Monday, July 17, 2017

A Nova Bíblia da UNESCO - 16/7/2017

Mais uma vez começamos a semana de luto. As famílias de Hail Stawi de 30 anos e de Kamil Shanan, de apenas 22 anos, policiais drusos de Israel, enterraram seus filhos neste final de semana.

Os dois foram chacinados por terroristas na sexta-feira às 7h da manhã em nada menos do que o Monte do Templo em Jerusalem. E por mais que a Autoridade Palestina e até membros árabes do parlamento de Israel queiram descrever este como mais um ataque contra o que eles chamam a “ocupação israelense”, esta afronta, no local mais sagrado do mundo para judeus tem o potencial de inflamar toda a região.

Os terroristas, árabes israelenses de Um-El-Faham não viviam sob qualquer “ocupação”. Viviam em Israel própria, cidadãos do país com todos os direitos e bem representados na Knesset.

Desde a libertação de Jerusalem por Israel em 1967, nunca houve um ataque com armas de fogo vindo de dentro da mesquita de Al-Aqsa e a pergunta é: até que ponto o Waqf, o órgão islâmico responsável pelo gerenciamento do local, foi cumplice deste ato terrorista.

Logo após a vitória israelense na Guerra dos Seis Dias e a famosa frase “o Monte do Templo está em nossas mãos”, o então Ministro da Defesa, Moshe Dayan, achou por bem devolver as chaves das mesquitas ao Waqf para evitar mais conflitos com o mundo árabe. E o status quo, de que tanto se fala, é manter o Waqf no gerenciamento enquanto Israel detém a soberania do local.

Mas desde 1967, o status quo mudou e muito. Mudou para pior para Israel, beneficiando os muçulmanos. Quem visitou o Muro das Lamentações sabe das longas filas dos detectores de metal e segurança que temos que passar. Os muçulmanos não têm tais restrições. Eles têm entrada livre. Ainda, até alguns anos atrás, qualquer um, incluindo judeus e cristãos, podiam visitar as mesquitas e rezar, desde que comprassem uma entrada. Hoje, se alguém é pego movendo os lábios, é retirado imediatamente à força porque só muçulmanos têm o direito de rezar no platô. Que religião é essa que proíbe pessoas de outras fés de rezar?? E judeus e cristãos não rezam para o mesmo D-us que os muçulmanos??

Como, depois de 50 anos, a soberania de Israel é questionada, a presença de judeus e cristãos rejeitada, e a própria história negada?

Existe um esforço do mundo impulsionado pelos palestinos para minar a legitimidade de Israel como país e o direito dos judeus à sua terra ancestral.  E de acordo com Daniel Pipes do Fórum do Oriente Médio, não haverá paz neste canto do mundo até Israel deixar claro para os palestinos que eles perderam a guerra e têm que aceitar termos de rendição.

De fato, Israel continua a existir porque contra todas as probabilidades, ela ganhou todas as guerras em que esteve envolvida. E Pipes tem razão sobre uma declaração inequívoca de Israel. Temos que parar de engolir como verdade esta afirmação asinina de que “não há solução militar para o conflito” quando durante os cinco mil anos de história da humanidade conflitos só foram resolvidos militarmente. O que estudamos na escola senão sobre guerras e como os vencedores mudaram o curso anterior?

Este projeto do mundo contra Israel está claramente nas mãos da ONU. Vimos a palhaçada se repetir na UNESCO na semana passada, outra vez negando o passado judaico de três mil anos de Hebron e o túmulo dos patriarcas. Os palestinos reclamam os locais judaicos para si e dizem que eles estão em perigo forçando uma votação de emergência. A votação foi tão escandalosa que o embaixador de Israel Carmel Shama HaCohen disse que precisava sair porque a privada entupida de seu apartamento era um problema mais sério que a resolução adotada.

Esta é apenas a ultima manobra desonesta da organização que supostamente é encarregada dos lugares históricos da humanidade. Mas desta vez a UNESCO, seguindo a liderança do Líbano, Cuba e Kuwait (pilares da cultura mundial), foi ainda mais longe. Ela reconheceu apenas o passado islâmico de Hebron, da ocupação dos mamelucos até hoje. Assim, o mundo hoje considera o tumulo de Abraão, Isaac, Jacó, Sarah, Rebecca e Lea um local islâmico! Nem as objeções do Conselho Internacional de Monumentos e Locais que avalia os locais de Herança Mundial e notou que não havia nenhuma indicação que Hebron estava em perigo, além da inadmissível omissão da história anterior aos mamelucos - foi suficiente para mudar os termos da resolução.

Aonde chegamos!!! Isto é o que acontece quando países civilizados deixam a liderança de organizações internacionais nas mãos de tiranos ignorantes.

E esta vitória encorajará os palestinos a submeter outros pedidos. Na sua lista está Jericó e pasmem: as cavernas de Qumran aonde foram encontrados os textos do Mar Morto. Os palestinos reclamam os textos, escritos em hebraico do Segundo Templo como sua Herança Nacional!

Esta não é uma tática nova. Todas as vezes que muçulmanos conquistaram um local, ou eles destruíram os centros religiosos ou os transformaram em mesquitas. É só ver o que fizeram na Turquia, quando converteram a suntuosa basílica cristã de Santa Sofia na mesquita Ayasofia. Em Israel, além da implantação da mesquita no Monte do Templo e no túmulo dos patriarcas em Hebron, o túmulo do profeta Samuel virou mesquita, o tumulo de José foi destruído, e o tumulo da matriarca Raquel, apesar de nunca ter havido uma mesquita no local, é chamado pelos palestinos de Mesquita de Bilal bin Rabah.

A única coisa positiva deste voto da UNESCO foi o debate acirrado que ele causou em Israel. Na quarta-feira, a vice-ministra do exterior Tzipi Hotovely declarou no plenário da Knesset que os palestinos estavam “roubando a história judaica”.

Ela levantou a Bíblia como prova da história autêntica da história do povo judeu e depois abriu um livro sobre a história palestina com páginas em branco que fez um sucesso incrível na Amazon até ser removido.

Hotovely perguntou: “vocês sabem por que as páginas estão em branco? Porque os palestinos nunca tiveram reis ou locais de herança mundiais. David, Moises, Abraão, Isaac e Jacó foram antepassados dos judeus e vocês palestinos, não conseguirão islamiza-los”.

Mas o membro árabe da Knesset Abdel Hakim Haj Yahya respondeu que “Abraão é o pai dos palestinos, não dos judeus. E que todos os profetas são muçulmanos, ou eles não seriam profetas!” Agora entendemos como Jesus se tornou o primeiro “mártir palestino”. Esqueçam os Evangélios. De acordo com esta lógica, Jesus não era judeu. Ele era na verdade muçulmano!

Estamos prontos a viver com esta nova verdade??

Senhores, não há como desfazer este tipo de retórica. Não há paz porque os árabes e palestinos são alimentados todos os dias com este tipo de excremento ideológico e falsidades históricas que os fazem acreditar que estão com a verdade. Temos que deixar bem claro que rejeitamos este discurso absurdo e temos que exigir que nossos líderes não fechem os olhos para esta retórica que procura semear a dúvida sobre as fés judaicas e cristãs e cria uma expectativa irreal para os palestinos.


Albert Einstein disse que “o mundo não será destruído por aqueles que fazem o mal, mas por aqueles que os observam sem fazer nada”. Nosso papel é sairmos de nossa zona de conforto e fazermos alguma coisa.


Sunday, July 2, 2017

Trump, as Falsas Noticias e Israel - 2/7/17

Desde a tomada de posse da presidência da Republica por Donald Trump, muita coisa tem mudado nos Estados Unidos e no mundo. Apesar dos ataques venenosos e implacáveis da mídia, Trump conseguiu concretizar mais promessas feitas durante a campanha do que qualquer outro presidente americano.

Em pouco mais de 5 meses, além de trazer uma confiança sem precedentes ao mercado e às bolsas de valores, Trump cancelou centenas de regulamentos que atravancavam empresas e proibiam a exploração de fontes de energia gerando milhares de empregos; nomeou e conseguiu aprovar um membro conservador para a Suprema Corte do país; reduziu substancialmente a imigração ilegal; congelou os gastos do governo federal; renegociou vários tratados comerciais internacionais; aprovou o orçamento para renovar o exercito, reformou o sistema médico para os veteranos, mas acima de tudo, ao usar o Twitter, o presidente se tornou o comandante da luta contra o noticiário falso. E isso está deixando os democratas, a esquerda e a mídia furiosos.

Até hoje, o aparato político precisava da mídia para transmitir suas medidas, políticas e acontecimentos ao povo. Hoje, com mais de 100 milhões de seguidores no Twitter, Trump só precisa de seu telefone. E para quem o segue, sabe que 99% de suas mensagens são sobre as medidas que ele está tomando para como ele diz: Fazer a América Formidável de Novo.

Mas em vez de discutir os objetivos do governo, a mídia continua numa frenética, insana e pouco produtiva caça às bruxas, a bruxa sendo Trump. Depois de mais de um ano sendo diariamente insultado por este casal de âncoras da NBC, Trump que é um homem orgulhoso, com mais conquistas no bolso do que todos nós juntos, resolveu bater de volta. Ele descreveu Mika como baixo Q.I. e seu noivo de maluco Joe. Ainda contou que os dois tinham tentado ser convidados para sua festa de ano novo mas ela estava sangrando de uma plástica recente e Trump disse não.

Este twit causou um alvoroço e nenhum outro assunto foi mais importante esta semana, inclusive para os correspondentes internacionais brasileiros. Não a libertação de Mosul das mãos do Estado Islâmico, não a confirmação da morte do líder do ISIS, Abu Bakr al-Bagdadi, não a onda de cólera no Iemen, não a imigração na Europa que já se tornou insustentável. Nada.

Mas Trump não parou aí. Depois de ter repetido que a CNN é a maior fonte de noticias falsas, esta semana ele foi vindicado. Três jornalistas da rede foram “resignados” incluindo o editor executivo da unidade de investigação jornalística depois de terem publicado uma estória falsa sobre um fundo de investimento russo que teria laços com pessoas na administração Trump. Eles citaram uma fonte anônima como prova. A rede ainda despediu Reza Aslan depois do âncora ter chamado Trump de um pedaço de excremento. Isto se seguiu ao cancelamento do contrato da comediante Kathy Griffin no começo de junho, depois dela ter aparecido segurando uma cabeça decapitada e sangrenta de Trump.

Parece que só este tipo de coisa consegue aumentar a audiência destas redes. Ultimamente só assistimos a CNN nas filas dos aeroportos. A NBC nem isso. O que forçou a mão destas redes foi a reação do público contra esta falta de respeito para com o presidente. Mesmo democratas estão de acordo que tem que haver um basta..

Porque isto é importante? Porque hoje temos que separar o joio do trigo quando ouvimos as noticias. Em Israel esta semana soaram alarmes, ameaças e avisos sobre a aparente deterioração das relações entre os judeus americanos e Israel. Tudo por que o governo de Bibi decidiu adiar a criação de uma nova entidade para gerenciar o espaço no Muro das Lamentações para os reformistas e conservativos e também sobre a lei de conversões.

As manchetes e opiniões distorceram de tal modo decisão - em vez de explica-la- que acabaram atacando diretamente a união do povo judeu.

À primeira vista, nos deram a entender que o governo eliminou de vez o espaço para os reformistas no Muro das Lamentações e mudou para pior o status das conversões não ortodoxas em Israel. Ambos são mentira.

A decisão não altera de modo algum o direito dos reformistas e conservativos de continuarem a rezar e a conduzirem seus serviços religiosos no Arco de Robinson, que é parte do Muro das Lamentações e o lugar que lhes foi designado há anos. Em 2016, o governo tinha concordado em conectar o Arco de Robinson com o complexo do Muro das Lamentações e transferir seu gerenciamento do rabinato ortodoxo para uma nova entidade que incluiria representantes reformistas e conservativos. Foi esta decisão que foi revertida.

Membros destes grupos têm o direito de estarem frustrados. O governo renegou em seu acordo e isto não é justo. Mas por outro lado, isto não justifica a retorica abusiva de membros da mídia e de alguns poucos líderes americanos que ameaçaram retirar seu apoio a Israel.

Sobre a conversão, foi o mesmo. Há 20 anos, a comissão Neeman decidiu que pessoas convertidas com os reformistas e conservativos poderiam fazer alyah usando a lei do retorno, mas não poderiam ser registrados como judeus pelo rabinato ortodoxo para efeitos de casamentos, divorcio ou enterros. Isto também não mudou. Os mais afetados por esta decisão são os 500 mil israelenses da ex-União Soviética que fizeram alyah porque tinham pelo menos um avô judeu, mas não são judeus pela halachah porque suas mães não são judias.

A coalisão de partidos que mantém Bibi no poder é muito tênue e os partidos religiosos sabem disto. Eles ameaçaram deixar a coalisão causando a queda do governo se ele cumprisse estas promessas. Bibi não teve alternativa. Ele tomou uma decisão política para se manter como primeiro-ministro e a vasta maioria dos lideres judaicos americanos entende isto.

Mas ao caracterizar a decisão do governo como uma rejeição do movimento reformista e conservativo, a mídia está tirando o foco da razão real para lutar por esta lei. A razão principal é a tremenda assimilação dos judeus na América. O casamento entre judeus e não judeus está acima de 70%. Filhos destas uniões poderão querer fazer alyah algum dia e muitos se consideram judeus. Os reformistas têm que lutar para que eles sejam aceitos de modo pleno, e não aceitar uma divisão desnecessária, e cortar seus laços com Israel se as leis não passarem agora.

O problema real é que enquanto todo o mundo fala da unidade entre os judeus, ninguém envolvido na conversa parece impelido a chegar neste objetivo. Não se chega à unidade através de recriminações. A união de Israel é alcançada pelo amor e respeito a todos, independente de suas origens, de suas tradições, e de quanto seguem a religião. Afinal, éramos 12 tribos, cada uma com sua bandeira. Sem isso, não teremos nenhum acordo bom ou duradouro.  Precisamos de calma, diálogo e muita ahavat Israel. E também paciência para esperar o momento político certo para alcançar estes objetivos.


Sunday, June 25, 2017

A Estratégia Americana na Síria, o Irã e a Coreia do Norte - 25/06/2017

No domingo passado, a força aérea americana abateu um jato sírio no norte do país envolvendo os Estados Unidos na guerra civil que assola a Síria há mais de seis anos. Agora, o impasse não é mais entre milícias locais, nem entre as forças regionais, mas entre os Estados Unidos em direta oposição à Rússia e ao Irã.

Os Estados Unidos querem separar os dois conflitos atuais na Síria: um contra o Estado Islâmico no leste e o outro, a guerra civil entre Assad e os rebeldes no oeste. Trump não nega sua interferência no primeiro, mas quer ficar fora do segundo. Assim, os rebeldes e curdos apoiados pela América estão proibidos de atacar as forças de Bashar al-Assad.

Enquanto a vitória sobre o Estado Islâmico parece inevitável, Assad – ou mais precisamente, o Irã e a Rússia – estão determinados a vencer os rebeldes. Isso coloca os Estados Unidos frente a duas escolhas: ou deixar seus aliados serem derrotados pelo regime, o Irã e a Rússia, ou ajudar a defendê-los. Uma decisão que Trump terá tomar o quanto antes.

Que seja uma Síria fragmentada, com Assad no oeste e os rebeldes no leste; ou a destruição do regime de Assad e a implantação de zonas seguras; ou a sobrevivência do regime de Assad e a volta de toda a Síria para suas mãos, qualquer destas escolhas é difícil e tem um custo. Mas o preço mais alto será pago se a América não definir uma estratégia e logo. A falta desta estratégia já permitiu às forças iranianas chegarem à fronteira entre o Iraque e a Síria e a cortarem o progresso dos rebeldes apoiados pelos Estados Unidos.

Porque isto é importante para Israel? Se os Estados Unidos e seus aliados forem derrotados no leste da Síria, o resultado será o estabelecimento de um corredor contíguo para o Irã passando pelo Iraque e a Síria até o Mediterrâneo. Pela primeira vez, os aiatolás estarão fisicamente às portas da Europa e na fronteira com Israel. Isto irá profundamente transformar a ameaça iraniana ao Estado Judeu.

Isso não tem a ver somente com a transferência de armamentos aos jihadistas e à Hezbollah no sul do Líbano. Para entender o perigo que representa tal corredor é preciso analisar o estilo de guerra que o Irã tem conduzido na última década na Síria e no Iraque. Sem ter declarado qualquer guerra, milícias iranianas entraram no Iraque e na Síria e têm comandado ataques, transferido armamento, tudo para proteger seus aliados e seus interesses. Com a desculpa de lutar contra o Estado Islâmico, o Irã, hoje constitui a maior força de poder nestes dois países.

Israel tem que assumir que numa futura guerra com a Hezbollah, ela não estará imune a este modelo. O líder da Hezbollah, Hassan Nasrallah, declarou nesta sexta-feira que o próximo confronto com Israel atrairá milhares de combatentes do Irã, do Iraque, da Síria e do Iêmen.

O fato dos governos tanto do Iraque como da Síria estarem em desalinho, é uma grande vantagem para o Irã. A criação de um corredor contíguo até o Líbano dará uma vantagem enorme aos aiatolás numa guerra com Israel e mísseis iranianos posicionados no Mediterrâneo servirão para dissuadir qualquer país europeu e mesmo a América de se envolver.

E aí temos a Coreia do Norte. Apesar de todas as sanções e condenações pelo tratamento de Otto Warmbier, Pyongyang está aumentando seus testes nucleares. Ontem mesmo testaram o motor de um míssil balístico intercontinental que poderá atingir os Estados Unidos. Este impulso irracional de Kim Jon-un pode ter Teerã por trás já que o programa nuclear norte-coreano é feito em conjunção com o Irã. É sabido que assim que a Coreia do Norte alcançar a tecnologia de mísseis balísticos intercontinentais, o Irã terá posse dela.

Por isso é imperativo que Israel impeça o Irã de estabelecer este corredor e para isso precisa convencer a administração americana desta necessidade.

E falando da Coreia do Norte, tristemente, o estudante judeu americano Otto Warmbier morreu menos de uma semana após ter retornado aos Estados Unidos em estado vegetativo. A história dele nos seguiu a semana inteira. A última imagem que temos deste garoto vivo é frente ao tribunal fantoche, chorando e implorando de modo humilhante, por sua vida arruinada por acusações que ele não pode desmentir. Otto só encontrou injustiça na Coreia do Norte. Um julgamento fraudado, uma confissão forçada, uma sentença de 15 anos de trabalhos forçados, tortura e morte. Ele só tinha 22 anos.

E estes animais ainda têm a cara-de-pau de dizer que o retornaram por “razões humanitárias”. Que humanidade existe no regime da Coreia do Norte?? Eles eram responsáveis pelo bem-estar deste jovem, culpado ou não, dentro de seu sistema carcerário. E qual foi o crime de Otto? Ele fora acusado de tentar remover um pôster do governo e leva-lo como lembrança. Este governo beócio afirmou que este ato minou a própria fundação do Estado!! Se for assim, a fundação do estado norte-coreano não resta sobre muita coisa fora da insanidade de seu líder.

Otto negou ter cometido este suposto “crime contra o Estado” e a prova do governo foi um filme obscuro mostrando alguém não identificável, que tentou, mas não conseguiu remover o pôster.

Otto não é a primeira nem será a última pessoa a receber uma punição extrema por um crime que não cometeu ou por uma infração menor. E o regime da Coreia do Norte não é o único a impor estes tipos de punições em nossos dias. Na Tailândia há punições por insulto ao monarca, na Arábia Saudita sentenças de chibatadas até decapitações são comuns por “crimes” como feitiçaria. No Paquistão, jovens são apedrejadas ou mortas por suas famílias por quererem ir para a escola.

Qualquer um de nós poderia ser Otto Warmbier. Não conheço ninguém que não tenha cometido alguma infração na juventude comparável à que Otto foi acusado. A diferença é que vivemos em países civilizados nos quais tais transgressões resultam em advertências, não em pena de morte! Mas há milhares de Ottos no mundo, que vivem em regimes totalitários como o Irã, aonde mulheres são presas por assistirem a um jogo de vôlei ou por cantar num vídeo do Youtube. E o mundo se cala e ainda premia estes governos com, por exemplo, a presidência da UNESCO. Sim senhores, o delegado iraniano Ahmad Jalali será o presidente da organização e o responsável por implementar suas resoluções como as que negam o elo dos judeus com o Monte do Templo e Jerusalem.

Precisamos quebrar este silêncio que está permitindo tudo a estes déspotas. Se cada um de nós imaginasse ser Otto Warmbier, com os direitos de vida mais básicos negados, lutaríamos com unhas e dentes contra estes regimes. Mas inexplicavelmente continuamos em silêncio apesar de estarmos livres para poder opinar e exigir mudanças.  Vamos pedir para o Brasil cortar relações com a Coreia do Norte. Vamos denunciar o Irã e exigir que somente países com direitos humanos possam liderar organizações internacionais. Vamos lutar para que ninguém mais sofra esta sorte ou amanhã você também pode ser Otto Warmbier. 

Sunday, June 18, 2017

A Complacência com o Islamismo Radical e o Antissemitismo Europeu - 18/06/2017

Começamos mais uma semana cobertos de luto. A linda jovem Hadass Malka, de apenas 23 anos foi assassinada por um terrorista palestino na cidade velha de Jerusalem na sexta-feira à noite. Seu último ato antes de morrer foi de enviar um selfie sorridente a seus amigos, desejando a todos um Shabat Shalom.

Hadass era uma mulher maravilha real. Começando seu serviço militar na marinha, ela pediu transferência para a polícia militar. O treinamento físico extenuante, patrulhas difíceis e perigosas, nada deteve Hadass que queria servir seu país de modo significativo. Seu rosto lindo, risonho e confiante deve ter sido demais para este bando de “losers” - perdedores (como os definiu Donald Trump).

E de fato, é incrível ver o filme Mulher Maravilha, estrelado pela esplendida atriz israelense Gal Gadot, ter sido proibido no mundo árabe. A desculpa é por ela ser israelense, mas ver uma mulher forte salvando o mundo deve ser ofensivamente castrante para homens que só se sentem machos quando oprimem suas mulheres. E o pior é que estão levando esta cultura para o ocidente que infelizmente não sabe como lidar estas supostas “tradições culturais e religiosas”.

Por mais que a ativista muçulmana Linda Sarsour negue, práticas como casamento de meninas impúberes, mutilação genital, assassinatos por honra e outras pérolas da cultura islâmica, têm a ver sim com o islamismo. No primeiro caso nos Estados Unidos, em abril deste ano, as cortes federais de Michigan indiciaram dois médicos e a esposa de um deles, por praticarem a mutilação genital em meninas. Este procedimento cirúrgico é muito doloroso e consiste em remover o clitóris e a lábia que protege a vagina para suprimir qualquer desejo sexual nas meninas para o resto de suas vidas. Os médicos teriam efetuado o procedimento em mais de 100 meninas só em Michigan.

A defesa dos três, pasmem, alegou que isto é um procedimento religioso e, portanto, criminaliza-lo seria ferir a liberdade de culto protegido pela Constituição americana. E quem vocês acham pagou pelas mutilações? A mesquita frequentada pelos médicos.

A perda do norte moral pelos islamistas não está restrito ao Estado Islâmico com suas decapitações e escravidão sexual de meninas infiéis. A coisa chegou ao ponto de um apresentador de um programa de televisão no Egito que supostamente responde perguntas sobre religião, recomendar a uma espectadora respeitar os pedidos sexuais do pai dela e entender que ele estava viúvo já que a mãe dela tinha morrido. O link do vídeo desta infâmia está postado aqui. Isto tudo bem, mas pegar a filha trocando mensagens no Facebook com algum menino, ah, isto é justa causa para mata-la e defender a honra da familia....!

O problema é que o politicamente correto no ocidente praticamente amarrou e amordaçou as autoridades que só agem quando é tarde demais com medo de serem rotulados de islamofobos.

A complacência do ocidente em relação a estas práticas bárbaras e ilegais em seus países se contrapõe cada vez mais à postura anti-Israel domesticamente e nos fóruns internacionais. Algum psicólogo deveria estudar a relação destas duas forças incompreensíveis.

A rede Franco-Alemã de tevê ARTE, decidiu cancelar a transmissão de um documentário sobre o antissemitismo que assola a Europa, especialmente o antissemitismo islâmico. O filme, chamado “Escolhidos e Excluídos” foi considerado uma obra-prima por historiadores e jornalistas especializados em antissemitismo contemporâneo.  O editor do filme Julian Reichelt disse que as “redes de televisão europeias se recusam a mostrar o filme porque não é politicamente correto e porque o filme mostra uma aceitação do antissemitismo em grande parte da sociedade europeia e isso é perturbador”.

E em meio a tudo isso, no teatro do absurdo da UNESCO, depois dela ter negado os laços dos judeus com a cidade de Jerusalem, a organização agora quer designar o túmulos dos patriarcas Abraão, Isaac e Jacó e suas esposas Sarah, Rebecca e Léa, em Hebron como uma herança do “Estado da Palestina” em sua próxima reunião na Polônia dia 2 de julho próximo.

O embaixador de Israel na Unesco descreveu esta votação como uma nova ofensiva na guerra sobre os locais sagrados aos judeus que os palestinos estão promovendo como parte de sua campanha contra Israel e os laços históricos do povo judeu com a terra de Israel.

Esta é uma nova oportunidade para exortar nossos parlamentares e mudar o voto vergonhoso do Brasil que insiste em se colocar do lado errado da História.

Finalmente, vou levantar minha voz em protesto contra uma das maiores mostras de desrespeito pela vida humana e o que governos liderados por déspotas ignorantes chegam a fazer.

No final de 2015 um estudante americano de 21 anos estava viajando pela China quando viu uma propaganda de uma agencia de turismo em inglês, convidando jovens a visitarem a Coreia do Norte. Otto Warmbier achou a aventura interessante e decidiu ir depois da agência ter assegurado que a viagem era segura para americanos. Otto foi para a Coreia do Norte para cinco dias durante o ano novo.

Enquanto esperava para embarcar para seu voo de volta, Otto foi preso no aeroporto de Piongyang e levado para questionamento por policiais. Eles alegaram que Otto havia roubado um pôster do falecido líder Kim Jong-Il para levar como lembrança e de acordo com as leis da Coreia do Norte, isto é um crime de traição. Otto foi obrigado a confessar o crime dizendo que o tinha cometido por instigação do governo americano e outras afirmações absurdas.

Em Março de 2016, Otto recebeu uma sentença de 15 anos de trabalhos forçados e seus pais não mais ouviram falar dele. Nem cartas, nem telefonemas, nada. A administração Obama recomendou que a família não fizesse alarde e confiasse que ele seria tratado humanamente. Com a mudança do governo americano, Trump decidiu sim fazer alarde e conseguiu a libertação de Otto. Só que ele voltou aos Estados Unidos nesta semana em estado de coma. As autoridades coreanas do norte disseram que ele tinha contraído botulismo, mas os médicos americanos negaram declarando que ele sofrera um dano neurológico severo por insuficiência respiratória. E não só isso. Otto está em coma desde abril do ano passado. Ele não aguentou as torturas e surras nas notórias prisões da Coreia do Norte nem um mês.

Antes desta viajem fatídica, Otto era um estudante exemplar, cursando o primeiro ano da universidade da Virginia em Comércio e Economia. Ele era um ótimo atleta e muito ativo na organização Hillel do Campus da Universidade. Com 16 anos ele participou da viagem a Israel com o grupo Birthright. Sim, Otto é judeu, não que isto faça qualquer diferença.

Quando um país prende alguém, independente do crime, ele se torna responsável por sua segurança e bem estar. O presidiário, por não ter liberdade, não pode fazê-lo sozinho. A Coreia do Norte, epítome do social-comunismo, que impõe a idolatria de seus líderes, não escapa a esta regra.

O Brasil mantem relações diplomáticas com a Coreia do Norte. Acho que além da UNESCO devemos pressionar o governo brasileiro a cortar relações com este ditadorzinho de meia tigela, mandando uma mensagem para aqueles que se conduzirem como párias, que eles serão tratados como párias.






Sunday, June 11, 2017

A Complicada Situação de Qatar - 11/06/2017

Nesta semana tivemos vários eventos com consequências imprevisíveis para os Estados Unidos e Israel.

Primeiro, a embaixadora americana na ONU Nikki Haley visitou Israel, recebendo uma acolhida de estrela. Apesar de estar baseada em Nova Iorque, Haley tem marretado o Conselho de Direitos Humanos em Genebra e ameaçou retirar os Estados Unidos – o maior patrocinador do Conselho - se suas exigências de reforma não forem implementadas. Uma dela é a eliminação do Artigo 7 da Agenda que obriga o Comitê a criticar Israel a cada sessão. O único país do mundo a ter um artigo de condenação obrigatório. 

No meio da semana tivemos o testemunho bizarro do ex-diretor do FBI, James Comey no qual ele confessou ter vazado para a imprensa um memorando oficial de seu encontro com Trump. Pelo menos Comey confirmou de uma vez por todas que não houve qualquer conluio entre Trump e os russos sobre as eleições – para desespero dos democratas.

Pela primeira vez, esta semana o Irã tomou uma dose de seu próprio veneno. Sendo o patrocinador-mor do terrorismo mundial, Teherã sofreu dois ataques simultâneos na quarta-feira, supostamente perpetrados pelo Estado Islâmico.  O Irã imediatamente culpou a Arábia Saudita e prometeu vingança.

E finalmente, tivemos a inesperada ação da Arábia Saudita, Egito, Líbia, Iêmen, Bahrain e Emirados Árabes que cortaram relações diplomáticas com Qatar, fechando suas fronteiras, negando acesso ao seu espaço aéreo e declarando um bloqueio econômico ao Emirado por suas ligações com grupos terroristas e a Irmandade Muçulmana.

O pequeno emirado devia estar esperando por uma destas. Há anos que o Emir trabalha incessantemente para dominar a política do mundo Islâmico. Em 1995, Qatar descobriu um dos maiores campos do mundo de gás natural. Só que um terço do campo está em águas territoriais do Irã o que prontificou a aproximação entre o emirado Sunita e a Republica Islâmica xiita.

Nos anos 90 Qatar se tornou um dos países mais ricos do mundo e seu regime adotou uma política para minar os regimes sunitas do mundo árabe usando propaganda e patrocinando o terrorismo.

Em 1996, o Emir de Qatar criou o canal de noticias em árabe Al Jazeera. Em 2013 Al Jazeera comprou o canal Current TV do ex-presidente americano Al Gore e lançou Al-Jazeera em inglês. O canal tem  em média 60 milhões de telespectadores, sendo o maior formador de opinião do mundo árabe. Sua programação é abertamente oposta aos Estados Unidos e seus aliados sunitas,  apoia a Irmandade Muçulmana e todo grupo terrorista derivado além do Irã e da Hezbollah.

A Al-Jazeera é também visceralmente anti-Israel e antissemita.

O canal funciona como  braço propagandístico da Al-Qaeda, da Hezbollah, do Hamas, do Jihad Islâmico e de qualquer um que atacar a América, Israel, a Europa ou seus aliados.  A Al-Jazeera fez uma extensa cobertura das comemorações em Beirute da volta de Samir Kuntar, o brutal terrorista solto por Israel em 2008 que em 1979 matou quatro adultos a tiros e duas crianças batendo suas cabeças contra pedras na praia em Nahariah.

Al Jazeera teve um papel central na tomada de poder no Egito pela Irmandade Muçulmana e na queda de Muamar Qadafi na Líbia. Nos últimos 20 anos o regime de Qatar foi o maior financiador da al-Qaeda, do Hamas e das milícias associadas com o Estado Islâmico no Iraque e Síria.  Numa comunicação do Depto de Estado americano vazada pela Wikileaks em 2009, Qatar figura como o maior financiador do terrorismo do mundo.

A gota que transbordou o copo, de acordo com o Financial Times, foi a descoberta pelos sauditas que em abril Qatar pagou ao Irã e suas milícias iraquianas e às forças da al-Qaeda na Síria, módicos 1 bilhão de dólares para libertar 50 terroristas presos na Síria.

Depois da visita de Trump ao Oriente Médio, os países sunitas decidiram romper com Qatar até que o emirado denuncie sua aliança estratégica com o Irã, cesse seu suporte financeiro a grupos terroristas e expulse terroristas de seu território.

Se isto acontecer, o Irã irá sofrer um baque enorme. Qatar funciona hoje como seu banqueiro e intermediário diplomático. E se fosse só isso, seria fácil para Trump se manter firme junto a seus aliados sunitas, mas a coisa é mais complicada.

Os Qataris não são bobos e assistiram O Poderoso Chefão. No filme, o filho de Don Corleone diz ter aprendido a manter seus amigos próximos e seus inimigos ainda mais próximos. Nestes anos os Qataris não mediram esforços e dinheiro para envolver os Estados Unidos e suas instituições num emaranhado de relações que levou o Secretario de Estado Rex Tillerson a correr para colocar panos quentes na crise.

Além de doações milionárias a várias fundações, inclusive a dos Clintons, os Qataris investiram centenas de milhões de dólares em universidades americanas. As seis maiores universidades dos Estados Unidos têm campus em Qatar. Até o Instituto Brookings, o prestigioso think-tank americano, abriu uma filial em Doha.

Qatar tentou até trazer Israel para sua zona de influência. Em 1996 o emirado estabeleceu relações comerciais com o Estado Judeu que abriu um escritório comercial em Doha. O escritório foi fechado em 2000 e em 2009 Qatar rompeu todas as relações comerciais com Israel por causa da guerra com o Hamas.

Não é surpresa que Obama tenha tentado substituir o Egito por Qatar como mediador durante a guerra entre Israel e o Hamas. Não funcionou porque Qatar defendeu completamente as exigências do Hamas.

E aí temos o Pentágono. No fim dos anos 90, Qatar gastou mais de um bilhão de dólares para construir a Base Aérea Al Udeid e a ofereceu aos Estados Unidos. Em 2003, o Comando Militar Central Americano foi transferido da Arábia Saudita para Doha e é de lá que as ações americanas no Iraque, Afeganistão e Síria são coordenadas.

Com medo da situação deteriorar, o Irã enviou sua Guarda Revolucionária para proteger o Emir de Qatar, sua família e palácio. Na quarta-feira o parlamento turco, defensor da Irmandade Muçulmana votou para enviar tropas para proteger o regime em Qatar.

Isto tudo foi muito bem calculado. Qualquer ataque a Qatar será entendido como um ataque ao Irã e à Turquia que é membro da OTAN. Em toda esta bagunça entra também a Rússia, tentando tomar o lugar dos Estados Unidos. Trump imediatamente disse que ele próprio iria mediar o conflito e pode ser que ele consiga que Qatar atenda as exigências dos outros países sunitas do Golfo.

De qualquer forma, hoje temos uma nova realidade no Oriente Médio que não está mais claramente dividido entre sunitas e xiitas mas aonde poderosos critérios econômicos tomaram precedência.

Temos que estar todos atentos porque pessoas com um ego enorme, recursos ilimitados e contatos com os maiores grupos terroristas do mundo podem fazer muito estrago se decidirem faze-lo.




Sunday, June 4, 2017

A Guerra Contra a Imagem de Israel - 04/06/2017

Parece que não saímos das mesmas noticias e comentários. Na semana passada começamos com a contagem de 51 mortos e centenas de feridos em dois ataques terroristas: um em Manchester na Inglaterra e outro contra um ônibus de cristãos no Egito.  Os dois ataques foram reivindicados pelo Estado Islâmico. E nesta semana começamos com sete mortos e dezenas de feridos em Londres, muitos em estado crítico. Depois de atropelarem dezenas, três terroristas saíram de uma van armados de facões e apunhalaram vários pedestres incluindo uma criança.

Mais uma vez ouvimos os políticos, a polícia, os comentaristas, os especialistas, e mais velas, flores e ursinhos serão colocados no local do último massacre. O prefeito Sidi Khan procurou assegurar a população dizendo que Londres é a cidade internacional mais segura do mundo. Sério?? Três ataques em três meses, dezenas de mortos e a cidade é a mais segura do mundo?

Infelizmente a Europa criou um problema para si que hoje ninguém consegue resolver. Depois da Segunda Grande Guerra, como penitência pelos crimes cometidos em nome da pureza de raça, os europeus abriram suas portas a milhões de refugiados, especialmente os vindos de países islâmicos e antigas colônias. E como para provar sua redenção, resolveram adotar a política do multiculturalismo. Em outras palavras, em vez de assimilar os refugiados à cultura, língua e valores europeus, a Inglaterra e outros países abraçaram as culturas estrangeiras permitindo a criação de um estado paralelo, literalmente. Hoje só na Inglaterra existem mais de 100 cortes islâmicas para os muçulmanos. Imaginem, um sistema judiciário distinto para os que são de uma certa fé! Na capital da França, Paris, há bairros em que a polícia não entra sem permissão. E todo o tipo de violência, crimes e contravenções são aceitos se cometidos por muçulmanos, só para que o país não seja rotulado de islamofobico.

Há algumas semanas atrás, uma medica de 65 anos, que morava sozinha em um pequeno apartamento num bairro modesto de Paris, foi atacada enquanto dormia. O atacante, seu vizinho de 27 anos com várias passagens pela polícia, entrou no apartamento pela varanda e a torturou por mais de uma hora. O ataque foi tão violento que resultou em mais de 20 fraturas em seu rosto e corpo. Quando os gemidos cessaram, o atacante pegou a senhora ainda viva, e a jogou pela janela do terceiro andar no pavimento, gritando allah uakbar.

Durante todo o incidente, a policia armada estava do lado de fora do apartamento e não fez nada. Os vizinhos, que podiam ouvir os gritos da vítima, também não fizeram nada. A mídia foi avisada ainda durante o evento. Ela não apareceu e não reportou o assassinato.

O nome da vítima era Sara. Sara Halimi.

Esta cena atroz não ocorreu em 1942, à véspera do Rafle du Veld’hiv, quando os franceses prenderam seus judeus e os transportaram para os campos de concentração nazistas. Esta cena aconteceu entre o dia 3 e 4 de abril deste ano, num apartamento a alguns quarteirões do Bataclan, aonde mais de 100 jovens foram mortos por terroristas muçulmanos em 2015.

No domingo seguinte ao assassinato de Sara, uma marcha silenciosa foi organizada na área. Ela foi saudada pelos jovens do bairro aos gritos de “morte aos judeus” e “nós temos kalachnikovs”.

Se a Europa conseguiu abraçar o estrangeiro e seus valores retrógrados e medievais, ela não conseguiu erradicar seu ódio ao judeu. Este ódio milenar se transformou com a criação do Estado de Israel.

Contra todas as expectativas, um punhado de sobreviventes dos campos nazistas conseguiram rechaçar o ataque dos exércitos árabes em 1948.  E ao fazê-lo, sem qualquer ajuda exterior, o Estado judeu tornou-se independente. Longe de ser o resultado do colonialismo europeu, a criação do Estado de Israel moderno foi um exemplo milagroso e único, de um povo antigo, que depois de dois mil anos de exilio, conseguiu retornar à sua terra, ressuscitar sua língua e se tornar um sucesso econômico.
  
Isto não foi digerido pela Europa acostumada a mandar no Oriente Médio. Em novembro de 1967, quando o mundo ainda maravilhava a vitória de Israel na Guerra dos Seis dias e a reunificação de Jerusalem, o Presidente francês Charles de Gaulle chocou 900 jornalistas e 200 diplomatas com uma declaração que não havia sido ouvida por um líder europeu desde 1945: Ele disse: “Os judeus são um povo elitista, dominador e seguros de si próprios”, uma nação que – tendo seu próprio estado – exibirá uma “ambição ardente de conquista” um estado que se tornou de fato “guerreiro” e “determinado a se expandir”.  

Apesar da declaração ter trazido muitas condenações, ela foi o ponto de partida na guerra sobre a imagem de Israel. Uma guerra que Israel ainda não conseguiu vencer.

Sem poder explicar sua derrota contra um adversário minúsculo, os líderes árabes se empenharam em desviar a atenção de sua incompetência para o caráter de Israel. E para fazer isso usaram o livro de receita nazista. Os Protocolos dos Sábios de Sião têm sido publicados em árabe desde 1951 junto com acusações de conspirações para dominar o mundo, libelos de sangue e outras acusações fantásticas. Em 1965, para torpedear a influencia israelense em projetos de agricultura na Africa, os egípcios publicaram um panfleto “Israel, o Inimigo da África” que descrevia os judeus como trapaceiros, ladrões e assassinos.  

Mas até 1967 estes esforços árabes foram ridicularizados pelo mundo. A Guerra dos Seis Dias mudou isto. A terrível derrota militar sofrida dobrou os esforços árabes para desfigurar Israel mundo afora. O problema de De Gaulle foi que Israel ousou lutar apesar dele ter dito não e pior, Israel ousou ganhar, apesar dos planos dele preverem uma vitória árabe. Quando confrontado com a traição de Israel, ele decidiu culpar o Estado judeu. Sem qualquer vergonha de usar o melhor estilo nazista, De Gaulle disse que Israel tinha uma ajuda vasta em “dinheiro, influência e propaganda” dos “círculos judaicos na América e Europa”. Tudo para obter favor junto aos árabes.

Com De Gaulle as elites ocidentais aprenderam a atacar Israel pelas costas enquanto seus vizinhos atacavam pela frente.

Em Moscou, a vitória de Israel causou outro tipo de frustração. As armas usadas por Israel eram americanas enquanto as dos árabes eram soviéticas. A derrota em seis dias causou um dano enorme à indústria armamentista soviética, uma de suas maiores fontes de renda.  

Antes mesmo da Guerra acabar, o embaixador soviético na ONU em um discurso histérico, acusou o exército de Israel de ser uma gangue hitlerista, redefiniu a guerra de defesa declarando Israel como agressora e os árabes passaram a serem “vítimas”, argumentos até hoje usados em propagandas anti-Israel. Israel estava sendo acusada por aqueles que prenderam escritores, construíram Gulags e ocuparam à força terras da Lituânia até o norte do Japão!

Bater em Israel passou a ser o instrumento de todo aquele que quisesse desviar a atenção de qualquer problema. Esta guerra contra a imagem de Israel piorou em 2001. Duas semanas após um suicida matar 15 na pizzaria Sbarro em Jerusalem, milhares marcharam em Durban, na África do Sul, chamando Israel de racista enquanto mais de três mil ONGs acusavam Israel de genocídio sistemático. E pior, heróis culturais como o escritor José Saramago, o cantor inglês Roger Waters e outros embarcaram no trem do ódio. Um trem obcecado, irracional, implacável, independente das ações ou inações de Israel.

Hoje o mundo está entendendo talvez um pouco o que Israel tem enfrentado todos estes anos com o terrorismo. Mas o politicamente correto ainda reina. Em seu discurso hoje pela manhã Tereza May falou muito em engajar os muçulmanos, coisa que ouvimos 16 anos atrás depois dos ataques de 11 de setembro e não funcionou. Chegou a hora de colocar os terroristas na defensiva, interrogando suspeitos, deportando ilegais, expulsando imams radicais, cancelando a cidadania europeia dos perpetradores e seus familiares.


E Israel tem que entender que a guerra por sua imagem é tão importante quanto as conquistas militares. E para vencê-la ela tem que fazer o que faz de melhor: ir ao ataque e expor aqueles que querem sujar seu nome.

Sunday, May 28, 2017

Entre Manchester e Jerusalem - 28/05/17

Vamos começar com o balanço da semana: 51 mortos e mais de cem feridos. Primeiro, o ataque na Arena de Manchester, depois do show da cantora Ariana Grande. O alvo: meninas e adolescentes e mães que esperavam suas filhas saírem do estádio. E ao reclamarem a autoria do ataque, o Estado Islâmico decidiu atravessar uma linha que pode ser o alarme que o mundo precisava para erradicar estes energúmenos da face da terra: declarou que matar crianças infiéis é permitido, de acordo com sua interpretação do Al-Corão.

E mais: no começo da semana os ingleses achavam que havia três mil jihadistas no Reino Unido, quando a polícia anunciou que o número é na verdade 23 mil e não dava para seguir todos! Como se esta fosse uma desculpa boa para ignorar cinco avisos feitos por vizinhos deste terrorista.

Muito menos coberto foi o segundo ataque, a um ônibus que transportava cristãos coptas: 29 mortes, entre as quais 10 crianças, metralhados também pelo Estado Islâmico. Os cristãos do Oriente Médio continuam a ser massacrados e escorraçados e o mundo continua silente.

Não é de surpreender que Donald Trump tenha dito alto e claro aos líderes árabes, no domingo passado, que é preciso erradicar esta ideologia da face da terra. Vamos ver se eles ouviram.

Donald Trump completou com um estrondoso sucesso sua primeira viagem ao exterior mudando a realidade geopolítica onde ele passou. E a mídia de esquerda não se aguenta em sua miséria.  Procuraram de tudo para ataca-lo e quando não encontraram, inventaram. Disseram que sua esposa Melania tinha recusado segurar sua mão, que ele tinha empurrado o primeiro-ministro de Montenegro e finalmente que Trump era o culpado por um candidato ao Congresso americano ter atacado um jornalista. O candidato, do Estado de Montanha, acabou ganhando a eleição.

Em Israel, o que foi notável, não foi tanto o que Trump disse, mas o que ele deixou de dizer. Como todos os presidentes anteriores, ele começou elogiando o Estado e os judeus por sua perseverança, inovações tecnológicas e democracia. E após o açúcar, podíamos segurar a respiração porque aí vinha o vinagre.  Mas neste ponto, Trump agradeceu e terminou seu discurso. Desta vez não teve vinagre.

Trump fez sete discursos em Israel e nenhuma só vez mencionou os assentamentos. Ainda melhor, ele não fez qualquer ligação entre terrorismo e assentamentos como era tão comum com a administração anterior. Estávamos acostumados com Obama condenando o último ataque terrorista palestino e a próxima sentença dele culpava Israel pelos assentamentos.

Diferentemente, ao se encontrar com Abbas em Belém, Trump disse inequivocamente que a paz “nunca poderia criar uma raiz num ambiente aonde a violência é tolerada, paga ou premiada”.

Trump resolveu que atacar assentamentos implacavelmente, até a construção de algumas unidades dentro de Jerusalem, serve apenas como distração. Até mesmo porque os assentamentos nunca foram um empecilho até Obama torna-los um.

Mas muito mais significativo Trump também não falou uma só vez de um Estado Palestino, da solução de dois estados ou mesmo de autodeterminação palestina. Isto porque Trump quer que as partes na região cheguem a um consenso do que é o melhor para eles, e há outras soluções na mesa como uma federação com a Jordânia por exemplo.

A abordagem de Trump, em contraste com a de Obama, é limitada a exigir das partes seu comprometimento a tentarem chegar a um acordo. Ele não dá lições de moral, não tenta ensinar outros povos como governar, mas espera que todos se comportem responsavelmente. Ele também resolveu colocar as cortinas sobre a suposta “luz” que Obama disse ter sido necessária entre “amigos”, expondo a todos sua discordância e antipatia com Netanyahu.

Para mim a imagem mais marcante da visita de Trump foi sua visita ao Muro das Lamentações. Usando uma kipá negra e colocando sua mão nas pedras milenares, ele não estava só expressando sua prece que Deus lhe dê sabedoria para governar, como ele disse. Ele estava fazendo uma declaração sobre o elo dos judeus para com o Muro e com Jerusalem.

O Monte do Templo é um dos maiores exemplos do passado ilustre dos judeus. Ele nos leva de volta à um tempo quando éramos um povo com uma religião e uma língua comuns e povoávamos a terra de Israel e tínhamos Jerusalem como nossa capital.

O Talmud nos diz que dez medidas de beleza desceram ao mundo e que nove delas foram tomadas por Jerusalem. Uma só pelo resto do mundo.

E realmente. Jerusalem é linda, por dentro e por fora. Por fora é óbvio para todos verem: suas construções de pedra branca que a faz reluzir, seus jardins, o cheiro de alecrim no ar. Por dentro é aquela sensação que todos sentimos ao chegarmos à cidade: de estarmos conectados com nossa alma. E isto ouvi de um ateu!

Mas até a manhã do dia 6 de Sivan do ano 5727, metade da cidade santa, incluindo o Monte do Templo, estava fechada aos judeus. Durante os 19 anos de ocupação jordaniana, antigas sinagogas sofreram destruição sistemática, lugares arqueológicos nivelados, uma população árabe implantada aonde a comunidade judaica tinha vivido por milênios.

Mas naquela manhã de Shavuot de 1967, uma semana após a liberação da cidade por Israel, a cidade inteira foi aberta pela primeira vez. Dezenas de milhares de judeus vieram de todo o país e de fora para pisarem nas ruas e vielas sagradas e se uniram em prece no Muro das Lamentações.

Judeus religiosos e seculares, ashkenazim, sepharadim, homens, mulheres e crianças, mão em mão, comemoraram a antiga festa de Shavuot em sua nova/antiga/eterna capital, num momento de união que provavelmente só teve paralelo no Monte Sinai. Aqueles milhares de judeus, olhando para aquelas pedras antigas com um profundo senso de história e destino, souberam que finalmente tinham voltado para casa – depois de tantas perseguições, sangue, morte, lágrimas, tanto sofrimento em tantos anos de exílio.

As lágrimas derramadas naquele Shavuot foram lágrimas de alegria.

Todos nós queremos a paz. Tem aqueles que estão dispostos a não deixar nenhuma pedra intacta para alcançá-la. O mundo quer impor seus desígnios a Israel, rejeitando a anexação e unificação de Jerusalem. Exigindo a re-divisão da cidade.


Mas ao olharmos hoje para estas pedras que formam o Kotel, realizamos que há pedras que não podem ser mexidas para a paz. Elas são eternas e a volta dos judeus a elas cumpriram uma promessa que Deus fez. E esta promessa não pode ser desfeita por absolutamente ninguém.

Friday, May 26, 2017

Trump na Arabia e Israel - 21/05/2017

Donald Trump embarcou para sua primeira viajem ao exterior como presidente dos Estados Unidos. Muitas primeiras vezes são esperadas e já começaram a acontecer. Foi a primeira vez que um presidente americano escolheu um país muçulmano como sua primeira parada, E ao chegar à Arábia Saudita, o que foi muito comentado foi o fato de ser a primeira vez que a primeira dama e a filha do presidente apertaram a mão do rei na recepção e se sentaram junto com os homens na mesa de negociação e com o cabelo descoberto.

Após serem obrigados a participar da dança da guerra empunhando espada e tudo, Trump e seu secretário de estado Rex Tillerson tocaram a agenda do dia e assinaram um dos maiores acordos de venda de armas da história, se não o maior. São 350 bilhões de dólares em 10 anos que irão gerar milhares de empregos para a América e fortalecer o maior adversário do Irã na região.

A mídia saudita não poupou elogios a Trump e declarou a era Obama “morta”. A efusiva recepção saudita parece algo inédito para alguém que durante a campanha não parou de culpar o islamismo radical pelo terrorismo mundial, incluindo aquele saído da Arábia Saudita. Estranho não? Entre um presidente americano que se curva ao rei e fica no muro nas disputas regionais e um que fala o que todos acham que não deve sobre o islamismo e que não se curva a ninguém, os sauditas preferem o segundo. A diferença está no fato que como Churchill, Trump sabe que no Oriente Médio somente o cavalo mais forte é respeitado. Trump falou aberta e claramente aos lideres muçulmanos que eles têm que expulsar a ideologia radical de seus países.

As próximas paradas são Israel, aonde Trump será o primeiro presidente americano empossado a visitar o Muro das Lamentações, o Vaticano, Bruxelas e a Sicília.

Esta viagem veio bem a calhar dando umas férias ao presidente de tantos “escândalos” inventados pela mídia que a cada espirro do presidente ela encontra uma razão para um impeachment.

Chegou a um ponto que o Vice Advogado Geral da América Rod Rosenstein nesta semana decidiu nomear o ex-diretor do FBI Robert Mueller para investigar se existiu “qualquer ligação ou coordenação entre o governo russo e indivíduos associados com a campanha de Trump”.

A gota d’agua foi sobre uma revelação de inteligência que Trump teria feito ao ministro do exterior russo Sergei Lavrov sobre uma possível tentativa do Estado Islâmico de explodir um avião civil usando um computador. A coisa é tão bizarra e patética que chegou a ser definida por Putin como “esquizofrênica”. E ele tem razão.

Primeiro, o presidente dos Estados Unidos tem toda a liberdade de revelar segredos ao seu bel prazer. Segundo, a Rússia não está em guerra com os Estados Unidos e apesar das relações estarem tensas desde as eleições, há um interesse comum em derrotar o Estado Islâmico e a prevenir que outro avião com civis inocentes seja explodido como ocorreu com o avião russo sobre a península do Sinai.
Então quem são estes que fizeram de seu objetivo de vida derrubar Donald Trump? Quem é culpado de supostamente colocar em perigo uma fonte da inteligência americana? Trump que passou a informação numa reunião fechada e confidencial, ou a pessoa que vazou o fato para a mídia?

Está claro que Trump está enfrentando os mesmos atores que por anos tentam minar as ações de Israel. Durante toda a administração Obama, funcionários seniores vazaram informações sobre as operações de Israel para a mídia.

Em 2010, uma fonte de defesa expôs o Stuxnet, um vírus de computador desenvolvido por Israel e os Estados Unidos contra o reator nuclear iraniano em Busheir que conseguiu sabotar uma grande quantidade de centrífugas. A revelação terminou a operação. Obama apoiou o vazamento três dias antes de sair da Casa Branca quando perdoou James Cartwright por ter participado na divulgação da informação ao New York Times.

Outra vez em 2012, oficiais americanos divulgaram para a mídia que Israel tinha atingido alvos na Síria o que tornou este tipo de operação mais perigosa contra as forças iranianas e da Hezbollah. No mesmo ano, membros da administração Obama informaram a jornalistas que Israel estaria treinando em bases do Azerbaijão para possivelmente atacar o Irã. Abruptamente, Israel teve que abandonar o Azerbaijão. O objetivo claro de todos estes vazamentos era de prejudicar Israel. Nestes últimos meses o objetivo é de prejudicar Trump.

O incrível é que nos dois casos, os vazadores de informação são membros da comunidade da inteligência americana com um nível de acesso extremamente alto, e sem medo de estarem cometendo um crime ao revelar informação a repórteres. O que aconteceu com a comunidade da inteligência americana? Como é que eles chegaram à conclusão que é correto usar de seu cargo para obter informação para objetivos partidários?

Estes são oficiais de carreira, extremamente engajados na agenda de esquerda que subiram rapidamente após um êxodo de agentes provocado nas organizações de inteligência, investigados supostamente por torturar terroristas. A isso se seguiu uma limpeza nos manuais das organizações e também dos departamentos de polícia retirando qualquer menção sobre islamismo, terrorismo e radicalismo.

A campanha de Trump e sua eleição são vistos como uma afronta à este grupo poderoso. Do mesmo modo que uma Israel forte, capaz de defender seus interesses sem a ajuda ou permissão dos Estados Unidos chega a ser mais perigoso do que um Irã armado da bomba nuclear.

E a cara de pau é tanta, que alguns membros deste clubinho chegaram a dizer o que fizeram para a imprensa. É o caso de Evelyn Farkas que deixou o departamento de defesa para trabalhar para a campanha de Hillary Clinton em 2015. Numa entrevista para a MSNBC em março deste ano, ela admitiu orgulhosamente que a inteligência americana estava espionando Trump e seus conselheiros e passando a informação para políticos e jornalistas para prejudica-lo.

De acordo com ela, pelo menos de outubro do ano passado e até a sua inauguração em janeiro, Trump e seus assessores estavam sendo espionados apesar de nenhum deles ser suspeito de cometer qualquer crime. Isto é uma clara violação das proteções constitucionais dos cidadãos Americanos.

E a coisa não parou aí. Nas últimas duas semanas houveram vários vazamentos sobre a visita de Trump a Israel para criar no mínimo um mal-estar e controvérsia. A primeira dela surgiu quando um oficial americano coordenando a visita declarou a seu contraparte israelense que o Muro das Lamentações “não está em seu território” e que nenhum membro do governo de Israel poderia acompanhar Trump em sua visita ao Kotel. Esta declaração foi surpreendente e talvez para contrabalança-la, o novo embaixador americano David Friedman veio direto do aeroporto para o Muro ao chegar a Israel.

Confundindo as coisas, a embaixadora Americana na ONU Nikki Haley disse à televisão cristã que o “muro das Lamentações é parte de Israel e acho que essa foi sempre nossa visão e é como devemos lidar com o fato”.

A batalha sobre o Muro das Lamentações reflete a disputa tradicional entre o Departamento de Estado sempre antipático a Israel e outras agências do governo Americano.

Após 50 anos de unificação da cidade Santa, quando se trata de ganhar reconhecimento de seus direitos ao Muro das Lamentações pelos Estados Unidos e a comunidade internacional como um todo, Israel enfrenta uma luta árdua. Desde os anos 30, ativistas islâmicos tentam eliminar o direito dos judeus à área, declarando o Monte do Templo um local puramente islâmico. As resoluções hostis da Unesco são prova destas investidas.

O fato de Trump ter vindo nesta semana a Israel, precisamente durante as comemorações dos 50 anos da liberação e unificação da cidade, pode ser apenas coincidência, mas talvez ele quisesse mandar uma mensagem simbólica aos palestinos.

Uma mensagem de que se não houver um fim à incitação, ao pagamento de terroristas e a uma vontade real de negociar a paz, a América não estará mais disposta a patrocinar a Autoridade Palestina ou interceder em seu favor. Trump e Bibi já mostraram que podem trabalhar juntos. E com tanto na balança, é preciso tentar.

Thursday, May 18, 2017

A Verdadeira Face da Jordânia - 14/05/2017

No último sábado à noite um turista Jordaniano esfaqueou e feriu um policial israelense na cidade velha de Jerusalem. O policial, mesmo ferido, conseguiu sacar sua arma e matou o agressor.
Em resposta ao incidente, o governo da Jordânia emitiu uma declaração furiosa condenando Israel dizendo que “o Governo de Israel que é a força de ocupação, é responsável pela morte de um cidadão jordaniano no leste de Jerusalem... Condenamos duramente este crime desprezível que foi cometido contra um cidadão jordaniano, e exigimos que Israel forneça todos os detalhes sobre o incidente”.
O ataque de ontem é claramente parte desta última onda de terrorismo que começou em setembro de 2015 e que até agora custou a vida de 244 palestinos envolvidos em esfaqueamentos, atropelamentos, apedrejamentos e tiroteios. Trinta e sete israelenses, dois turistas americanos e uma estudante inglesa foram mortos nestes incidentes. Uma onda que Mahmoud Abbas, presidente dos palestinos, chama de uma insurreição pacífica!
Israel assinou um tratado de paz com a Jordânia há 23 anos.  E seu povo odeia Israel e os judeus até mais do que os iranianos. De vez em quando, os jordanianos têm a oportunidade de expressar como se sentem em relação a Israel, e a coisa é feia.
Em março de 1997, três anos após a assinatura do tratado de paz, meninas da 7ª e 8ª série de uma escola de Beit Shemesh foram ao vale do Jordão para um passeio. O ponto alto da viagem era uma visita à chamada “Ilha da Paz”. A área fica próxima à estação de eletricidade de Naharayim, que inclui terras que Israel cedeu para a Jordânia no acordo de paz, mas que Israel alugou da Jordânia para continuar o cultivo de agricultores judeus que haviam comprado estas terras várias décadas antes.
A transferência formal da soberania por Israel e o reconhecimento pela Jordânia do direito dos judeus àquela área eram prova de que o acordo de paz ia além do pedaço de papel em que foi escrito.  Nesta área da Ilha da Paz, tínhamos finalmente concretizado o fim das hostilidades entre Israel e a Jordânia.  
Mas justo ao descerem do ônibus, um soldado jordaniano designado a proteger visitantes, pegou sua M-16 e atirou contra as meninas matando sete e ferindo outras seis. A ilusão da Ilha da Paz tinha chegado a um fim brutal. Estando em território jordaniano não havia ninguém para proteger as meninas. O soldado teria matado todas se sua arma não tivesse emperrado.
Nos dias subsequentes, Israel viu as duas caras da Jordânia e com elas, a verdadeira natureza da paz que tinha alcançado.
De um lado, num gesto de inédita humildade. O próprio Rei Hussein foi a Israel para prestar suas condolências a cada uma das famílias das sete meninas. Ele se curvou aos pais e pediu perdão. Mas na Jordânia, os cidadãos comemoraram o massacre e seu perpetrador Ahmed Daqamseh, promovido a herói nacional.  
O judiciário jordaniano fez de tudo para não tratar Daqamseh como homicida. Em vez de receber a pena de morte por seu crime – que teria sido o normal se as vítimas não fossem meninas judias – os juízes o declararam louco e o sentenciaram à prisão perpétua. Pela lei jordaniana esta sentença se traduziu em 20 anos de detenção. Em outras palavras, o assassino recebeu menos de três anos por cada menina que matou e nada por aquelas que ele feriu.
Insatisfeitos com a sentença, no entanto, o publico jordaniano repetidamente exigiu sua libertação. Em 2011, o então ministro da Justiça Hussein Majali chamou Daqamseh de herói. Em 2014 a maioria do parlamento jordaniano votou para solta-lo.  Em março deste ano, com sua sentença cumprida, Daqamseh foi solto. Ele foi recebido em sua cidade com comemorações dignas de qualquer celebridade.
Daqamseh, o suposto louco, nunca expressou arrependimento. O oposto. Em sua primeira entrevista para a Al-Jazeera no dia seguinte à sua libertação, ele declarou que a “normalização com os sionistas é uma mentira”; que “os israelenses são dejetos humanos que o mundo vomitou aos pés dos árabes”; que “Israel deveria ser eliminada por fogo ou enterrada e se isto não fosse alcançado por suas mãos, então a tarefa deveria ser passada para a próxima geração para queimar o lixo”.
A situação atual da Jordânia é bem preocupante. E apesar de toda a ajuda econômica e estratégica que recebe, o reinado está à beira da falência econômica e social. O desemprego, oficialmente em 14%, de fato está em torno de 38%. É um dos países do mundo mais pobres em água e depende de exportações de Israel para sobreviver. Jordanianos que vivem no exterior mantêm mais de 350 mil famílias com suas remessas de dinheiro.
Desde 2003 a Jordânia absorveu um milhão de refugiados do Iraque e outro milhão da Síria. Refugiados que, em caso de um golpe ou guerra civil na Jordânia, inundariam a Europa. Para Israel, a Jordânia é imprescindível como zona amortecedora entre seu território e o Iraque e a Síria, ambos controlados pelo Irã.
A Irmandade Islâmica é a segunda força política do país. Apesar dos jordanianos terem ficado revoltados com a execução do seu piloto em 2015, queimado vivo pelo Estado Islâmico, mais de dois mil jordanianos se juntou ao grupo e contam com milhares de simpatizantes no país.
A Jordânia é um exemplo do perigo de assistência financeira sem restrições. A cada ano, os Estados Unidos fornecem à Amã mais e mais ajuda civil e militar para manter o regime. E a cada ano, vozes como as de Daqamseh aumentam em número e volume.  A Jordânia também mostra que o conceito de paz entre Israel e seus vizinhos árabes tem um valor limitado. A paz com o Egito é na melhor das hipóteses fria e com a Jordânia, é gélida.
Enquanto o coração e mentes dos árabes continuarem a ser alimentados por conspirações e teorias nefastas sobre os judeus e inspirados por jihad e destruição, que tornam um assassino de meninas inocentes em herói, a noção de que uma paz genuína possa ser alcançada é irracional e irresponsável.
Israel está hoje enfrentando uma situação bastante complicada em sua fronteira norte com a guerra civil na Síria. Ela não quer o mesmo em sua fronteira leste com a Jordânia. Mas Israel não pode apenas fingir que isto não irá acontecer e tem que planejar para esta eventualidade.
Depois do massacre de 1997, os pais das meninas mortas e o público perguntaram por que a escola não tinha levado guardas à paisana para a Ilha da Paz para protegê-las? Uma pergunta razoável. Daqamseh pôde matar as meninas porque Israel baixou a guarda. E o único jeito de evitar que isto aconteça novamente é reforçar o controle de sua fronteira leste.
Vinte e três anos após o acordo de paz, nada mudou na Jordânia. Nenhum coração e nenhuma mente foi convencida a aceitar Israel. O acordo de paz não protegeu as meninas em 97 ou o policial ontem. A única coisa que protege Israel e seus cidadãos é sua capacidade e disposição de usar os recursos que tem para se defender dos que seguem repletos de ódio apesar dos tratados de paz assinados.