Sunday, July 2, 2017

Trump, as Falsas Noticias e Israel - 2/7/17

Desde a tomada de posse da presidência da Republica por Donald Trump, muita coisa tem mudado nos Estados Unidos e no mundo. Apesar dos ataques venenosos e implacáveis da mídia, Trump conseguiu concretizar mais promessas feitas durante a campanha do que qualquer outro presidente americano.

Em pouco mais de 5 meses, além de trazer uma confiança sem precedentes ao mercado e às bolsas de valores, Trump cancelou centenas de regulamentos que atravancavam empresas e proibiam a exploração de fontes de energia gerando milhares de empregos; nomeou e conseguiu aprovar um membro conservador para a Suprema Corte do país; reduziu substancialmente a imigração ilegal; congelou os gastos do governo federal; renegociou vários tratados comerciais internacionais; aprovou o orçamento para renovar o exercito, reformou o sistema médico para os veteranos, mas acima de tudo, ao usar o Twitter, o presidente se tornou o comandante da luta contra o noticiário falso. E isso está deixando os democratas, a esquerda e a mídia furiosos.

Até hoje, o aparato político precisava da mídia para transmitir suas medidas, políticas e acontecimentos ao povo. Hoje, com mais de 100 milhões de seguidores no Twitter, Trump só precisa de seu telefone. E para quem o segue, sabe que 99% de suas mensagens são sobre as medidas que ele está tomando para como ele diz: Fazer a América Formidável de Novo.

Mas em vez de discutir os objetivos do governo, a mídia continua numa frenética, insana e pouco produtiva caça às bruxas, a bruxa sendo Trump. Depois de mais de um ano sendo diariamente insultado por este casal de âncoras da NBC, Trump que é um homem orgulhoso, com mais conquistas no bolso do que todos nós juntos, resolveu bater de volta. Ele descreveu Mika como baixo Q.I. e seu noivo de maluco Joe. Ainda contou que os dois tinham tentado ser convidados para sua festa de ano novo mas ela estava sangrando de uma plástica recente e Trump disse não.

Este twit causou um alvoroço e nenhum outro assunto foi mais importante esta semana, inclusive para os correspondentes internacionais brasileiros. Não a libertação de Mosul das mãos do Estado Islâmico, não a confirmação da morte do líder do ISIS, Abu Bakr al-Bagdadi, não a onda de cólera no Iemen, não a imigração na Europa que já se tornou insustentável. Nada.

Mas Trump não parou aí. Depois de ter repetido que a CNN é a maior fonte de noticias falsas, esta semana ele foi vindicado. Três jornalistas da rede foram “resignados” incluindo o editor executivo da unidade de investigação jornalística depois de terem publicado uma estória falsa sobre um fundo de investimento russo que teria laços com pessoas na administração Trump. Eles citaram uma fonte anônima como prova. A rede ainda despediu Reza Aslan depois do âncora ter chamado Trump de um pedaço de excremento. Isto se seguiu ao cancelamento do contrato da comediante Kathy Griffin no começo de junho, depois dela ter aparecido segurando uma cabeça decapitada e sangrenta de Trump.

Parece que só este tipo de coisa consegue aumentar a audiência destas redes. Ultimamente só assistimos a CNN nas filas dos aeroportos. A NBC nem isso. O que forçou a mão destas redes foi a reação do público contra esta falta de respeito para com o presidente. Mesmo democratas estão de acordo que tem que haver um basta..

Porque isto é importante? Porque hoje temos que separar o joio do trigo quando ouvimos as noticias. Em Israel esta semana soaram alarmes, ameaças e avisos sobre a aparente deterioração das relações entre os judeus americanos e Israel. Tudo por que o governo de Bibi decidiu adiar a criação de uma nova entidade para gerenciar o espaço no Muro das Lamentações para os reformistas e conservativos e também sobre a lei de conversões.

As manchetes e opiniões distorceram de tal modo decisão - em vez de explica-la- que acabaram atacando diretamente a união do povo judeu.

À primeira vista, nos deram a entender que o governo eliminou de vez o espaço para os reformistas no Muro das Lamentações e mudou para pior o status das conversões não ortodoxas em Israel. Ambos são mentira.

A decisão não altera de modo algum o direito dos reformistas e conservativos de continuarem a rezar e a conduzirem seus serviços religiosos no Arco de Robinson, que é parte do Muro das Lamentações e o lugar que lhes foi designado há anos. Em 2016, o governo tinha concordado em conectar o Arco de Robinson com o complexo do Muro das Lamentações e transferir seu gerenciamento do rabinato ortodoxo para uma nova entidade que incluiria representantes reformistas e conservativos. Foi esta decisão que foi revertida.

Membros destes grupos têm o direito de estarem frustrados. O governo renegou em seu acordo e isto não é justo. Mas por outro lado, isto não justifica a retorica abusiva de membros da mídia e de alguns poucos líderes americanos que ameaçaram retirar seu apoio a Israel.

Sobre a conversão, foi o mesmo. Há 20 anos, a comissão Neeman decidiu que pessoas convertidas com os reformistas e conservativos poderiam fazer alyah usando a lei do retorno, mas não poderiam ser registrados como judeus pelo rabinato ortodoxo para efeitos de casamentos, divorcio ou enterros. Isto também não mudou. Os mais afetados por esta decisão são os 500 mil israelenses da ex-União Soviética que fizeram alyah porque tinham pelo menos um avô judeu, mas não são judeus pela halachah porque suas mães não são judias.

A coalisão de partidos que mantém Bibi no poder é muito tênue e os partidos religiosos sabem disto. Eles ameaçaram deixar a coalisão causando a queda do governo se ele cumprisse estas promessas. Bibi não teve alternativa. Ele tomou uma decisão política para se manter como primeiro-ministro e a vasta maioria dos lideres judaicos americanos entende isto.

Mas ao caracterizar a decisão do governo como uma rejeição do movimento reformista e conservativo, a mídia está tirando o foco da razão real para lutar por esta lei. A razão principal é a tremenda assimilação dos judeus na América. O casamento entre judeus e não judeus está acima de 70%. Filhos destas uniões poderão querer fazer alyah algum dia e muitos se consideram judeus. Os reformistas têm que lutar para que eles sejam aceitos de modo pleno, e não aceitar uma divisão desnecessária, e cortar seus laços com Israel se as leis não passarem agora.

O problema real é que enquanto todo o mundo fala da unidade entre os judeus, ninguém envolvido na conversa parece impelido a chegar neste objetivo. Não se chega à unidade através de recriminações. A união de Israel é alcançada pelo amor e respeito a todos, independente de suas origens, de suas tradições, e de quanto seguem a religião. Afinal, éramos 12 tribos, cada uma com sua bandeira. Sem isso, não teremos nenhum acordo bom ou duradouro.  Precisamos de calma, diálogo e muita ahavat Israel. E também paciência para esperar o momento político certo para alcançar estes objetivos.


1 comment:

  1. Deborah, comente por obséquio o recente embargo feito pelo Canadá à importação de produtos (vinhos)de Israel cuja proveniência seja de `Território Ocupado`.

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