberana na Terra Santa, que não fosse um governo judeu. Primeiro com os reis David e Salomão e depois da destruição do primeiro Templo, com Nehemias até a destruição por Roma e finalmente com a recriação do Estado de Israel em 1948.

Abbas teve ainda a coragem de dizer que a solução de dois estados estava em perigo se Israel não aceitasse todas as suas imposições e neste caso, Israel teria que dar aos árabes da Judeia, Samaria e Gaza, o direito de voto nas eleições israelenses ou ser chamada de apartheid. Interessante porque ele já usa esta descrição para Israel, então não haveria muita mudança aí.

Abbas terminou colocando dez pontos para a comunidade internacional adotar. Sem debate, sem discussão: forçar Israel a evacuar centenas de milhares de judeus da Judeia, Samaria e Jerusalem, proteger a população palestina, determinar que a linha de armistício de 1948 seja declarada como fronteira do Estado Palestino, adotar o boicote econômico de Israel, reconhecimento geral do Estado da Palestina, e finalmente, vejam só, para que a comunidade internacional continue a financiar e fornecer apoio econômico ao povo palestino inclusive através da UNRWA, fazendo uma grande ameaça se isso fosse de qualquer modo mudado.   Ainda, Abbas ameaçou caso houvesse mudança na agenda numero 7 da ONU que visa exclusivamente Israel. Só isso. Ele continua a querer tudo sem conceder nada.

Os palestinos estão a cargo de seu próprio governo desde o começo da implantação dos Acordos de Oslo em 1994. E depois de 23 anos, além de intifadas, incitação, torturas, pobreza, não podem mostrar qualquer conquista positiva. A aproximação esta semana entre Abbas e o Hamas deve piorar ainda esta situação. Acho que os palestinos e o mundo estão prontos para começar a pensar numa era pós-Mahmoud Abbas. Cabe a Israel agarrar este momento e começar discussões positivas com possíveis sucessores. Não faze-lo será um tremendo erro, que continuará a expor Israel a  mais violência.
          

Monday, September 18, 2017

Atrás da Mascara de Embusteiro de Mahmoud Abbas - 17/09/2017

Neste domingo, o grupo terrorista Hamas concordou em negociar com o movimento da Fatah de Mahmoud Abbas para formar um governo de união e convocar eleições gerais nos territórios palestinos.

Em sua declaração, o Hamas disse ter aceitado as condições-chaves impostas por Abbas. Mas isto tudo é uma cortina de fumaça. Hamas teria aceitado dissolver seu Comitê Administrativo de Gaza, criado há apenas seis meses e está ativamente presente na Judéia e Samaria convencido que poderá ganhar as próximas eleições palestinas. E isto é muito provável.

Desde 2007, quando o Hamas e a Fatah travaram uma guerra sangrenta, a liderança palestina ficou dividida em dois governos: o Hamas no controle de Gaza e a Autoridade Palestina na Judéia e Samaria. Mas a influência do Hamas e a corrupção desenfreada da Fatah fizeram Abbas agarrar e não soltar o leme do governo. Ele já está com 82 anos, está no poder há 12 anos apesar de ter sido eleito para apenas quatro anos e não nomeou qualquer sucessor caso venha a falecer.

Este novo anúncio do Hamas, tem que ser entendido num contexto que de todos os lados pode ser muito perigoso para Israel. O Hamas tem sido penalizado por Abbas com cortes em eletricidade, salários e água. O Egito fechou sua fronteira com Gaza por causa dos ataques terroristas no Sinai e de uma aproximação preocupante entre o Hamas e o Irã. Isto no sul. No norte de Israel, as forças da guarda revolucionaria iraniana junto com guerrilheiros da Hezbollah poderão se plantar a 5 km da fronteira norte de Israel. A Rússia tomou o poder decisório da Síria e negociou este limite irrisório em seu nome e em conluio com o Irã. Se houver mesmo eleições entre os palestinos e o Hamas ganhar, teremos o Irã nas portas de Tel Aviv e Jerusalem, de fato cercando Israel.

Não é de espantar que nestas condições, o Hamas tente uma reconciliação com a Fatah. Para conseguir um alívio econômico, os líderes de Gaza podem se esconder atrás da máscara falsária de “moderado” de Mahmoud Abbas. Em alguns dias, o veremos no pódio da Assembleia Geral da ONU vomitando acusações mentirosas contra Israel e louvando a “moderação” a que chegou o Hamas. Infelizmente ninguém lhe chamará a atenção para a falta de vontade de entrar em negociações sérias com Israel, por seu incitamento à violência, por venerar terroristas e por liderar a criminalização de Israel no mundo, tudo isso mantendo seu título de campeão da paz pela comunidade internacional.

Vejam só: por quase duas décadas, o mundo tem dito a Israel que Abbas é o líder mais moderado possível; o melhor parceiro para a paz, e uma pessoa tão razoável que um acordo somente será possível com ele.

Mas aí em 2008, Abbas virou as costas para Ehud Olmert e sua oferta escandalosamente generosa que incluía a transferência do Muro das Lamentações para os palestinos; Abbas recusou sentar com Netanyahu mesmo depois de Israel ter congelado a construção de judeus na Judeia, Samaria e Jerusalem por 10 meses.

Podemos voltar e ler seus discursos passados na Assembleia Geral para ver o verdadeiro Abbas. Em 2011 ele chamou Yasser Arafat “um homem de paz” e Israel de “brutal”, “agressivo”, “racista”, “apartheid”, “horrível” e “um ocupador militar colonial”. Acusou Israel de “limpeza étnica” e de “alvejar palestinos civis com assassinatos, bombardeamentos aéreos e tiros de artilharia”. Falou do elo dos muçulmanos e cristãos com a Terra Santa – e somente deles. E pior, ele falou de 63 anos de ocupação, não de 44 anos desde a Guerra dos Seis Dias, mas a ocupação da criação do Estado de Israel.

Em 2012 ele exigiu que o mundo impusesse uma solução a Israel, sem ele precisar fazer qualquer concessão, continuando com as mesmas acusações escandalosas. Em 2013 Abbas avisou que Israel estava à beira de cometer um genocídio dos palestinos e exigiu uma ação urgente da ONU.

Depois disso ele jurou “nunca” reconhecer Israel como um estado judeu, “nunca” desistir do direito de retorno dos refugiados palestinos para dentro de Israel própria, de “nunca” aceitar o controle do Vale do Jordão por Israel, de “nunca” aceitar a presença de qualquer judeu na Judeia e Samaria, e de “nunca” aceitar qualquer soberania de Israel sobre qualquer parte de Jerusalem.

Em 2014, Abbas acusou Israel de promover um “genocídio” em Gaza, e que em vez de retificar a “injustiça histórica” de 1948, isto é, de sua criação, os judeus estariam impondo um estado de terror, através de gangues de colonos que estariam atacando mesquitas, igrejas e oliveiras. Até a esquerdista-mor de Israel Tzipi Livni descreveu o discurso como “horrendo”. Mas ninguém da administração Obama repreendeu Abbas. Somente Israel foi repreendida.

Em 2015 Abbas acusou Israel de tentar destruir os santuários islâmicos e cristãos de Jerusalem e saiu para abertamente incitar a violência contra judeus na cidade santa. Foi nesta ocasião que ele descreveu os pés sujos dos judeus impurificando a mesquita de Al-Aqsa. Ele também declarou que não mais estava obrigado aos Acordos de Oslo.

No ano passado, Abbas exigiu um pedido de desculpas da Inglaterra ao povo palestino pela Declaração Balfour pelas “catástrofes, miséria e injustiças” que ela trouxe. E continuou com a ladainha das “agressões e provocações contra a mesquita de Al-Aqsa” e acusando Israel de execuções extrajudiciais.

A que nível Abbas deve descer para que a comunidade internacional e a esquerda da Israel comecem a procurar outras opções? Isto é importante porque temos um precedente crítico. Com Yasser Arafat e o processo de Oslo. A esquerda e a administração Clinton se apegaram tanto às negociações com Arafat que fecharam os olhos para o terrorismo, a incitação à violência e a instilação do ódio contra israelenses e judeus.

Cada vez que alguém trazia outra evidência sobre as ações perniciosas de Arafat era rotulado de “inimigo da paz”. Qualquer atenção dada às falhas de Arafat era considerada uma distração desnecessária para a paz.

E incrivelmente, o mesmo processo idiótico e patético está ocorrendo com Abbas. Seu extremismo é ignorado, seu obstrucionismo é negligenciado; sua corrupção? Super tolerada! sua repressão a críticos? É perigosamente desconsiderada.

Ao ponto de palestinos procurarem as cortes de Israel para obterem reparação por anos de tortura sofridos nas mãos de Abbas. Nesta semana a Corte Regional de Jerusalem decidiu que palestinos poderão acionar a Autoridade Palestina em cortes Israelenses. Incontáveis histórias de horror e tortura começaram a jorrar na mídia, junto com fotos das cicatrizes e danos corporais que poderão chegar a centenas de milhões de shekels.

E ainda assim, a mídia, os políticos e o resto do mundo estão aguardando ansiosamente e cheios de especulação para ver se hoje, com a administração Trump, Abbas irá fazer um discurso mais “equilibrado” na Assembleia Geral.

Realmente gente, nesta altura do campeonato, isto faz qualquer diferença?




Sunday, September 10, 2017

O Visionário Theodor Herzl - 10/09/2017

Há 120 anos, no dia 29 de agosto de 1897, 208 judeus de 17 países se reuniram na Suiça, na cidade da Basiléia. Estes judeus, vestidos de fraque, entraram na sala de concertos do casino municipal que estava toda decorada com bandeiras azuis e brancas para a ocasião. De repente, três batidas de martelo. Os olhos se voltaram para o membro mais velho do grupo, Dr. Karpel Lippe, que se dirigiu ao palco. Colocando uma kipá na cabeça, e lágrimas escorrendo de seus olhos e de outros delegados, ele recitou a prece de Shecheyanu, agradecendo a Deus por trazer os judeus para aquele momento.

Com esta prece, começava a jornada do Estado judeu.

A marcha na qual embarcava este Primeiro Congresso Sionista não iria somente levar ao estabelecimento do Estado de Israel. Iria causar uma transformação interna nos judeus do mundo. Theodor Herzl falou na ocasião que a “essência de um estado está na vontade do seu povo”. Ele quis dizer que o território era importante por ser uma base concreta, mas o estado, como entidade abstrata, não poderia existir se não houvesse a vontade do povo judeu de cria-lo.  

Um dos delegados, Mordechai Ben-Ami, descreveu a reação dos presentes: “Herzl foi aplaudido estrondosamente. Parecia que os sonhos de dois mil anos da nação judaica estavam resolvidos e que tínhamos o Mashiah Ben-David na nossa frente”.

Logo após o discurso de Herzl, trabalhos intensos começaram envolvendo deliberações sobre os aspectos nacionais, econômicos, análises da condição da terra para agricultura, recursos hídricos, a situação das várias comunidades judaicas existentes, discussões sobre a ressuscitação da língua e da literatura hebraica, e outros tópicos.

Israel Zangwill, outro delegado, relatou a atmosfera reinante: “Junto aos rios da Babilônia sentamos e choramos ao recordarmos Sião. Junto ao rio da Basiléia nos sentamos e resolvemos: “não iremos mais chorar”. Era uma declaração de guerra contra o fatalismo que tinha paralisado a nação judaica por dois mil anos.

Em 1897, 200 judeus deram um basta e foram trabalhar para terminar com o fatídico exílio que havia durado demais. Herzl transmitia a urgência da tarefa, dizendo que uma catástrofe estava iminente e quanto mais demorasse para chegar, pior ela seria.

De manhã até a noite, durante três dias, os delegados plantaram as sementes para a edificação das duas instituições básicas que impulsionariam a criação do Estado: o Fundo Nacional Judaico e a Organização Sionista Mundial.

Os debates foram ferrenhos, com muitas diferenças de opinião. Era a primeira vez que judeus se reuniam neste formato. Comerciantes assimilados da Inglaterra junto com judeus de vilarejos da Polônia e russos intelectuais de Odessa. Quando as discussões esquentavam, o Professor Zvi Shapira lembrava aos envolvidos que o objetivo de todos era um só. Em um certo momento, o professor fez algo dramático: pediu a cada delegado que levantasse sua mão e repetisse depois dele: “Se eu te esquecer ó Jerusalem, que a minha mão direita esqueça sua destreza”. Esta promessa ficou como um cordão de união repetida a cada Congresso.

Apesar de Herzl não ter sido o esperado Messias, ele corretamente previu a catástrofe e outra: ele disse que o Estado judeu nasceria dentro de 50 anos.

Chega a ser surpreendente que numa era de “ismos” somente o Sionismo ficou. Passamos pelo Comunismo, Maoismo, Leninismo, Stalinismo, Trotskismo, Anarquismo, Fascismo, Nazismo, Nasserismo, todos vieram em grande fanfarra e se foram, tendo trazido aos seus seguidores, somente calamidade e desespero. Os atuais ismos totalitários como o Chavismo e os fundamentalistas, similarmente terão o mesmo destino. O Marxismo foi reduzido de sonho a pesadelo, especialmente aonde foi tentado; o socialismo, depois de ter destruído economias saudáveis foi ultrapassado pelo capitalismo que, após um breve aplauso, tornou-se  uma monstruosidade moral promovida por uma “aristocracia” elusiva. Até o pacifismo, tão na moda há algumas décadas, tornou-se coisa de idiota quando tiranos se apoderaram da tecnologia nuclear.

Somente o “ismo” de Theodor Herzl sobreviveu, mantendo-se corrente, relevante e um grande sucesso 120 anos mais tarde.

Nos 50 anos que se seguiram ao Primeiro Congresso, vimos a explosão de kibutzim, a fundação do hospital Hadassah, da Universidade Hebraica de Jerusalem, da Companhia de Água, de Eletricidade, enfim, toda a base de um Estado, décadas antes de sua criação.

É preciso descrever tudo isto para entender que o Estado de Israel foi o resultado não só do sonho, mas do trabalho árduo dos líderes das comunidades, dos imigrantes que deixaram suas famílias na Europa para os pântanos infestados da Terra Santa.

Contrapomos isto à cultura de auto-piedade dos árabes e de acusações sem base, de complôs imaginários, de puras mentiras usadas para culpar todo o mundo, menos eles próprios pelo que reclamam ser a falta de um estado palestino. Este grupo que roubou o nome “palestino”, composto em sua grande maioria de árabes egípcios, sauditas, jordanianos, marroquinos, e de outras nacionalidades, -e eu não canso de repetir isto - recebeu até agora, mais de 25 vezes o que a Europa inteira gastou para sua reconstrução depois da Segunda Guerra Mundial.

E incrivelmente, depois de 50 anos, não conseguiram construir uma só instituição de base, nem uma companhia elétrica, nem de água ou tratamento de esgotos, nada. É um grupo que acima de tudo promove o ódio, a discriminação, e a violência. O inventor do terrorismo moderno, é anti-mulheres, anti-gay, anti-liberdade de expressão e de religião enfim, tudo o que consideramos como liberdades humanas essenciais. E o mundo continua a bajular os palestinos achando que ao faze-lo irão ser poupados do menosprezo árabe. Como vimos nas distribuições de doces e comemorações pelos ataques de 11 de setembro em 2001, de julho de 2005 e em outros ataques, eles sabem cuspir bem no prato aonde comem.

E isto não é só entre os palestinos mas é endêmico ao mundo árabe como um todo. Isto vem de uma ideologia que os ensina que a civilização ocidental inteira está errada e que seu fundamentalismo islâmico é o correto. Uma ideologia que promete trazer o final dos tempos e que se estiver de posse de uma arma atômica, irá sem dúvida usa-la e pior, na esperança que o outro lado faça o mesmo.

Na semana passada apesar do seu silencio, parece que a força aérea de Israel atacou uma base no norte da Síria aonde teria existido um laboratório de armas químicas e mísseis de precisão. Sem confirmar ou desmentir o ataque, o ministro da defesa Avigdor Lieberman somente avisou que Israel não iria permitir a transferência de tais armas para a Hezbollah que há muito procura meios de extermínio em massa contra Israel. Armas como a bomba de hidrogênio que ontem foi confirmado pela inteligência inglesa, foi produzida pela Coreia do Norte com ajuda e assistência do Irã.

Depois de 120 anos do Primeiro Congresso Sionista, aí está a diferença. O Estado de Israel é um sucesso em todas as áreas porque trabalhou duro para sê-lo. Sua motivação foram as duras lições de extermínio e perseguições. Hoje Israel é proativa em sua defesa e não deixará ninguém prejudicar a segurança de sua população.

Quem sabe que o que os palestinos e o resto dos árabes precisem, em vez de terroristas como líderes, seria o seu Theodor Herzl? Infelizmente até agora estão muito longe disto.